30/5 - “Lá em cima eles não querem que eu fale”: família de Michelle Bolsonaro mora na região onde atuava o tio miliciano preso

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“Lá em cima eles não querem que eu fale”: família de Michelle Bolsonaro mora na região onde atuava o tio miliciano preso

 





Aparecida, avó de Michelle Bolsonaro, na favela onde mora no DF (FOTO: Cristiano Mariz/VEJA)

A primeira dama saiu de cena desde a revelação dos depósitos de Fabrício Queiroz em sua conta.
O marido alegou que os R$ 24 mil eram pagamento de um empréstimo, mas não colou para o Ministério Público.
A quebra de sigilo do ex-assessor de Flávio Bolsonaro vai trazer muito lixo à tona e Michelle vai aparecer na maré.
Era inevitável que os esquemas da turma aparecessem com a ascensão ao poder, mas eles estão surgindo avassaladores na mesma velocidade com que a credibilidade e a economia do governo desabam.
Tudo indica que aquela arrogância de Michelle, que gostava de desfilar com camiseta estampando a frase rude da juíza Hardt a Lula (“Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”), deu lugar à preocupação.
Tem razão para isso.
São muitas coincidências em sua vida.
Um dos sete PMs presos na quarta-feira, dia 29, integrantes de uma milícia que atuava na área da favela do Sol Nascente, em Ceilândia, é seu tio.
O primeiro sargento João Batista Firmo Ferreira foi em cana na Operação Horus, que investiga crimes de loteamento irregular do solo, extorsão e homicídios relacionados à grilagem de terras.
Ferreira é irmão de Maria das Graças, mãe de Michelle.
Todos eles são lotados ou atuaram nos batalhões responsáveis pela região.
A família dela mora lá. Ela é nascida e criada em Ceilândia.
É certo que ninguém deve ser responsabilizado pelos crimes de parentes — a não ser que se prove uma ligação, evidentemente.
Há muitas pontas desamarradas na história de Michelle, porém, que não casam com o papel de santa padroeira evangélica dos surdos-mudos.
Tio João operava na comunidade onde vive sua mãe, avó de Michelle, Maria Aparecida Firmo Ferreira, que virou notícia recentemente.
Aos 79 anos, cardíaca, parkinsoniana, mora num casebre e cuida do filho deficiente auditivo, relatou a Veja.
Anda com o auxílio de muletas.
Tem como companhia a filha Maria de Fátima Firmo Ferreira, tia de Michelle. Nenhuma delas foi convidada para a posse. Nem a mãe Maria das Graças.
A Veja contou que Maria Aparecida não queria conversa a reportagem.
“Lá em cima eles não querem que eu fale”, afirmou.
Perguntada a respeito de a quem se referia, respondeu: “Michelle. Meu filho mais velho disse que se me sequestrarem a ordem é não pagar o resgate e, aí, vão me matar”.
O que mais a velha senhora sabe?
Michelle, os Ferreiras, Queiroz e os milicianos sabem que em boca fechada não entra mosca.

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