13/6 - Triplex: Moro antecipou a Dallagnol decisão que seria tomada pela Justiça de SP

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Triplex: Moro antecipou a Dallagnol decisão que seria tomada pela Justiça de SP

 
Juiz Sérgio Moro(foto: Nelson Almeida/AFP)
PUBLICADO NO GGN
Em uma das conversas privadas com Deltan Dallagnol no Telegram, Sergio Moro antecipou uma decisão que seria tomada no dia seguinte por uma juíza de São Paulo. Na pauta: Lula e o apartamento no Guarujá.
Em 13 de março de 2016, Moro escreveu a Dallagnol: “Nobre, isso não pode vazar, mas é bastante provável que a ação penal de SP seja declinada para cá [Curitiba] se o LL não virar ministro antes.” Dallagnol respondeu: “Ok. Obrigada.”
No dia seguinte, 14 de março, uma segunda-feira, o Estadão noticiou, por volta das 15h, que a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, de São Paulo, dividiu o caso Bancoop, apresentado pelos procuradores paulistas, e transferiu para a 13ª Vara Federal de Curitiba os trechos que citavam Lula e o apartamento no Guarujá. O despacho divulgado pelo Estadão não contém data, mas o jornal afirma que a decisão foi tomada no dia 14.
O Ministério Público de São Paulo havia denunciado Lula, Marisa Letícia e mais 14 pessoas e pedido a prisão preventiva do ex-presidente, a quem foi imputado os crimes de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro com a ocultação da propriedade do imóvel no Guarujá.
Na decisão, a juíza Maria Priscilla entendeu que o apartamento tinha relação com propinas da Petrobras e, por isso, declinou a competência para Moro. Exatamente como o então juiz de Curitiba havia antecipado na noite anterior a Dallagnol.
O que permaneceu em mãos do Ministério Público de São Paulo não foi suficiente para levar os réus à condenação e, em 2017, a magistrada absolveu todos.
Na mensagem do dia 13, Moro também denotou que já estava preocupado com as movimentações em Brasília para Lula virar ministro de Dilma Rousseff.
Em 16 de março de 2016, ele vazou para a imprensa um áudio de conversa entre a então presidenta e Lula, sobre o termo de posse no Ministério da Casa Civil. O vazamento ilegal também foi objeto de diálogo fora dos autos entre Moro e Dallagnol, como mostrou o The Intercept Brasil.

“Você é o cara”

No mesmo dia em que recebeu a notícia de que a ação penal contra Lula que tramitava em São Paulo seria remetida para Curitiba, Dallagnol parabenizou Moro pela repercussão dos protestos a favor da Lava Jato que aconteceram naquele domingo, 13 de março, reunindo milhares de pessoas em várias capitais do País.
Moro respondeu que estava satisfeito com o apoio público, mas que não tinha fé na capacidade do Supremo Tribunal Federal em processar e julgar tantos políticos – que seriam implicados em delações geradas a partir de empresários presos em Curitiba. Dallagnol replicou que a solução era mudar o sistema.
“O próximo passo que podemos dar é o fim do foro por prerrogativa de função, reservando-o para 15 pessoas. Teremos voz para isso, porque os casos do Supremo não andarão com 1/10 da celeridade [de Curitiba]. (…) Foi em razão da experiência com o Banestado que no ano passado investi tanto tempo nas 10 medidas. Se não mudarmos o sistema, sabemos o que acontecerá com os casos [da Lava Jato]”, disse o coordenador da força-tarefa.
Dallagnol finalizou com um apelo a Moro: “Preciso que você assuma mais as 10 medidas. (…) Você é o cara. Não é por nós nem pelo caso (embora afete diretamente os resultados do caso), mas pela sociedade e pelo futuro do país.”
Leia a íntegra da conversa divulgada pelo The Intercept Brasil, na noite de 12 de junho de 2019.

13 de março de 2016 (1 dia antes da imprensa noticiar transferência da ação sobre Lula de SP para Curitiba)

Deltan – 02:26:01 – Caso não tenha visto:
Deltan – 02:26:03 – http://m.alias.estadao.com.br/noticias/geral,maos-ainda-sujas,10000020828
Deltan – 02:26:07 – Sensacional
Moro – 20:48:47 – Boa entrevista.
Moro – 20:50:01 – Nobre, isso nao pode vazar, mas é bastante provavel que a acao penal de sp seja declinada para cá se o LL nao virar Ministro antes
Deltan – 22:15:50 – Ok
Deltan – 22:15:55 – Obrigado!
Deltan – 22:19:29 – E parabéns pelo imenso apoio público hoje. Você hoje não é mais apenas um juiz, mas um grande líder brasileiro (ainda que isso não tenha sido buscado). Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. Sei que vê isso como uma grande responsabilidade e fico contente porque todos conhecemos sua competência, equilíbrio e dedicação.
Moro – 22:31:53 – Fiz uma manifestação oficial. Parabens a todos nós.
Moro – 22:48:46 – Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos.
Deltan – 22:59:49 – Vi. Ficou ótima.
Deltan – 23:03:37 – Não vai acontecer. A experiência italiana é um exemplo das dificuldades. Se aprovarmos as 10 medidas (já contam com mais de 1,6 mi de assinaturas, e apoio crescente dos parlamentares), o próximo passo que podemos dar é o fim do foro por prerrogativa de função, reservando-o para 15 pessoas. Teremos voz para isso, pq os casos do supremo não andarão com 1/10 da celeridade. Sei que tudo é difícil, mas precisamos acreditar e fazer. Foi em razão da experiência com o Banestado que no ano passado investi tanto tempo nas 10 medidas. Se não mudarmos o sistema, sabemos o que acontecerá com os casos. No Congresso já há um acordo de líderes encaminhado para, mediante projeto de lei, reverter a recente decisão do STF. Precisamos atacar e avançar no âmbito legislativo tanto quanto nas ações penais.
Moro – 23:07:10 – Sei do projeto mas nao acredito que terao coragem no momento. mas o clima pode mudar. Bem. Vamos passo a passo, dia a dia.
Deltan – 23:14:53 – Preciso que Vc assuma mais as 10 medidas ou outras mudanças em que acredite também, se entender que isso não trará problemas sérios. A sociedade quer mudanças, quer um novo caminho, e espera líderes sérios e reconhecidos que apontem o caminho. Você é o cara. Não é por nós nem pelo caso (embora afete diretamente os resultados do caso), mas pela sociedade e pelo futuro do país.

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