7/4 - Blog do Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 07 Apr 2019 08:15 AM PDT
Por Leandro Fortes

Nos governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, era muito comum um tipo de assédio a parlamentares no Congresso Nacional levado a cabo por uma turma de alegres repórteres – homens e mulheres – que saltitavam em torno de deputados e senadores quando estes circulavam pelos salões Verde e Azul do parlamento.

Tratava-se de uma bajulação grotesca, um tipo de pantomima que incluía afetadas saraivadas de elogios ridículos ("líder, seu discurso foi simplesmente maravilhoso") e falsas observações estéticas ("senador, vem cá para eu arrumar essa gravata"), ao mesmo tempo em que se criava em torno dos bajulados uma ciranda de puxa-sacos ciscando na porta dos plenários.

Davam gargalhadas de qualquer piada, achavam qualquer bobagem vindas de nulidades um sinal de prestígio. Às vezes, ganhavam uma migalha de informação, noutras, a chance de jantar no Piantella por conta do jornal. Era, ainda é, um exercício espúrio de sobrevivência profissional. Um retrato ao mesmo tempo triste e revelador do tipo de cobertura política que floresceu em Brasília, depois da redemocratização do País, no final dos anos 1980.

Eu gostava de chamar essas pessoas de "codornas". Elas ainda existem, em grande quantidade. As mais velhas podem ser vistas fazendo a mesma coisa, nas redes sociais.

Os governos do PT, por razões diversas, modificaram essas relações, mas não pela vontade dos repórteres. Desde o início do primeiro governo Lula, saíram de cena as alegres codornas para dar lugar a cães de guarda treinados para arrancar, diuturnamente, notas, matérias e declarações que servissem para minar a narrativa popular emanada do Palácio do Planalto. Subitamente, tudo que era normal à rotina da política passou a ser escandaloso, maléfico, pútrido.

O golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff reascendeu a chama dessa turma, embora sem o mesmo vigor e, porque não dizer, o mesmo charme. Os 13 anos de governos petistas criaram uma solução de continuidade na transmissão geracional dessa bajulação pré-PT. Mas, então, veio aquele inesquecível Roda Viva, direto do Palácio da Alvorada, com Michel Temer.

Todo mundo lembra, por isso nem preciso me estender: repórteres do Estadão, TV Cultura, Folha e Globo protagonizaram uma das entrevistas coletivas mais servis, desonestas e patéticas do jornalismo brasileiro.

As codornas estavam de volta.

Agora, vejo essa foto de um desses cafés da manhã de Bolsonaro com jornalistas pomposamente apresentados como "chefes de redação e colunistas de jornais e emissoras de televisão de todo o país", no qual a estrela do evento foi Luciana Gimenez – esse poço de bom senso e sabedoria que dispensa apresentações.

No instantâneo, todos dão gargalhadas no momento em que Bozo anuncia que fazia xixi na cama, até os 5 anos de idade. Pura empatia com essa figura lamentável que já postou no Twitter homens fazendo golden shower e que, em 100 dias, transformou o Brasil em um vexame internacional permanente.

Nem uma única pergunta sobre desgoverno, assassinato de Marielle, milícias, Queiroz, fuzis e vizinhos pistoleiros. Só risadas, platitudes e enrolação.

E como riram, as codornas.
Posted: 07 Apr 2019 06:21 AM PDT
Por Lu Sudré, no jornal Brasil de Fato:

Há quase um ano sem contato direto com o que acontece do lado de fora das paredes da Polícia Federal de Curitiba, em um silêncio forçado, Luiz Inácio Lula da Silva causa impacto na vida de muitos brasileiros. Aos 73 anos, o ex-presidente continua a despertar sentimentos e opiniões opostas.

De um lado, aqueles que reconhecem que grande parte da população foi beneficiada por suas políticas públicas. São os que sentiram na própria pele como as condições de vida melhoraram durante seus governos. Do outro, os que reproduzem um discurso de que Lula é um atraso para o país e, a todo custo, tentam manchar sua imagem. Tal dualidade é constante na vida política do ex-presidente, mas, sua importância na história do país é inegável. São diversos os motivos que fazem com que Lula não caia no esquecimento da população e não saia dos holofotes da mídia.

Campanhas, atos políticos, processos, investigações e falas públicas contundentes. Esse são os cenários geralmente associados a ele. Ao longo de sua trajetória, a imagem do homem que respira política na maioria das vezes sobressai a do Lula pai e avô. Mas, subjetividades, crenças e opiniões - pilares fundamentais na formação de todo o homem político - o fazem um ser humano como todos os outros.

Perdas inestimáveis
A primeira vez que apareceu em público após ser preso, foi para participar da cremação de seu neto, Arthur Lula da Silva, que morreu aos sete anos idade. Com base no artigo 120 da Lei de Execução Penal, o ex-presidente foi autorizado pela Justiça Federal a participar da cerimônia.

Por alguns segundos, entre o carro da Polícia Federal e a sala onde seu neto estava sendo cremado, apoiadores e jornalistas puderam vê-lo. Abatido, acenou rapidamente, sem esconder a dor de avô, que acabara de perder um de seus netos de forma tão trágica.

“Nunca vi meu pai tão triste desde que eu me entendo por gente. Nunca. Ele falou que não achava justo, que não era a ordem natural, que tinham pessoas mais velhas que poderiam ter ido, que ele não entendia… Disse para o Arthur que o esperasse no céu, que ele iria levar o diploma da inocência dele”, conta Lurian Lula da Silva, filha mais velha do ex-presidente, que pode ficar apenas 1h30 com sua família, em um momento de luto tão grande. “Não foi suficiente. Ele estava há quase um ano preso, longe da convivência familiar. Longe do dia a dia do neto”.

Além de ser privado de liberdade sem que o julgamento chegasse aos tribunais superiores do país, essa a terceira perda familiar em um curto período de tempo que Lula sofre. Em fevereiro de 2017, quase um ano após ser alvo de condução coercitiva determinada por Sérgio Moro, Marisa Letícia Lula da Silva, esposa do petista, morreu vítima de um AVC. Companheira de vida e de luta do ex-presidente por mais de 30 anos, militou ao lado de Lula desde meados dos anos 70 e encorajou outras mulheres a se juntarem ao movimento sindical.

Foi duramente atacada ao longo de sua trajetória por estar do mesmo lado da trincheira que Lula, o aconselhando e apoiando ao longo de seus dois governos. Costureira da primeira bandeira do PT, sua perda foi sentida por todos os militantes e apoiadores do partido, que carinhosamente a chamavam de "Dona Marisa", assim como Lula.

Em janeiro deste ano, Lula foi impedido de participar do velório de seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, de 79 anos, conhecido como Vavá, que morreu em decorrência de um câncer no pulmão.

“Ele resiste pelos que já foram e pelos que ficaram”, diz Lurian, que assume não saber de onde Lula continua tirando forças para lutar em defesa de sua liberdade e pelo resgaste de outro projeto de sociedade. O projeto que tirou o Brasil do mapa da fome, que inseriu pobres e negros na universidade e melhorou as condições de vida e trabalho no campo.

“Todo mundo fala: ‘Lurian, tenha força, porque ele é gigante’. De fato, ele é gigante. A cada cem anos surge um como ele, tanto quanto homem, quanto pai, quanto político. Ele é um cara que sobreviveu a tudo. Sobreviveu à miséria, à fome, ao preconceito, à perseguição, à ditadura. Ele tem uma coisa que acho que é muito da Família Silva, de tentar ter bom humor em algum momento de dor para poder resistir”, relata a primogênita.

Já Dilma Rousseff acredita que são justamente as violações e perseguições como as que ela e Lula enfrentam cotidianamente, que dão força para resistir. Torturada durante a ditadura militar brasileira, a ex-presidente argumenta que Lula também sofre uma forma de tortura, preso em uma solitária, longe do povo.

“O sofrimento, a injustiça e a tortura fazem, na verdade, crescer dentro de alguns de nós a vontade de lutar, sobreviver para dar a volta por cima e vencer os nossos algozes. Vencer não pela força, mas pela superioridade que mostramos ao ficar vivos, ao manter a espinha ereta, a mente lúcida e os nossos princípios fortalecidos pela certeza de que estamos do lado certo da história. É exatamente o caso de Lula”, pondera.

A ex-presidente acrescenta “Ele sabe que naquele cubículo em que foi jogado está acompanhado de milhões de brasileiras e brasileiros que o amam, gente que o admira e, também, gente que sabe que, neste momento histórico, sem ele, o país continuará se desfigurando”.

Origem nunca esquecida
De uma família de nove irmãos, Luiz Inácio passou pelas mesmas dificuldades que outras tantas crianças camponesas do semiárido nordestino. Nascido em outubro de 1945, no município de Caetés, no agreste pernambucano, a fome foi uma companhia constante em sua infância.

Na opinião de Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo Paraná (PT), as origens de Lula o tornaram o que é e lhe deram condições de resistir contra perseguições em toda sua trajetória política.

“Lula é o retrato mais bem acabado do povo brasileiro. Do homem simples, lutador, do trabalhador, daquele que luta para sobreviver. Justamente por ser assim, ter vindo da onde veio e chegado à presidência da República, soube o que fazer como presidente. Como ninguém, Lula sentiu a falta de oportunidade na vida. E seu governo foi um grande governo de oportunidades, por isso o povo melhorou, teve condições de prosperar.”

Quando falam sobre ele, muitas pessoas citam Dona Lindu, mãe do petista, que criou nove filhos pequenos sozinha e é sempre relembrada nas falas do ex-presidente. “A força [de Lula] vem de Dona Lindu. Ele sempre disse que ela dizia para ele: ‘Teima meu filho. Teima que dá certo’. E ele é um teimoso convicto. A força vem do povo, da confiança que ele tem de poder melhorar as coisas”, complementa Hoffmann.

Líder popular
As imagens históricas de Lula são sempre acompanhadas de muitas mãos, de muita gente, de muitos abraços. A comunicação com o povo é incontestável marca do ex-presidente. Preso, privado de contato com seus próprios familiares e da população, foi por meio de cartas e bilhetes que encontrou uma forma de se expressar sobre o que acontece no Brasil e continuar a defender seus posicionamentos.

“Sempre caminhou ao lado do povo”, afirma Paulo Okamotto, presidente do Instituto que leva o nome do ex-presidente. “Ele sabe que é uma pessoa muito querida pela população, que tem muito carinho dos trabalhadores, muito reconhecimento. E isso, para ele, é uma tranquilidade para enfrentar as adversidades que a vida apresenta. É o que tem mantido sua força”.

Okamotto também avalia que “os últimos anos foram de muita provação para Lula” e o define como um “profundo conhecedor do povo brasileiro”. “Quem conhece o Lula, quem de alguma forma já conversou com ele, viu como ele trata as pessoas, como ele se preocupa, realmente se apaixona porque ele é um político diferenciado. Faz política com P grande. O legado que Lula construiu e constrói é pela prática dele”, sustenta.

Destaque internacional
O legado do petista não reverbera apenas nas falas daqueles que trilharam ao seu lado. Os números mostram os feitos de seu governo: Em 2002, o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking global de economias medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) em dólar, segundo dados do Banco Mundial e FMI. Em 2011, um ano após Lula sair da presidência, chegou a ocupar a 6ª posição.

Após seus governos, a nota do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, que era de 0,649 no início dos anos 2000, chegou a 0,755. Entre 2003 e 2010, houve um aumento real de 80% no salário mínimo, além de programas de transferência de renda essenciais como o Bolsa Família. Hoje, consolidado como referência internacional, atende mais de 13,9 milhões de famílias, que recebem, em média, R$ 178. O coeficiente Gini, cálculo do Banco Mundial para medir o índice de desigualdade de renda, também apresentou melhora: passou de 58,6, em 2002, para 52,9, em 2013.

Dilma Rousseff ressalta que alcançar essa e outras marcas fez com que o Brasil chamasse atenção de potências mundiais. “Nos fortaleceu ao mostrar que nossos sonhos eram realizáveis. Deixou claro aos milhões de brasileiros, sempre excluídos do poder e vítimas da injustiça social, que era e é possível, e necessário, uma vida melhor para os mais pobres. E isto, sem violência e sem guerras. Demonstrou que a redução da desigualdade é um pré-requisito para a paz, a democracia e um efetivo desenvolvimento”, afirma a ex-presidente.

Para ela, Lula foi subestimado pela elite, que não aceitou como um retirante nordestino poderia ter uma capacidade de articulação política tão grande e ser aclamado pelo povo. “Eu tive a oportunidade e o orgulho de, por várias vezes, assistir ao reconhecimento da liderança de Lula, nos aplausos e nas entusiasmadas manifestações feitas nos encontros internacionais. Ao perceberem o tamanho de Lula, o desprezo das elites brasileiras se transmutou numa perigosa mistura de ódio e medo”.

São muitas as opiniões sobre ele. Mas até mesmo quem o critica não têm argumentos suficientes para negar que a história do Brasil se mistura, em muitos momentos, com a história de Lula. “Ele é filho de Dona Lindu. Ele teima, ele resiste, ele tem consciência que ele vai lutar até o fim e que ele só sai dali com a inocência dele”, garante Lurian Lula da Silva.
Posted: 07 Apr 2019 06:16 AM PDT
Por Mino Carta, na revista CartaCapital:

Nada de mais fácil entendimento do que a entrega do ministério da injustiça, com amplos poderes de investigar quaisquer cidadãos, a alguém que com a Justiça não tem o mais pálido achego. Em compensação Sérgio Moro e sua Lava Jato são os primeiros responsáveis pela desgraça que se abate sobre todos nós, cientes ou não. O prêmio a Moro dispensa explicação. Ninguém como este oportunista recalcado e provinciano, disposto a se atribuir alcances impensáveis e a mantê-los com o beneplácito de uma suprema corte de fancaria, foi tão eficaz para atingir o objetivo principal do golpe urdido desde antes do impeachment de Dilma Rousseff à sombra da inquisição curitibana: eliminar Luiz Inácio Lula da Silva do cenário político. A viagem do processo capaz de unir a tantos em nome desse denominador comum demora cerca de cinco anos para juntar passageiros díspares, de Eduardo Cunha a Michel Temer, dos chamados ministros do STF à mídia nativa, dos delatores acovardados a Antonio Palocci para nos conduzir à eleição de Jair Bolsonaro e sua turma tresloucada. Recheada também de generais entreguistas que por ora o mantêm na Presidência. Nisso tudo campeia Sérgio Moro.

Luigi Ferrajoli, jurista italiano respeitadíssimo mundo afora, inclusive no Brasil por quem entende das coisas, em novembro de 2017 escreveu em CartaCapital que, fôssemos um país democrático e civilizado, Moro teria sido removido das suas funções por desacato às regras mais elementares do processo justo. É peça impecável a mostrar como a politização da injustiça só pode acontecer nestas nossas infelizes latitudes. E tal é o ponto, o prego que volta e meia me ponho a percutir a bem da verdade factual.

É preciso entender que Bolsonaro não é neofascista, representa apenas a demência no poder, é seu intérprete, e talvez venha a ser sua vítima ao longo do vagaroso andar da história. Talvez? Corrijo, insuflado pela esperança: certamente será. Ele é a consequência de 519 anos de prepotências e desmandos e de um entrecho cujo primeiro motor é a Lava Jato. Bolsonaro é a aberração criada pelo constante ataque à Razão e à Lei, e nesta tarefa Sérgio Moro revelou-se imbatível. A já invocada verdade factual soletra que o inquisidor curitibano, secundado pelo pregador da cruzada Deltan Dallagnol, desde 2009 colocou-se à disposição de Washington, onde Lula, embora tivesse sido o “cara” de Obama, era considerado entrave fatal à devolução do Brasil ao quintal de Tio Sam. A política exterior independente não poderia ser do agrado estadunidense e os passos dados no campo social quem sabe abrissem os olhos de muitos ex-miseráveis.

Os lacaios dos EUA não se sabe exatamente o que ganham com a subserviência, mas conseguiram impedir uma nova vitória eleitoral do ex-presidente e, portanto, a volta integral a um projeto de governo do qual Dilma havia em boa parte se afastado. Impressa na minha memória a noite de 7 de abril do ano passado, quando Lula se entregou à PF, e o desfile sinistro dos carros pretos, como conviria a um enterro, a conduzir o ex-presidente ao primeiro paradeiro, antes de tomar o avião que o levaria a Curitiba. Enfim, a chegada ao telhado da PF curitibana, onde o aguardavam figuras desfocadas como fantasmas, prontas a acompanhá-lo escada abaixo até as entranhas do edifício.

Nada tão simbólico da ofensa a todo brasileiro consciente da cidadania, e dos que vivem no limbo, embora poucos se deem conta dela. Estamos, porém, no país da casa-grande e da senzala. E é por aí que se deve entender a presença impune dos canalhas que enchem a boca com a palavra pátria. Somente no Brasil a mídia em peso aplaude a prisão de Lula, somente no Brasil até agora faltou a manifestação fluvial de protesto e raiva, somente no Brasil quem se diz de esquerda não reagiu em proveito de uma automática e desassombrada união em torno do grande injustiçado. Consta, entretanto, que a celebrar um ano de infâmia está previsto um embate futebolístico, não se apurou se entre casados e solteiros, mas todos de declarada crença esquerdista, mesmo aqueles que no gramado atuam pela direita. E a torcida gritará gooooooool! Espero com todo o empenho e o máximo de fé, que outros eventos nas capitais do Brasil e do mundo programados para o domingo 7 ponham finalmente os pingos nos is.

Manifestações populares mais significativas deram-se no Carnaval, diria, contudo, mestre Ferrajoli: Carnevale ogni scherzo vale (Carnaval, toda brincadeira vale). Onde sobraram os beneficiados pelo governo Lula, sem contar o importante banqueiro que em junho de 2014 perguntava: “Mas por que Lula não tira Dilma do páreo e assume a candidatura?” Fica a constatação: o presidente que ao cabo de dois mandatos contava com 89% de aprovação está preso há um ano e, se depender da malta insana que pretende nos governar por obra de um regime antes demente que totalitário, vai apodrecer na cadeia.

O ex-presidente, constrangido no despojado espaço de 25 metros quadrados (banheiro incluso) que sequer admite janelas, mantém a altivez e a serenidade que lhe garantiram o respeito dos carcereiros. Já escrevi não saber se ele percebeu que mesmo dentro do seu PT há quem hoje o tenha como incômodo, e tampouco sei até onde o atormenta a ideia do tempo perdido, do vazio político, da insensibilidade das ruas. Aos meus olhos o metalúrgico que sentou no trono é figura shakespeariana obrigada a viver um enredo kafkiano ao despertar de um sonho efêmero de grandeza. Da areia movediça em que se move a política, a pasta da cordialidade brasileira, exalam maus humores para aturdir a plateia ignorante e por natureza velhaca. O verbo a ser conjugado é maneirar, o provérbio “deixa como está para ver como fica”. Lula tentou maneirar, mas nunca o bastante. Contrariou interesses graúdos quando impôs sua liderança e conquistou o favor popular. Paga por isso.

E paga o Brasil, incapaz de registrar a profunda ofensa recebida com a prisão de Lula, enquanto o conge de dona Rosângela ganha farto alimento para a sua devastadora vaidade. Já disse e repito: eu me sinto pessoal e gravemente golpeado entre o fígado e a alma.
Posted: 07 Apr 2019 06:09 AM PDT

A Feira da Reforma Agrária, que vinha se consolidando no calendário de maio da cidade de São Paulo, será adiada. De acordo com João Paulo Rodrigues, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), responsável pela feira, o governo Doria não liberou o Parque da Água Branca, na zona oeste da capital, para a quarta edição do evento, programada para os dias 2 a 7 do próximo mês. Com isso, a feira deverá ser realizada apenas em agosto.

"Eles alegam que o conselho do parque decidiu não liberar", disse João Paulo, lembrando que isso aconteceu também nas edições anteriores. "Nos demais anos, o conselho negou, mas não era deliberativo." Com o veto em cima da hora, não houve tempo hábil de encontrar outro lugares. "Os outros parques não têm agenda", lembrou o dirigente do MST.

O movimento está negociando com a prefeitura da capital para definir o local da feira, com data prevista agora para 1º a 4 de agosto. Um das possibilidades é o Anhembi. "Vamos organizar para que seja mais bonito, maior e com mais variedade de produtos", afirmou João Paulo.

Além da feira em si, o evento do MST oferece debates e apresentações artísticas, além de uma praça de alimentação com pratos típicos de todas as regiões. No ano passado, aproximadamente 260 mil pessoas passaram pelo parque, e o comércio movimentou 420 toneladas de 1.500 produtos.
Posted: 07 Apr 2019 05:58 AM PDT
Por Luiz Inácio Lula da Silva, no Blog do Renato:

Faz um ano que estou preso injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer. Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.

O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.

Hoje está claro que a minha condenação foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.

O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.

Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.

O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.

O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas. Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros. Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais.

Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno.

Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições. Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos.

Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição.

Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.

Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.

Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha.

Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.

* Luiz Inácio Lula da Silva - ex-presidente da República (2003-2010). Artigo originalmente publicado na Folha de S. Paulo.
Posted: 07 Apr 2019 05:52 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A provável demissão de Ricardo Vélez seria um episódio de importância crucial num governo bem constituído, preocupado com as questões relevantes do país.

A verdade é que, em três meses de gestão, pudemos aprender que a Educação está longe de ocupar o lugar merecido em qualquer governo brasileiro.

Como a própria nomeação de Vélez deixou claro, sua função, no Planalto de nossos dias, é funcionar como um aparelho ideológico para o padrinho, Olavo de Carvalho. A Educação, aqui, era e continuará sendo um ministério de valor zero enquanto sua função for alimentar as lutas estúpidas do bruxo da Virgínia.

A crise que envolve o governo Bolsonaro é grave porque atinge os pontos nevrálgicos do governo. A reação descontrolada do ministro da Economia quando participou do primeiro - sim, apenas o primeiro - debate sobre a Previdência no Senado mostra que Paulo Guedes sentiu o golpe. A reação "tchutchuka é a mãe" é apenas um sintoma de que o principal pilar de sustentação de Bolsonaro já apresenta rachaduras importantes.

Até a Arko Advice, consultoria política liderada por Murilo de Aragão - citado como candidato a embaixador em Washington - e profunda conhecedora dos humores do plenário, reconhece que o governo está perdendo força na instituição que tem direito de aprovar a reforma - ou amassar a papelada e mandar para o lixo. Num levantamento recente, a Arko disse que a reforma tinha apoio de 69% dos parlamentares. Agora, está em 56% - patamar insuficiente para ser aprovada.

Demonstrando que já tem consciência da situação, num café da manhã com jornalistas Bolsonaro admitiu abandonar a ideia-rainha da reforma - capitalização individual, que o ministro trouxe do Chile de Pinochet, que conheceu quando era um jovem discípulo do monetarismo de Chicago importado pela mais violenta ditadura da América do Sul.

"Se tiver reação grande, tira da proposta", admitiu Bolsonaro, numa ameaça que, se for levada adiante, implicará em privar o mercado financeiro de sua grande promessa de campanha, deixando o Planalto pendurado no ar.

Quando Bolsonaro prepara-se para completar 100 dias em Palácio, acumulam-se sinais de que ele escolheu o lugar errado para amarrar seu governo.

Invenção de Paulo Guedes, o posto Ipiranga dos bons tempos, a reforma da Previdência pode ser uma grande ideia para engordar os lucros do patamar superior da pirâmide - mas está se transformando no pesadelo para o governo na medida em que a população começa a tomar consciência da armadilha que está sendo preparada.

A experiência democrática recente do país ensina que nenhum governo conseguiu manter-se na cadeira sem unificar a maioria dos brasileiros e brasileiras em torno de causas necessárias, que a população compreende a apoia. Foi com a inflação zero que Fernando Henrique virou uma eleição e permaneceu oito anos num cargo que parecia cientificamente perdida de seis meses antes de iniciar a campanha.

Ao manter a coerência de quem se elegeu para combater a miséria Lula garantiu a reeleição e teve fôlego para fazer a sucessora - ajudando também nas duas eleições de Dilma.

Eixo principal do governo Bolsonaro, a reforma da Previdência está longe de cumprir a função política de unir o país. Divide, para dizer o mínimo, numa rejeição que cresce na medida em que a população toma consciência das barbaridades que estão sendo preparadas as suas costas.

Num levantamento recente, o instituto Ideias Big Data mostra que Bolsonaro perdeu 15 milhões de votos desde a posse. Basta recordar que ele venceu Fernando Haddad por uma diferença de 10,7 milhões de votos para compreender uma verdade fantástica. Se a eleição fosse hoje, Bolsonaro poderia ter sido derrotado.

Estamos falando de estatísticas, projeções, estimativas. Mas esta é a gravidade da crise.

Alguma dúvida?
Posted: 07 Apr 2019 05:41 AM PDT
Posted: 07 Apr 2019 05:39 AM PDT
Por Gustavo Noronha, no site Carta Maior: 

A operação Lava Jato e suas diversas fases desvendaram grandes casos de corrupção no Brasil e se tornaram um fetiche nacional. Um dos pontos mais curiosos é que sendo ao mesmo tempo Brasil rota do tráfico internacional de drogas e grande mercado consumidor de drogas (o que também torna o país importante destino do tráfico internacional de armas), todos os desdobramentos desta operação que tem seu nome derivado da descoberta de uma grande lavanderia de dinheiro só tenha tido novas fases relacionadas apenas à corrupção política.

Olhar a Lava Jato hoje com todos seus desdobramentos dá uma impressão de que é mais uma operação de desconstrução do Estado Brasileiro do que propriamente de combate ao crime nesse país. A prisão de Lula, independentemente do que acha o caro leitor sobre a culpa ou inocência do ex-presidente da República, carece nitidamente de provas e se sustenta em delações feitas sob coação como a do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que foi diversas vezes negada e só foi aceita quando finalmente incluiu o líder petista. O desenrolar deste enredo é conhecido, o juiz que condenou Lula virou ministro do presidente que só foi eleito porque Lula não pôde disputar as eleições em consequência da condenação imposta por este juiz.

A Lava Jato se tornou uma ideia. Tanto que uma das medidas anunciadas pelo governo Bolsonaro foi a Lava Jato da educação. No lugar de adotar medidas concretas contra o subfinanciamento crônico das políticas sociais, o atual governo brasileiro prefere a criminalização destas políticas. O desmonte do Estado Brasileiro da Lava Jato enquanto ideia, já provocou a morte do reitor Cancellier da UFSC, uma devassa na UFMG com a abusiva condução coercitiva de diversos profissionais e logo antes do carnaval chegou à UFRJ com a condenação do ex-reitor Carlos Levi e outros gestores da universidade e de sua fundação de apoio.

O caso da UFRJ ilustra bem a lógica do desmonte do Estado Brasileiro que vem sendo promovida pela ideia da Lava Jato. As autoridades judiciais do Rio consideraram que seria crime o pagamento de taxa de administração de 5% à Fundação Universitária José Bonifácio de cerca de R$ 40 milhões doados pelo Banco do Brasil à UFRJ. O primeiro absurdo é que os pagamentos ocorreram entre 2007 e 2010 e Levi, o reitor condenado, ocupou o cargo entre 2011 e 2015.

O segundo e maior absurdo é que a lógica do subfinanciamento crônico obriga as universidades a captarem recursos fora do orçamento da União e para isso utilizam as fundações de apoio para receber tais verbas, porque se fossem depositadas para a União desapareceriam no bolo do orçamento geral. Ademais, a prática adotada pela UFRJ é comum a todas as universidades que possuem Fundações de Apoio justamente para garantir a gestão dos recursos extra-orçamentários de maneira ágil, eficiente e transparente. Tratar o ordinário e regular como criminoso é uma estratégia que busca criminalizar a gestão pública, colocar na defensiva qualquer um que assuma um cargo de gestão e servir de linha auxiliar ao desmonte do Estado Brasileiro.

A ideia Lava Jato se manifesta também na suposta caixa-preta do BNDES. Alvo de mais uma das infinitas operações da Polícia Federal, no caso do BNDES Operação Bullish (mas bem que poderia ser chamada de operação Bullshit, pois só trata de bobagens de blogueiros histéricos), busca-se criminalizar a atividade do Banco para talvez, quem sabe, justificar seu desmonte. Na verdade, em qualquer análise mais detalhada percebe-se que os sistemas internos de controle do banco são mais que suficientes para garantir a regularidade das operações. Há na realidade um ataque ao Banco enquanto instituição, não uma busca por uma real apuração de malfeitos.[ii]

Na verdade, a Lava Jato enquanto ideia pode ser resumida na frase do presidente Jair Bolsonaro: “O Brasil não é um terreno aberto onde nós iremos construir coisas para o nosso povo. Nós temos que desconstruir muita coisa”. É a desconstrução do Brasil! Nesse sentido que deve ser entendida a reforma da previdência, sob a justificativa de atacar privilégios preserva os três únicos setores privilegiados depois das inúmeras reformas: os militares, o judiciário e o legislativo.

A proposta de reforma da previdência usa inclusive da chantagem, sem qualquer embasamento econômico, de que não haveria recursos para pagar os servidores públicos em 2020 sem reforma. Além de partir do pressuposto errado de que há um problema fiscal, governos monetariamente soberanos não têm restrição fiscal, apenas restrições econômicas. E estas não se aplicam ao Brasil de hoje, que possui grandes reservas internacionais e é um dos 10 maiores países do mundo em PIB, população e território simultaneamente. Em realidade, a discussão da previdência é toda baseada em falsos pressupostos.[iii]

Talvez a reforma da previdência seja derrotada, mas o ministro Paulo Guedes já sinalizou o plano B: a desvinculação dos orçamentos da saúde e educação. O problema não está na desvinculação em si, se esta fosse substituída por pisos elevados de gastos para estas áreas poderia até ser benéfica. Todavia, as vinculações hoje funcionam exatamente como um piso de gastos e seu fim busca rebaixar esse piso e sacramentar a desconstrução do Estado.

A Lava Jato enquanto ideia também tem afetado nossas relações internacionais. Sob o argumento de uma “despetização” ou desideologização das relações internacionais, nunca antes as relações exteriores do Brasil estiveram tão ideologizadas. A Lava Jato supostamente combate privilégios e nada mais natural para essa ideia que o Brasil abrir mão de seus status de país em desenvolvimento na OMC, afinal é um privilégio. Os privilégios são típicos de ditaduras e, em vez de sermos mediadores da crise venezuelana, vamos entrar em guerra com a Venezuela para acabar com os privilégios da ditadura venezuelana.

No entanto, a ideia central da Lava Jato tampouco são os privilégios, mas uma relação subalterna e vassala em relação aos EUA. Talvez por isso tantos analistas afirmem que a operação é comanda a partir de Washington (ou seria de Langley, Virgínia?). É uma operação de desconstrução do Brasil. Se o golpe foi a derrota do Brasil numa guerra híbrida, agora os vencedores vieram recolher os espólios. Há que se organizar a resistência, para ontem.

Post scriptum: Não somos contra o combate à corrupção, mas há maneiras de fazer sem destruir um país. Um exemplo são as empreiteiras que foram destruídas pela operação, sua estatização (ainda que temporária), ao invés da imposição de multas e suspensão de contratos que teriam um impacto muito menor na economia que a forma como foi conduzido o processo. Outros exemplos poderiam ser dados, mas parece que a Lava Jato, desde seu início, optou pela destruição do país, tanto que a operação de lavagem de dinheiro ignorou os outros crimes e se restringiu à corrupção. O fundo bilionário que os procuradores da Lava Jato tentaram construir com o dinheiro da Petrobras também coloca em dúvida a honestidade daqueles que, em tese, deveriam promover a justiça.

Notas

i- Mais detalhes ver Nota da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED), disponível em <http://brasildebate.com.br/economistas-denunciam-perseguicao-judicial-na-universidade/>

ii- Maiores informações sobre os ataques ao BNDES podem ser encontrados na página da Associação de Funcionários do BNDES. Solidariedade e compromisso com a verdade, disponível em <http://www.afbndes.org.br/vinc1337/acontece.htm>. Compliance strikes back?, disponível em <http://www.afbndes.org.br/vinc1337/editorial.htm>.

iii- Se quiser entender a argumentação do autor sobre a reforma da previdência, ver Previdência para além do déficit, disponível em <http://brasildebate.com.br/previdencia-para-alem-do-deficit/>.

* Gustavo Noronha é economista do Incra e colunista do Brasil Debate. Publicado originalmente no Brasil Debate.
Posted: 07 Apr 2019 05:31 AM PDT
Posted: 07 Apr 2019 05:27 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Como sabe quem acompanha suas colunas, Miriam Leitão é, desde o golpe de 2016, a “rainha da retomada da economia”, sempre achando que a fórmula que nunca deu certo daqui a algum tempo trará de volta o progresso.

Portanto, quando ela diz que os sinais de alarme se acendem na atividade econômica, sinal que a coisa é séria.

Ela dedica sua coluna de hoje aos “sinais nada animadores” do comércio exterior brasileiro. Fala da queda das exportações de manufaturados e de commodities minerais. Que nem consideram, ainda, os desastres que a diplomacia bolsonaro-olavista ameaça nos causar.

Para tirar o “efeito carnaval” de março, a comparação é assim: nos três primeiros meses deste ano, as exportações somaram US$ 53,026 bilhões, 3% menos que na comparação com o mesmo período do ano passado). As importações foram de US$ 42,138 bilhões, queda de 0,7% em relação ao mesmo período de 2018.

E 2018 não foi, como se sabe, “nenhuma Brastemp”.

Prenda-se menos ao saldo e pense que isso é retração da atividade econômica e mais ainda porque a queda nas exportações está concentrada em produtos manufaturados, que têm maior repercussão no emprego e na renda da população.

E isso porque a atividade econômica mundial não cumpriu, por enquanto, as ameaças de desabar.
Posted: 07 Apr 2019 05:20 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

O segundo golpe político dado contra o PT e contra o Brasil desde 2016, o golpe da prisão do ex-presidente Lula, chega a 365 dias. Um ano inteirinho desde que, não um homem, mas um projeto político e social foi encarcerado. Lula não foi preso pela lei e pela Justiça; foi preso pela política. A Justiça fez o que a política queria. Para libertar Lula, portanto, a política terá que dar a ordem à Justiça.

O dia 7 de abril já é uma data histórica no Brasil; marca o dia em que o único presidente que melhorou de fato a vida do povo foi encarcerado não por seus crimes, como pretendem seus algozes; não por vingança da elite contra ele, como pensam alguns… Lula foi preso como um aviso à classe política e ao Judiciário.

Pensemos: qual é o recado histórico que é passado a todo homem público quando você pune com perda da liberdade o único presidente da República que promoveu uma inversão na distribuição de renda e de oportunidades que vigia neste país desde sempre até que ele chegou ao poder?

Não precisa ser muito inteligente para entender que o recado que fica é para que todo homem público, sobretudo os governantes, nunca priorizem os mais pobres, nunca os coloque em universidades, nunca os coloque na poltrona ao lado da do rico em aviões, nunca lhes permita morar na mesma rua que os mais ricos ou frequentar os mesmos restaurantes e lojas que eles.

Lula, é óbvio para qualquer um que tenha estudado seu processo, não foi preso por crimes, foi preso por ter feito tudo que a elite branca não queria ao melhorar a vida do povo ao ponto de os filhos da pobreza poderem disputar oportunidades em condições de igualdade com os filhos da riqueza. A política levou Lula à prisão e será a política que libertará Lula da prisão, portanto.

Para que Lula seja libertado, há que vencer a guerra política em curso no Brasil. Vencer nas urnas. E é possível.

Ou melhor, será possível quando a sociedade terminar o processo que todas as pesquisas mostram que está iniciando, o processo de entendimento de que a eleição de Jair Bolsonaro como presidente e da ultradireita como maioria no Congresso, foi um erro terrível. Um erro que novas eleições – nem que seja daqui a quatro anos – irão corrigir. É só esperar.

A versão em vídeo desta matéria termina com a saída apoteótica de Lula da vida pública rumo ao cárcere. Ou seja: nos braços do povo. E é assim que ele deixará o cárcere: também nos braços do povo, em apoteose como no dia de sua prisão. Vamos rever o momento histórico dos últimos momentos de Lula antes da prisão… Enquanto esperamos sua libertação.
Posted: 07 Apr 2019 05:08 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

O relatório do Banco Mundial divulgado quinta-feira (4) mostrando que a pobreza aumentou no Brasil entre 2014 e 2017, atingindo 21% da população (43,5 milhões de pessoas), é uma espécie de atestado de que a fórmula econômica dos golpistas e da extrema direita vitoriosa nas eleições de 2018 é um atentado ao povo. É a conhecida receita neoliberal, apresentada ao mundo como milagrosa pelos governos de Margareth Thatcher (Inglaterra) e Ronald Reagan (Estados Unidos) nas décadas de 1970 e 1980, a pregação radical de que as “forças de mercado” substituiriam com sucesso a “vontade dos governos”.

A essa ideia somou-se outra: a de que os países menos desenvolvidos devem afrouxar os controles para a circulação de capitais em suas fronteiras. Essa tese serviu a ideologias que veem a história, de agora em diante, como imutável. Para elas, só resta o caminho da conformação entre ricos e pobres, um pensamento que descarta qualquer possibilidade de uma organização social mais racional e equitativa.

Descarta com mais ênfase ainda uma intervenção do Estado para equalizar a produção e a distribuição de riquezas, um princípio particularmente importante em países com muitas pessoas pobres, como é o caso do Brasil. Esses números do Banco Mundial são a ponta do iceberg — se prevalecer a orientação do ministro da Economia, Paulo Guedes, de radicalizar a aplicação do receituário neoliberal, como é o caso da proposta de “reforma” da Previdência Social, essa tendência tende a se agravar rapidamente.

Nessa equação, o crescimento econômico é o denominador comum. Para reduzir a pobreza, a primeira questão é a elevação da renda per capita. Mas nesse conceito tem de haver a ideia da distribuição de renda. Crescimento não é igual a desenvolvimento. Entre o final dos anos 1960 e o início da década de 1980, o Brasil cresceu a taxas anuais superiores a 8%. Nem por isso as desigualdades de renda diminuíram na mesma proporção. A riqueza produzida precisa ser melhor distribuída, por meio de investimentos sociais e em infraestrutura, além de elevar a renda de modo equânime.

Há algum tempo, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgou um cálculo ilustrativo. Se o crescimento da produtividade (mais valor por um determinado tempo de trabalho) for igual a zero, as economias da região precisariam crescer a uma taxa anual de 2,1%, apenas para evitar aumento do desemprego. Se a produtividade crescer no ritmo de 3,7% ao ano (média do período 1950/1973), então o Produto Interno Bruto (PIB) precisaria variar 5,8% ao ano. Como a produtividade tende a crescer, é claro que o crescimento do PIB precisa ser ainda maior, apenas para não criar mais desempregados.

O Brasil tem potencial para elevar tanto a produtividade quanto a produção. Países desenvolvidos já possuem usinas de energia, estradas e outras infraestruturas. Nesses casos, o crescimento tende a ser naturalmente mais lento. Mas no Brasil ainda há muito o que fazer. O país precisa, desesperadamente, de melhorias. Como diz o estudo da Cepal, os países latino-americanos deveriam reforçar a sua presença internacional e reduzir a dependência das exportações de produtos básicos. Essa reflexão faz parte do pensamento progressista latino-americano que há tempos discute os obstáculos impostos à industrialização da região.

Outra questão importante são os termos do intercâmbio com as potências econômicas, como a Europa e os Estados Unidos. No Brasil, esse desafio é histórico. O país desenvolveu um extenso programa de substituição de importações, modernizou seu parque industrial, mas manteve largos segmentos da população inteiramente à margem do processo produtivo, sem acesso às benesses do crescimento. Com poucos governos de visão social, o Estado esteve por muito tempo ausente não apenas da tarefa de distribuir renda, mas também da de inserir toda a sociedade na dinâmica produtiva.

Prevaleceu, na história, a máxima de que a máquina pública deve contemplar interesses de minorias privilegiadas nas relações econômicas, traduzidos no assédio institucionalizado desses setores dominantes às instâncias de decisão, o decantado vício histórico do patrimonialismo em que o interesse público ser torna refém de benesses privadas. A proposta de “reforma” da Previdência Social é um clássico do gênero.

O pouco tempo de recuperação da capacidade do Estado para que ele começasse a cumprir o seu papel de universalizar os serviços públicos, estendendo a cidadania a todos, nos governos dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, deu resultados inegavelmente positivos nesse sentido.
Posted: 07 Apr 2019 05:03 AM PDT
Por Altamiro Borges

A situação de Ricardo Vélez Rodríguez, o colombiano adulterado que paralisou totalmente o Ministério da Educação com suas atitudes fascistas, complicou-se de vez. Até o seu mentor intelectual, Olavo de Carvalho, decidiu defecá-lo. Após a sinalização do “capetão” Jair Bolsonaro de que vai exonerar o “sinistro” incompetente na próxima segunda-feira (8), o astrólogo de Virgínia postou em seu perfil no Facebook que não irá lamentar o melancólico fim do seu pupilo:

"Conheci o Prof. Vélez por seus livros sobre a história do pensamento brasileiro, publicados mais de vinte anos atrás. Nunca tomei conhecimento das suas obscenas tucanadas e clintonadas, que teriam me prevenido contra seu comportamento traiçoeiro... Não vou fazer nada contra ele, mas garanto que não vou lamentar se o botarem para fora do ministério".

A punhalada do “mestre” Olavo de Carvalho é mais um duro golpe no sujeito medíocre que foi alçado a um posto de relevo no laranjal de Jair Bolsonaro. Ele já havia sido rejeitado pelas seitas fundamentalistas, sendo rotulado de “maçã bichada” por um líder da Bancada da Bíblia na Câmara Federal. O puxa-saco também não contava com a simpatia dos generais rancorosos que hoje ocupam quase metade do ministério bolsonariano. Na semana passada, tentando se manter no poder desesperadamente, o “ministro” da Educação até vazou que iria alterar os livros escolares para bajular o golpe de 1964 e a ditadura militar.

O anúncio só incomodou os milicos, que já temem o desgaste causado pelo ingresso no bordel do “capetão”. Segundo matéria publicada na Folha na quinta-feira (4), “numa ironia, a defesa feita pelo ministro de que os livros escolares precisam ensinar que 1964 não registrou um golpe irritou a cúpula militar e pode ser a gota d´água no seu processo de fritura. A Folha apurou que integrantes da ativa e do núcleo militar do governo Jair Bolsonaro acreditam que a afirmação feita na quarta-feira (3) pelo ministro Ricardo Vélez sobre a narrativa histórica do golpe é apenas uma tentativa dele para manter-se no cargo. Eles farão chegar ao presidente Jair Bolsonaro que a paciência com o ministro acabou”.

O colombiano só era mantido no cargo por teimosia do cara que agora reconhece sua incompetência e confessa que “não nasci para ser presidente”. Jair Bolsonaro e seus três filhos acataram a indicação do astrólogo Olavo de Carvalho para o ministro da Educação. Agora, porém, todos tentam se afastar do defecado – que passou por um cruel processo de fritura nos últimos dias e, mesmo assim, garante que não entregará o cargo. Além de incompetente, o sujeito é patético!
Posted: 06 Apr 2019 02:31 PM PDT
Por Altamiro Borges

Na avalanche de fake news que estimulam o ódio nas redes sociais, o bolsonarismo não conta apenas com milicianos de carne e osso. Como já se suspeitava, boa parte das postagens criminosas é disparada por “robôs”. Isto acaba de ser comprovado por um estudo feito pela Universidade de Indiana (EUA). O que não se sabe ainda é quem banca esse lixo virtual. Uma averiguação mais rigorosa até poderia resultar em processos judiciais e na prisão dos financiadores desses crimes. Mas é bom não nutrir ilusões. Nas eleições do ano passado, empresários picaretas – como os donos da Riachuelo e da Havan – financiaram disparos milionários e ilegais no WhatsApp em favor do presidenciável fascista do PSL. Mas nada foi feito até hoje contra esses jagunços virtuais.

A pesquisa da Universidade de Indiana usou um detector de robôs na internet batizado de Botmeter. Ele identificou 4.900 robôs entre os 30 mil seguidores do presidente Jair Bolsonaro mais assíduos nas redes sociais. Segundo reportagem da revista Veja, entre os robôs bolsonaristas mais assíduos está o perfil @maring69423516. "Em um prazo um pouco mais largo, entre os dias 21 e 29 de março, a fúria digitadora de dona Mariângela seguiu forte e ela foi responsável pela maior quantidade de posts contendo as hashtags de apoio ao presidente que chegaram aos assuntos mais comentados nas redes no período”.

A revista cita outros perfis falsos. “A #aimprensamente, a campeã, mencionada mais de 27,7 mil vezes no Twitter, seguida por #bolsonarotemrazao e #somostodosallan (em referência ao ativista Allan dos Santos, do site Terça Livre), respectivamente com 12,4 mil e 10,3 mil menções. Depois de passar incólume por vários ‘exames’ virtuais, na última semana determinou-se que Mariângela é literalmente uma máquina: o nome virtual @mariang69423516 foi classificado como robô pelo Botmeter, um detector de bots desenvolvido pela Universidade de Indiana”.

Diante da comprovação, novamente as perguntas: Quem financia esses disparos? Quem banca os robôs bolsonaristas?
Posted: 06 Apr 2019 02:08 PM PDT
Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

“Acompanhar a política brasileira é tão legal quanto passear num lixão atômico (…) Além do empobrecimento material, a contaminação envenena a cultura. Cinema, música, literatura e artes plásticas andam entorpecidos. Silêncio e renúncia são subprodutos da ruína atômica que Brasília erige” (Mario Sergio Conti, na Folha).

Foi tudo muito rápido.

Num outro sábado, um ano atrás, Lula era carregado pela multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde tudo começou.

No mesmo dia, foi levado pela Polícia Federal para a cadeia de Sergio Moro em Curitiba.

Hoje, caminhamos sobre os escombros da ruína atômica do bolsonarismo, que em apenas três meses vilipendiou, prostituiu e destruiu o país.

Em menos de 100 dias, a boçalidade da nova ordem transformou o Brasil numa republiqueta de bananas.

Cumprida sua missão de condenar e tirar Lula da campanha eleitoral, Moro virou ministro da Justiça do capitão Bolsonaro e seus generais, eleito por 57 milhões de bolsonarinhos.

Voltamos ao Mapa da Fome, somos ridicularizados mundo afora, 17 milhões voltaram para a extrema miséria, o desemprego galopa e tchutchucas ultraliberais só falam em acabar com a Previdência Social.

Educação e Cultura estão em colapso, a Amazônia e o pré-sal vão sendo rifados, as estradas foram abandonadas, as conquistas sociais dos últimos anos estão sendo detonadas uma a uma, sem piedade.

Nulidades e figuras exóticas tomaram conta do Palácio do Planalto e da Esplanada dos Ministérios, a violência ficou fora de qualquer controle.

Confinado numa cela solitária da carceragem da Polícia Federal e proibido pelo STF até de dar entrevistas, Lula resiste a tudo e continua lutando, em todas as instâncias da Justiça, por seus direitos básicos de cidadania.

Pensar que apenas um ano atrás o Brasil voltava a ter esperança nas eleições, com Lula, mesmo condenado sem provas e preso, liderando todas as pesquisas, registrando o dobro das intenções de voto no capitão.

Quarenta anos atrás, eu também tinha muita esperança quando fui escalado por Mino Carta para seguir esse tal de Lula, a nova liderança que surgia nas lutas dos metalúrgicos do ABC.

A primeira vez que vi a cara dele foi na capa da revista IstoÉ, dirigida pelo Mino, que me foi enviada à Alemanha onde eu era correspondente do Jornal do Brasil.

“Presta muita atenção neste cara porque você ainda vai ouvir falar muito dele quando voltar ao Brasil”, escreveu o profético amigo num bilhete.

Só não poderia imaginar que minha vida, e a do país, ficariam tão embicadas com a dele, depois que nos tornamos amigos nas históricas greves dos metalúrgicos.

Por isso, não me conformo até hoje em ver Lula preso, logo ele que nunca ligou nem falava de dinheiro, não tinha ambições materiais e só vivia para a política.

Como assessor de imprensa em três campanhas eleitorais, disputadas em dois turnos, dei várias voltas pelo Brasil ao lado do candidato e nunca vi nada que o desabonasse.

Depois, quando venceu em 2002, fui com ele para Brasília como Secretário de Imprensa da Presidência, passamos muitos fins de semana juntos, no Alvorada e no Torto, e quando fui embora, dois anos depois, Lula até chorou no discurso de despedida. Eu também.

Nossas famílias ficaram muito amigas, mas após ele deixar o governo nos vimos poucas vezes.

Por não ter mais condições de viajar, ainda não pude visitá-lo na prisão. Não é difícil imaginar o que está passando, logo ele que passou a vida toda cercado de gente e falando sem parar.

Passou apenas um ano desde que nos despedimos no sindicato, na véspera da sua prisão e, no entanto, parece uma eternidade pelo tanto que nosso país já mudou.

O estrangeiro que tivesse visitado o país durante seu governo e voltasse agora não iria mais reconhecer o Brasil e seu povo.

Junto com Lula, prenderam nossos sonhos, o orgulho de sermos brasileiros, a alegria de viver e de ter esperanças num futuro melhor.

Como é possível tratar como coisa normal, parte da paisagem, o encarceramento do melhor presidente que nosso país já teve, segundo todas as pesquisas?

Sem poder receber visitar nos fins de semana, Lula vai amargar sozinho neste domingo o primeiro ano da enorme injustiça que se comete com um dos maiores líderes mundiais do seu tempo.

Não prenderam só o meu amigo, mas o líder de milhões de brasileiros que saíram da pobreza e da miséria e viraram cidadãos nos seus oito anos de governo.

Foi esse o seu grande crime.

Passamos a ser respeitados ao viajar para fora, o Brasil era um dos países mais admirados do mundo, tinham até inveja da nossa forma de viver.

Acompanhei Lula em 26 viagens ao exterior e sou testemunha da forma carinhosa e respeitosa como era recebido em todos os lugares, nas ruas e nos palácios, contando orgulhoso as profundas transformações que estavam acontecendo no Brasil.

Viraram o país de cabeça para baixo, tuitando adoidados, passando por cima de direitos, exterminando a sociedade civilizada que aqui foi construída.

Nenhum inimigo estrangeiro, que não temos, seria capaz de fazer tanto estrago em tão pouco tempo.

Vou parando por aqui porque para mim é muito sofrido escrever este texto sobre o que foi e é agora o Brasil, sobre o que já fomos e o que somos hoje.

Valeu, velho amigo Lula. Muita força nessa hora.

Por mais escura que seja a noite, uma hora há de clarear o dia.

Vida que segue.

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19/6 - Greenwald e o depoimento de Moro. “Ele disse pouco”

FONTE: http://www.tijolaco.net/blog/greenwald-e-o-depoimento-de-moro-ele-disso-pouco/ Greenwald e o depoimento de Moro. “Ele disse pouco...