14/6 - Blog O Cafezinho DE HOJE

O Cafezinho


Posted: 14 Jun 2019 09:51 AM PDT
No DIA
Carro avança e atropela manifestantes no Centro de Niterói
Segundo a Associação de Docentes da UFF, duas professoras e três estudante ficaram feridos. Bombeiros socorreram uma mulher que foi levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima
Por Ana Mello*
Publicado às 14/06/2019 10:06:00
Atualizado às 14/06/2019 13:39:25

Rio – Um carro em alta velocidade atropelou pelo menos cinco manifestantes na Avenida Marquês do Paraná, no Centro de Niterói, durante um protesto contra a reforma da Previdência e os cortes na educação pública, nesta sexta-feira. De acordo com o Corpo de Bombeiros, uma mulher ferida foi socorrida pela corporação, por volta das 7h04.

Segundo a Associação de Docentes da UFF (Aduff), dentre os feridos estão duas professoras e três estudante, que tiveram escoriações leves. Os bombeiros informaram que Kate L. Costa, de 35 anos, foi levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no bairro Fonseca. Até o momento, não há informações sobre o estado de saúde da vítima.
Desde o início da manhã centenas de pessoas estão aglomeradas na Avenida Marquês do Paraná, que chegou a ser interditada próximo ao Hospital Universitário Antônio Pedro. Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o momento do atropelamento e é possível ver os manifestantes sendo atingidos pelo carro.
A professora e diretora da Associação dos Docentes da UFF (Aduff), Bianca Novaes, disse ao DIA que presenciou toda a confusão. Segundo a docente, a via tinha acabado de ser fechada e o objetivo era liberar parte da pista, mas o motorista não queria aguardar.
“Ele ficou exaltado e uma pessoa falava para esperar um pouco. Do nada, ele lançou o carro contra várias pessoas. Uma professora foi praticamente pisada pelo pneu do carro.”
Para Bianca, o sentimento é de tristeza. “Horrível ver um ato bárbaro desse. Você não concordar com o outro não te dá o direito de atentar contra a vida dele. Poderia ter matado pessoas. Uma das professoras bateu com a cabeça”, lamentou.
A Aduff e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) emitiram uma nota de repúdio nas redes sociais.
“É inaceitável ações violentas como o atropelamento ocorrido na manhã desta sexta-fera (14), em Niterói, durante manifestação pacífica, na qual, o que se defende é o direito à vida com dignidade, com direito à Previdência e à educação”, dizia parte da nota.

No texto, a professora da UFF e secretária-geral do Andes-SN, Eblin Farage, destacou a importância do movimento. “Essa greve geral é o segundo grande momento das mobilizações contra a reforma da Previdência, depois das mobilizações de maio. É necessário que as pessoas entendam [que esses atos] são em defesa da aposentadoria de todo mundo, inclusive de quem já se aposentou, porque se essa reforma passar ela vai tirar direitos também dos que já se aposentaram”, ressaltou.
De acordo com postagem do Sindicato dos Trabalhadores da UFF (Sintuff) nas redes sociais, o homem já foi identificado e será processado.
Procurada, a Polícia Militar informou que não houve acionamento do 12º BPM (Niterói) para o local. A Polícia Civil disse que a ocorrência está em andamento na 76ª DP (Niterói) e que uma vítima é ouvida na unidade. Equipes buscam identificar o motorista.
Na confusão, parte dos vidros do veículo que invadiu a manifestação foi quebrado e, após o socorro, o protesto teve continuidade. A partir das 14h, uma nova concentração será feita em frente as barcas, na Praça Araribóia, em direção ao ato que acontece na Candelária, no Centro Rio.
*Estagiária, sob a supervisão de Adriano Araújo
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Posted: 14 Jun 2019 08:52 AM PDT
O Manchetômetro, iniciativa do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), e idealizado pelo cientista político João Feres, vem fazendo uma cobertura interessante do tratamento que a mídia dá às revelações feita pelo Intercept, no escândalo conhecido como “Vaza Jato”.
Abaixo, algumas matérias publicadas pelo Manchetômetro nos dias 11, 13 e 14 (hoje), com gráficos.
É interessante observar ainda alguns dados do próprio Manchetômetro, que não foram, porém, comentados pelas análises abaixo.
1) Em junho deste ano, Sergio Moro, pela primeira vez, está recebendo tratamento negativo da mídia. Mais negativo do que Lula, inclusive.

2) Jair Bolsonaro recebeu, no período eleitoral, tratamento mais positivo do que negativo, o que continuou em novembro e dezembro. A partir da posse, porém, Bolsonaro está batendo recorde de menções negativas.

Abaixo, as matérias publicadas no Manchetômetro. Publico em ordem anti-cronológica, ou seja, da mais recente, publicada hoje, até a mais antiga, do dia 11.
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A cobertura da Vaza Jato no Jornal Nacional
14/06/2019

Por Juliana Gagliardi e João Feres Junior.
Pela primeira vez, Sergio Moro tem mais menções negativas que positivas, e inclusive, mais negativas que Lula.
No último dia 9 de junho, a agência de notícia The Intercept Brasil deu início à publicação de uma série de reportagens investigativas baseadas na divulgação de conversas entre membros da força-tarefa da Operação Lava Jato no aplicativo de mensagens Telegram.
No dia 10 de junho, o Jornal Nacional cobriu o evento dedicando a ele 14m30s do seu tempo. Na chamada, os âncoras do telejornal diziam que a divulgação de mensagens atribuídas a Sergio Moro, a procuradores da Lava Jato e ao coordenador da operação, Deltan Dallagnol, havia provocado reações no meio jurídico e que essas manifestações se dividiam entre o conteúdo das supostas conversas e a forma ilegal pela qual teriam sido obtidas.
A matéria principal foi centrada na divulgação das mensagens e concedeu amplo espaço a Dallagnol – reproduzindo diversos trechos do vídeo em que o procurador rebate a matéria e defende a operação –, a entidades jurídicas que defendem os procuradores envolvidos e, particularmente, a Moro – citando os pronunciamentos do presidente e o vice-presidente da República em sua defesa. E, embora com foco no que considera a interceptação “criminosa” de mensagens – e não na gravidade de seu conteúdo –, o telejornal também cita, por outro lado, críticas da OAB e do Conselho Nacional do Ministério Público ao conteúdo das conversas divulgadas e a possibilidade de desvio de conduta. Trechos da defesa de Lula também são mencionados, ocupando 35 segundos de tempo da matéria.
O telejornal trata o Intercept como um site, sem nenhuma contextualização, reproduz trechos das “supostas” conversas entre Moro e Dallagnol e aponta críticas feitas pela agência, repetindo com frequência que eram falas e conclusões “segundo o Intercept”.
No dia 11 de junho, o telejornal dedicou 9 minutos e meio ao assunto. Desta vez, desde a chamada, o enfoque foi na suspeita da ocorrência de uma ação orquestrada na invasão de celulares de Moro e dos procuradores. A chamada também informa que o ministro comparecerá na próxima semana ao Senado para “falar” sobre a divulgação das mensagens atribuídas a ele. Na matéria principal, o jornal apresenta as opiniões de ministros do STF. São reproduzidas falas de Gilmar Mendes dizendo que o fato de serem obtidas de maneira ilegal não necessariamente leve à anulação de provas, de Marco Aurélio Mello dizendo que todos são a favor do combate à corrupção, mas não “a ferro e fogo” e de Luís Barroso que, por sua vez, diz que é preciso ter cautela e esperar o fim da apuração, mas que ressaltou a importância da Operação Lava Jato e a “ação criminosa” na obtenção de provas. Mais uma vez o jornal abriu espaço para a defesa de Lula, transmitindo trecho da fala de seu advogado, Cristiano Zanin. Em seguida, a edição fala da agenda de Moro após a divulgação e mostra vozes do Ministério da Justiça e do General Villas-Bôas, rechaçando o uso de conversas “privadas” obtidas por “meio ilegal” e em defesa de Moro, respectivamente. Também menciona novamente a OAB e sua recomendação de que os envolvidos se afastassem dos cargos para que as investigações ocorressem sem suspeitas. A parte final da matéria abordou a suspeita da Polícia Federal de que a invasão tivesse sido uma ação orquestrada e deu voz à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge que considera a ação um ataque grave.
No dia 12, altera-se a estratégia da cobertura nos 11 minutos e 33 segundos dedicados ao caso. Se até aqui baseava-se numa constelação de citações de terceiros e apontamentos, desta vez o próprio âncora caracteriza na chamada o vazamento das conversas como uma “ação criminosa”. Após informarem que a Câmara aprovou convite a Moro para explicar as conversas “atribuídas” a ele, o telejornal passa a focar no ataque hacker e no fato de que teria sido muito mais amplo do que se supunha. Após apresentar o procurador José Robalinho Cavalcanti, que teria conversado com o hacker pensando ser outro procurador, e Dodge, conclamando a unificação das investigações sobre os ataques a membros do MP, a repórter do telejornal diz: “Invadir, hackear celulares e ter acesso a dados privados é crime”.
Posteriormente, a reportagem reproduz pronunciamento da força-tarefa da Lava Jato que destaca a possibilidade de hackers fabricarem diálogos usando perfis de autoridades e diz não ser possível aferir se houve edições, alterações, e que diálogos inteiros podem ter sido forjados. A nota, divulgada pelo telejornal, diz ainda haver dúvidas “inafastáveis” quanto à autenticidade das conversas, e que “invariavelmente darão vazão à divulgação de fake news”. O jornal apresenta outras vozes que dizem que a invasão é grave e descrevem minuciosamente como pode, em hipótese, ter ocorrido o hackeamento, destacando, ao fim, que Moro e Dallagnol não veem irregularidades nas conversas, mas reafirmam que não podem reconhecer sua autenticidade.
Se no primeiro dia da cobertura houve espaço para apontar críticas ao conteúdo das conversas e outras vozes, como a defesa de Lula, do segundo para o terceiro dia deu lugar à narrativa de uma conspiração criminosa contra o Ministério Público e a Operação Lava Jato. Passou a ganhar espaço a desqualificação do material, seja pelo método de obtenção de seu conteúdo seja pela alegação de risco de inautenticidade. O jornal dá ampla voz aos membros da operação focando no acesso e divulgação das mensagens, enquanto se exime de explorar as questões éticas, legais e políticas relativas ao comportamento de Moro, dos procuradores da Lava Jato e de ministros do Supremo, citados nas conversas.
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Vaza Jato – dia 3
13/06/2019
Por Eduardo Barbabela e João Feres Jr.

No terceiro dia após a divulgação das conversas entre Moro e Dallagnol pelo The Intercept, 12 de junho, a Folha continua sendo o meio com o maior número de matérias sobre o caso, com 16 novos textos no dia de hoje, dentre os quais temos uma fala do ex-presidente Lula e textos de opinião que defendem a renúncia do ministro da Justiça.

O Estadão aumentou hoje o número de textos contrários a Moro. Se nos dois últimos dias o balanço entre o número de textos críticos a Moro e ao Intercept estava totalmente equilibrado, hoje há uma tendência contrária ao ministro de Bolsonaro. O jornal destaca os prejuízos jurídicos que a Lava Jato pode ter pela ação de Sérgio Moro que afronta o Estado de Direito.
O Globo mantém cobertura com maior número de textos neutros. A capa apresenta Moro no controle da situação, dizendo que ele “decide ir ao Senado para explicar conversas vazadas”. A matéria de Élio Gaspari pedindo a saída do ex-juiz e sua chamada na capa, são os únicos textos negativos, enquanto o grosso da cobertura ou defende o juiz, como Merval Pereira, ou simplesmente descreve reações de políticos e ministros do Supremo.
Enquanto a Folha reafirma posição editorial crítica a Moro, discutindo os efeitos legais e políticos das conversas com ex-juiz com a força tarefa da Lava Jato, O Globo e Estadão mantém cobertura cautelosa, o jornal carioca levemente favorável a Moro e o paulista levemente contrário. Dado que os três meios foram amplamente favoráveis à Operação Lava-Jato, mesmo em seus momentos mais críticos no que diz respeito à proteção do Estado de Direito, vale notar a atual dissonância.
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A Vaza Jato nos jornais
Por Eduardo Barbabela e João Feres Jr.
11/06/2019

No dia 9 de junho de 2019, o site The Intercept publicou uma série de matérias denunciando a colaboração entre o então juiz federal Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, procurador federal e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, a partir do vazamento de mensagens trocadas pelos dois em redes sociais.
A repercussão desse escândalo vai depender bastante da cobertura jornalística que ele está recebendo. Assim, a equipe do Manchetômetro decidiu acompanha-la de perto.
Nesse boletim analisamos todos os textos publicados pelos jornais Folha, Estado e O Globo, nos dias 10 e 11 de junho de 2019. Atribuímos dois enquadramentos básicos, Crítico ao Intercept, quando o texto ataca a divulgação dos dados pelo The Intercept, acusa suposta violação de privacidade dos envolvidos, ou mesmo simplesmente apoia o ministro Moro; Crítico a Moro, quando o texto acusa a ilegalidade da atuação de Moro e de sua relação com a Lava Jato, Neutro/Ambivalente os textos não têm posição manifesta.

A Folha de São Paulo é o jornal que realiza a maior cobertura do caso, com 33 textos sobre o fato. Desde o primeiro dia o jornal foi aquele que mais destacou o escândalo, preocupando-se em apresentar o caso amplamente, inclusive por meio de elementos gráficos, e exemplificando as supostas conversas sempre que possível. O jornal também se mostra o mais crítico à atuação do atual ministro da Justiça, apontando inclusive para possível manipulação política na Lava Jato. Apesar disso, o jornal reforça o argumento de que a Lava Jato não será desmoralizada pelo vazamento ilegal das conversas. A Folha também critica bastante o hacking das conversas que declara ser ilegal, mesmo que defenda que o jornalismo realizado pela The Intercept não deva ser questionado pela possível ilegalidade dos dados. O jornal também abre espaço para Moro, membros da Lava Jato e seus apoiadores defenderem que as conversas não possuem nenhuma informação relevante.
O Estadão é o jornal que menos abriu espaço para o vazamento das conversas, com apenas 11 textos nos dois dias. O jornal é o único que não possui nenhuma manchete sobre o tema, com uma cobertura que possui a mesma quantidade de críticas a Moro e ao The Intercept, além dos textos neutros. O jornal cita a gravidade das suspeitas levantadas pelas conversas e chega, em editorial, a propor a renúncia do ministro dada a gravidade das acusações. Apesar desse posicionamento, o jornal, abre bastante espaço para a defesa de Moro.
O Globo é o jornal mais crítico ao The Intercept. Com 21 textos sobre o assunto, o jornal possui apenas dois textos que enfatizam a crítica a Moro, ao passo que abre amplo espaço para acusações de hacking. O Globo insiste em um argumento pragmático segundo o qual, a despeito da possível veracidade das acusações contra Moro e Dallagnol, da ilegalidade da obtenção da obtenção das provas e da força legal dos fatos supostamente comprovados pela Lava Jato, impede a reversão das condenações feitas no esteio da Operação, particularmente a do ex-presidente Lula.
Folha, Estado e O Globo têm dedicado enorme espaço à cobertura da Lava Jato, desde o surgimento dessa operação. Sua posição editorial e manifesta nos artigos de opinião e nas reportagens foi até agora de amplo apoio às ações de Moro e do MP do Paraná, inclusive em momentos em que essas mesmas ações chafurdaram no terreno da ilegalidade, como quando a condução coercitiva de Lula, da divulgação das conversas telefônicas entre Lula e Dilma e mesmo quando das sentenças de Moro e do TRF4 condenando e ratificando a condenação do ex-presidente. Agora que a ilegalidade dessas ações vem à público de maneira escandalosa, cada meio assume posição diversa. Vejamos nos próximos dias como essas posições vão evoluir.
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Posted: 14 Jun 2019 07:07 AM PDT
O mito não anda atraindo muito público no youtube… 10 mil visualizações para um live com o presidente da república?
De qualquer forma, segue aí o player para o internauta assistir.

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Posted: 14 Jun 2019 06:21 AM PDT
No blog do Fausto Macedo/Estadão
Moro desafia: ‘Se quiserem publicar tudo, publiquem. Não tem problema’
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirma ao ‘Estado’ que não vai se afastar do cargo
Fausto Macedo e Ricardo Brandt / ENVIADOS ESPECIAIS / BRASÍLIA
13 de junho de 2019 | 23h40
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou ao Estado que não vai se afastar do cargo. Alvo de ataque cibernético e de vazamento de diálogos atribuídos a ele com procuradores da Lava Jato, no Telegram, Moro disse que o País está diante de “um crime em andamento”, promovido, conforme sua avaliação, por uma organização criminosa profissional. Moro afirmou que não há riscos de anulação do processo do triplex do Guarujá, que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-juiz da Operação Lava Jato vê viés político-partidário na divulgação das mensagens tiradas de aplicativo do coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol. Ele falou em “sensacionalismo” e disse que réus e investigados da Lava Jato teriam interesse no caso. O ministro não reconhece a autenticidade das mensagens e, na primeira entrevista após ter virado alvo dos hackers, desafiou a divulgação completa do material.
Ele afirmou ainda não ver ilicitude nos diálogos e disse que conversava “normalmente” também com advogados e delegados, inclusive por aplicativos. Em quase uma hora de conversa em seu gabinete em Brasília, Moro descartou impactos do caso para o governo Jair Bolsonaro e para o pacote anticrime, que defende no Congresso. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Estadão: O sr. está preocupado, está dormindo em paz?
Sérgio Moro: Fui vítima de um ataque criminoso de hackers. Clonaram meu telefone, tentaram obter dados do meu aparelho celular, de aplicativos. Até onde tenho conhecimento, não foram obtidos dados. Mas os procuradores foram vítimas de hackers e agora está havendo essa divulgação indevida. Estou absolutamente tranquilo em relação à natureza das minhas comunicações. No fundo, esse processo da Lava Jato é um processo muito complicado. É uma dinâmica dentro da 13.ª Vara Federal (em Curitiba), o dia inteiro proferindo decisão urgente. E a gente recebia procurador, advogado, a gente falava com advogado, falava com todo mundo. E, eventualmente, utilizava aplicativos de mensagem para tratar isso de maneira dinâmica maior. Mas, quanto à natureza das minhas comunicações, estou absolutamente tranquilo.
Estadão: O sr. era o juiz exclusivo dos processo penais da Lava Jato, era o corregedor da Lava Jato?
Moro: Exatamente, às vezes as pessoas tinham como referência a 13.ª Vara e o juiz, no meu caso, e levavam todo tipo de informação, de demanda. Então, as pessoas ouviam histórias verdadeiras, plausíveis e, às vezes, histórias fantasiosas. E, muitas vezes, em vez de levar ao Ministério Público, levavam a mim. O que a gente fazia? A gente mandava para o Ministério Público. Mandava normalmente pelos meios formais, mas, às vezes, existia uma situação da dinâmica ali do dia, naquela correria, e enviava por mensagem.
Estadão: Recebia demandas de advogados?
Moro: Sim, recebia. Procuradores, advogados, o tempo todo. É normal trocar informação, claro, dentro da licitude. Mas, assim, o que tem que se entender é que esses aplicativos de mensagens, eles apenas aceleram a comunicação. Isso do juiz receber procuradores, delegados, conversar com delegado, juiz receber advogados, receber demanda de advogados, acontece o tempo todo. Às vezes chegava lá o Ministério Público: “Ah, vou pedir a prisão preventiva do fulano X”. Às vezes, o juiz tem uma análise lá e fala: “Ó, precisa de prova robusta para pedir a prisão preventiva”. Assim como o advogado chega lá e diz: “Vou pedir a revogação da prisão preventiva do meu cliente”. Às vezes o juiz fala: “Olha, o seu cliente está em uma situação difícil, seria interessante demonstrar a correção do comportamento do cliente, afastar essa suspeita”. Essa interlocução é muito comum. Sei que tem outros países que têm práticas mais restritas, mas a tradição jurídica brasileira não impede o contato pessoal e essas conversas entre juízes, advogados, delegados e procuradores.
Estadão: Os próprios advogados usam a expressão embargos auriculares quando vão conversar com o magistrado.
Moro: Tem essa expressão. Mas é muito comum. Na dimensão da Lava Jato, com todas as diligências que eram ordenadas, às vezes surgiam incidentes no meio dessas buscas, às vezes surgia a necessidade de coisas muita urgentes, era comum você ser contatado, seja verbalmente, seja por aplicativos, mas com demandas lícitas. A questão do aplicativo é apenas um meio.
Estadão: Não contamina a Operação Lava Jato?
Moro: Não, de forma nenhuma. Depois de todas as decisões, tudo era formalizado, colocado nos autos. Agora, existia às vezes situações de urgência, eventualmente você está ali e faz um comentário de alguma coisa que não tem nada a ver com o processo. Isso não tem nenhum comprometimento das provas, das acusações, do papel separado entre o juiz, o procurador e o advogado. Não existe também nenhuma espécie, vamos dizer assim… Até ouvi uma expressão lá de que eu era “chefe da Lava Jato”, isso é uma falsidade.
Estadão: Não houve conluio?
Moro: Não tem nada, nunca houve esse tipo de conluio. Tanto assim, que muitas diligências requeridas pelo Ministério Público foram indeferidas, várias prisões preventivas. O pessoal tem aquela impressão de que o juiz Moro era muito rigoroso, mas muitas prisões preventivas foram indeferidas, várias absolvições foram proferidas. Não existe conluio. Agora, a dinâmica de um caso dessa dimensão leva a esse debate mais dinâmico, que às vezes pode envolver essa troca de conversas pessoais ou por aplicativos. Mas é só uma forma de acelerar o que vai ser decidido no processo.
Estadão: O processo triplex está sob risco?
Moro: Olha, se tiver uma análise cautelosa, se nós tirarmos o sensacionalismo que algumas pessoas interessadas estão fazendo, não existe nenhum problema ali. Foi um caso decidido com absoluta imparcialidade com base nas provas, sem qualquer espécie de direcionamento, aconselhamento ou coisa que o valha. Um dos episódios que falam seria a mensagem minha mais delicada que apareceu. Eu fico numa situação delicada porque eu não posso reconhecer a autenticidade dessas mensagens, porque é assim, em vez de eles apresentarem tudo, e que a gente possa verificar a integridade desse material, eles estão com essa ideia de apresentar paulatinamente. E eu não excluo a possibilidade de serem inseridos trechos modificados, porque eles não se dignaram nem sequer a apresentar o material a autoridades independentes para verificação. A mensagem que diz que é mais delicada em relação a mim, o que é? É uma notícia-crime. Alguém informa que tem informações relevantes sobre crimes e eu repasso para o Ministério Público. Isso está previsto expressamente no Código de Processo Penal, artigo 40, e também no artigo 7 da Lei de Ação Civil Pública diz que “quando o juiz tiver conhecimento de fatos que podem constituir crime ou improbidade administrativa ele comunica o Ministério Público”. Basicamente é isso, eu recebi e repassei. Porque eu não posso fazer essa investigação.
Estadão: Em algum momento chegou informação de interesse da defesa ao sr. e que foi encaminhada à defesa?
Moro: Chegavam muitas informações, aquilo lá tinha virado uma caixa de ressonância pela publicidade das informações. Tudo que chegava que era relevante, ou a gente encaminhava para a polícia ou Ministério Público, seja lá se a informação eventualmente beneficiava defesa ou acusação. O que importa é o descobrimento da verdade.
Estadão: O que chegou o sr. passou para frente? Houve seletividade?
Moro: Não, não. Sendo muito franco, essas notícias-crime chegavam toda hora. O que tem que fazer o juiz? Ele tem que transmitir isso para a frente.
Estadão: O que foi divulgado até agora o sr. reconhece como fala sua? A frase ‘In Fux we trust’, por exemplo?
Moro: Tem duas dificuldades, essas invasões criminosas dos dispositivos dos procuradores e a tentativa de invasão do meu, eles, até onde sei, não conseguiram pegar o conteúdo do meu Telegram. Poderiam ter pego, não tem problema nenhum quanto a isso. Mas não conseguiram, porque não estou no Telegram. Não tenho essas mensagens. Veja, são fatos que aconteceram dois três anos atrás. Não tenho memória de tudo. Vejo algumas coisas que podem ter sido coisas que eu tenha dito. Agora podem ter inserções maliciosas. Então fica muito complicado. Até porque, como eu disse, se os fatos são tão graves como eles dizem que são, até agora não vislumbrei essa gravidade, o que eles deveria fazer: pegar o material que receberam na forma original, não sei se é papel ou se é meio eletrônico, e apresentar para uma autoridade independente. Se não querem apresentar à Polícia Federal, apresenta no Supremo Tribunal Federal. Aí vai se poder verificar a integridade daquele material, exatamente o que eles têm, para que se possa debater esse conteúdo. Agora, do contrário, eu fico impossibilitado de fazer afirmações porque eu não tenho o material e, por outro lado, eu reconheço a autenticidade de uma coisa e amanhã aparece outra adulterada. Alguns diálogos, algumas mensagens lá me causam bastante estranheza. Não sei, por exemplo, como é que atribuíram aquelas mensagens a Moro, de onde que veio isso, esse Moro, da onde que veio o Deltan. Eu vejo nas mensagens lá que às vezes está Deltan e às vezes está Dallagnol. Então, como é que foi isso? Aquele material não é o material original? Será que não teve outra coisa que foi editada ali dentro?
Estadão: A investigação chegará aos hackers?
Moro: Espero que sim. Existem várias possibilidades, de ter sido um hacker isolado. Eu, particularmente, acho que isso não foi tarefa de um adolescente com espinhas na frente do computador, mas de um grupo criminoso organizado, e a polícia está empenhada em verificar esses fatos. Não é só a questão minha, ou dos procuradores, muita gente sofreu a mesma tentativa de invasão criminosa, inclusive jornalistas, já temos notícias de possíveis parlamentares terem sido vitimas dessa prática. Não é só uma invasão pretérita que um veículo de internet resolveu publicar o conteúdo. Nós estamos falando aqui de um crime em andamento. De pessoas que não pararam de invadir aparelhos de autoridades ou mesmo de pessoas comuns e agora têm uma forma de colocar isso a público, podem enviar o que interessa e o que não interessa. E também esse veículo (The Intercept Brasil) não tem nenhuma transparência com relação a esse conteúdo. Então vai continuar trabalhando com esses hackers?
Estadão: O alvo é a Lava Jato ou o governo Bolsonaro e as reformas?
Moro: Acho que o alvo são as instituições. Se vamos tolerar esse tipo de comportamento, hackers criminosos que conseguem abrigo em veículos não sei se da imprensa, se a gente pode falar dessa forma, para divulgar isso. Então quer dizer se amanhã invadirem os telefones de jornais, de empresas, dos ministros do Supremo, de presidente do Senado, de presidente da Câmara, vão aceitar que isso seja divulgado por esse mesmo veículo? Me parece, veja bem, essa Operação Lava Jato foi muito difícil, hercúleo, pode ter nisso as críticas pontuais, mas houve uma mudança de padrão do tratamento do Brasil da impunidade da grande corrupção. Então pessoas que eram normalmente impunes, mesmo tendo cometido crimes de corrupção graves, passaram e ser punidos. Isso gerou muitos inimigos. Tem muita gente que quer fazer tudo para acabar com a operação. E conseguiram, aparentemente, gerar um sensacionalismo com base em ataques criminosos de hackers. Mas eu acho que, olhando mais a fundo, os alvos são as instituições.
Estadão: Mais do que a Lava Jato?
Moro: Mais do que a Lava Jato. A gente não sabe onde isso vai parar. Ontem (anteontem), me parece que houve uma tentativa de intimidação do Supremo Tribunal Federal com a divulgação daquelas mensagens envolvendo um ministro (Luiz Fux).
Estadão: O objetivo serve a algum investigado da Lava Jato? Vê riscos de anulação dos processos?
Moro: Acho que há muito sensacionalismo e falta uma análise mais cautelosa. Se formos analisar o que saiu não vi nada demais. Embora, como disse, não tenha condições de reconhecer a autenticidade daquilo. E não se sabe que tipo de adulteração pode vir aí em relação a isso. Esse sensacionalismo, mais do que o próprio conteúdo (das mensagens), é o que pode afetar a credibilidade das operações. Mas aquilo foi um trabalho sério, difícil, não foi feito sem um custo pessoal, e não digo só meu, mas de todos aqueles que estiveram envolvidos. E não foi feito também sem o custo da própria sociedade. A sociedade foi às ruas, apoiou a pauta anticorrupção, como continua apoiando.
Estadão: Pensou em se afastar do cargo?
Moro: Não, eu me afastaria se houvesse uma situação que levasse à conclusão de que tenha havido um comportamento impróprio da minha parte. Acho que é o contrário. Agora estou em uma outra situação, estou como ministro da Justiça, não mais como juiz, mas tudo o que eu fiz naquele período foi resultado de um trabalho difícil. E nós sempre agimos ali estritamente conforme a lei. Qualquer situação, despido o sensacionalismo, está dentro da legalidade. Conversar com procuradores, conversar com advogados, isso é absolutamente normal.
Estadão: O presidente Bolsonaro o apoiou?
Moro: Sim, desde o início o presidente me apoiou. Agora, esse foi um trabalho realizado enquanto eu não era ministro. Então não é responsabilidade do atual governo. O presidente reconhece e já deu demonstrações públicas nesse sentido de que não se vislumbra uma anormalidade que se coloque em xeque a minha honestidade.
Estadão: O sr. se sentiu isolado?
Moro: Não, nós temos recebido muita manifestações de apoio, de populares, de autoridades. Agora, existe um sensacionalismo que tenta manipular a opinião pública. Pessoas que se servem de meios criminosos para obter essas informações e nos atacar e a outras pessoas e que não veem um problema ético em utilizar esse tipo de informação e fazer sensacionalismo. Por que não apresenta desde logo tudo? Se tem irregularidade mesmo, tão graves, apresenta tudo para uma autoridade independente que vai verificar a integridade do material. Aí, sim, se a ideia é contribuir para fazer Justiça, então vamos agir dessa forma. E não com esses mecanismos espúrios.
Estadão: Em um diálogo que lhe é atribuído, o sr. fala em limpar o Congresso. O sr. reconhece essa fala como sua?
Moro: Não, não reconheço a autenticidade desse tipo de afirmação. Vamos dizer assim, em uma conversa coloquial, pode ser até algo que se diga “olha, tem um problema”. Vamos dizer que estamos falando de um Congresso que na época tinha o Eduardo Cunha como presidente (da Câmara), uma pessoa que comprovadamente cometeu crimes, tinha contas milionárias na Suíça, então era uma situação bastante diferente. Mas eu não tenho como recordar se há dois, três anos atrás eu tenha efetuado uma afirmação dessa espécie.
Estadão: O que o sr. vai dizer no Senado na próxima semana?
Moro: Eu me coloquei à disposição para esclarecer, eu não tenho nenhum receio do conteúdo de mensagens que eu tenha eventualmente enviado ou recebido durante minha carreira profissional. Sempre me pautei pela legalidade e estou me colocando à disposição para esclarecer no que eu posso.
Estadão: O sr. vê cunho sensacionalista, mas as reações são diretas em questionar a legalidade de uma suposta interferência nas investigações. É normal?
Moro: A tradição jurídica brasileira permite essas conversas entre juízes e advogados e procuradores, inclusive policiais. A questão das operações, uma vez deferida uma diligência, 50 buscas e apreensões e 50 prisões de pessoas, existem questões de logística que vão ser discutidas com a polícia e com o Ministério Público. Precisamos saber exatamente quando vai acontecer, em que momento vai acontecer e tem que ter um planejamento.
Estadão: Pretende incluir no pacote anticrime um capítulo sobre hackers?
Moro: Não vou colocar agora, não quero misturar essas coisas. Mas há uma necessidade de rever a legislação brasileira, que é muito branda.
Estadão: Há indício de que a base dos ataques seja fora do País, uma participação internacional de hackers?
Moro: Quem especulava de que tudo era uma armação da CIA era o Partido dos Trabalhadores em relação à Operação Lava Jato. Todas as opções estão na mesa, a investigação é da Polícia Federal e eu acompanho apenas à distância.
Estadão: O sr. fazia dupla verificação o seu Telegram?
Moro: Eu não estava no Telegram.
Estadão: Mas quando usava?
Moro: Não.
Estadão: Mandava áudios pelo Telegram?
Moro: Não, não, de forma alguma. Veja, isso são coisas de dois, três anos atrás. Ao que me consta, não tem nenhum áudio meu, porque não tenho esse costume. Eu até brinco que eu acho um costume um pouco irritante, áudio por aplicativo de mensagem. Quer falar? Então liga.
Estadão: Esse caso pode derrubar a prisão em segunda instância no STF e fazer voltar a discussão sobre a Lei de Abuso de Autoridade no Congresso?
Moro: São questões independentes. Não acredito que o Supremo vai fazer qualquer alteração em relação à prisão em segunda instância decorrente desse fato. Quanto ao Congresso, também me parece que não.
Estadão: O diálogo sobre o grampo que pegou Lula e Dilma à véspera da nomeação do ex-presidente como ministro o sr. não reconhece como seu?
Moro: Veja, isso foi dito na época dos fatos, lá em 2016. Houve uma posição da polícia requerendo o levantamento do sigilo, houve uma posição do Ministério Público requerendo o levantamento do sigilo. E houve uma decisão que eu tomei de levantar o sigilo. Se isso foi tratado em mensagens, ali, teria sido tratado dessa forma. Mas não teve nenhum comprometimento ali de imparcialidade no processo. A posição é a que está no processo. É exatamente o que foi feito. Não vejo ali o motivo da celeuma.
Estadão: O sr. não estava orientando o procurador?
Moro: O que eu posso em algum momento ter falado, ao transmitir uma mensagem ao procurador ou a qualquer outra pessoa, é: “Olha, levantei o sigilo, acho que fiz o certo. Agora, realmente causou um certo impacto que eu não imaginava, achei que era uma decisão absolutamente acertada e comum.
Estadão: O PT acusa o sr. de ter feito parte de uma trama para tirar Lula do cenário político e de ter influenciado no resultado da eleição em 2018.
Moro: Me parece muito claro que existe um viés político-partidário na divulgação dessas mensagens, e não utilização dela. Uma passa pela soltura de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, que é o ex-presidente Lula, é uma pena. Ele foi condenado em mais de uma instância e por mais de um juiz de primeira instância. Sempre disse com muita clareza que para mim é muito triste ter proferido essa decisão. Isso me trouxe um grande peso, pessoal. Constantemente sou atacado por ter apenas cumprido o meu dever. Era o que a lei determinava e era o que as provas ali revelavam (no caso triplex).
Estadão: O sr. não teme novas publicações?
Moro: Não, pode ser que tenham novas publicações. Mas assim, eu sempre pautei o meu trabalho pela legalidade. Os meus diálogos e as minhas conversas com os procuradores, com advogados, com policiais, sempre caminharam no âmbito da licitude. Não tem nada ali, fora sensacionalismo barato.
Estadão: O caso pode prejudicar uma futura indicação do sr. ao Supremo?
Moro: Nem penso nisso. Não tem vaga no momento. Não faz sentido. Nunca vi no passado se discutir vagas no Supremo sem estarem abertas. É algo que não está no meu radar.
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Posted: 14 Jun 2019 06:02 AM PDT
Na Agência Brasil
Atividade econômica tem queda de 0,47% em abril
Publicado em 14/06/2019 – 09:01
Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil Brasília
A economia brasileira registrou queda em abril. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) dessazonalizado (ajustado para o período) apresentou retração de 0,47%, em abril, em relação a março deste ano, segundo dados divulgados hoje (14) pelo Banco Central (BC).
Foi o quarto mês seguido de queda, de acordo com dados revisados pelo BC: 0,22%, em janeiro, 1,04%, em fevereiro e 0,30%, em março, em comparação ao mês anterior.
Esse resultado veio depois da queda de 0,68% no primeiro trimestre deste ano, divulgada pelo BC no mês passado.
Na comparação com abril de 2018, a retração chegou a 0,62% (sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais).
Em 12 meses encerrados em abril, o indicador teve crescimento de 0,72%. No ano, o IBC-Br ficou praticamente estável – expansão de apenas 0,06%.
O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda o BC a tomar suas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos.
O indicador foi criado pelo BC para tentar antecipar, por aproximação, a evolução da atividade econômica. Mas o indicador oficial é o Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Edição: Graça Adjuto
Tags: IBC-Br pre-pib banco central bc atividade econômica

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Posted: 14 Jun 2019 05:39 AM PDT
No Conjur
TRF-4 segue MPF e decide que e-mails corporativos não são protegidos por sigilo
13 de junho de 2019, 20h01

Por Francisco Prehn Zavascki
Muitos vêm argumentando que as mensagens de celular de integrantes da força-tarefa da Lava Jato divulgadas pelo site The Intercept foram obtidas de forma ilegal. Entendo que, a despeito de aparentemente se tratar de celulares funcionais, eles estão protegidos pelo direito à privacidade. Portanto, somente mediante ordem judicial é que se poderia ter acesso a essas conversas.
Entretanto, em recentíssimo precedente, o TRF da 4ª Região, apoiado em parecer do Ministério Público Federal, entendeu que e-mails corporativos não estão submetidos à regra constitucional da inviolabilidade das comunicações. O número do processo é 5016202-28.2018.4.04.7100.
No caso, uma autarquia federal, na qual tramitava um inquérito administrativo para investigar ex-administradores de uma companhia de previdência, sem qualquer ordem judicial, e sem estarem investigando qualquer fato específico (portanto, numa verdadeira “expedição de pesca”), acessaram as caixas de e-mails dos ex-administradores. Elas estavam salvas nos servidores da empresa (que é privada) e os investigadores utilizaram essas informações para embasar imputações com repercussões nos âmbitos civil e penal.
Esse ato foi contestado judicialmente e o TRF-4, com base em parecer do MPF, afirmou que “o e-mail corporativo é uma ferramenta de trabalho, que pertence ao empregador, e não aos funcionários, que devem restringir o seu uso ao cumprimento de suas atribuições. Assim, o primeiro pode (e deve) zelar pela utilização adequada dos meios proporcionados aos segundos, para o desempenho de suas funções”.
Dessa forma, “se o objeto das correspondências é, confessadamente, a atuação da entidade investigada (presentada por seus dirigentes), a inviolabilidade de correspondências não pode ser oposta ao poder de polícia ínsito à atividade regulatória, previsto no Decreto-Lei 73/66, na Lei 6.204/74, 10.190/2001 e na Lei Complementar 109/2001”.
Diante disso, concluiu o TRF-4 que “as informações obtidas por meio do monitoramento de e-mail corporativo não são provas ilícitas, quando relativas a aspectos não pessoais e de interesse da administração pública ou da coletividade”.
Reitero que não concordo com esse entendimento, pois acredito que, mesmo nestes casos, incide a garantia da inviolabilidade das comunicações.
Respeitosamente, porém, faço uma provocação: tendo em vista o manifesto interesse da coletividade na operação Lava Jato, por uma questão de coerência, não seria o caso de a íntegra das caixas de e-mails corporativos (e, pela lógica, das mensagens enviadas por celulares corporativos) das autoridades colocadas sob suspeição (do Judiciário ou do MPF) serem remetidas, independentemente de ordem judicial aos órgãos de fiscalização competentes para que, vasculhando-as, possam achar eventuais irregularidades?
Deixo a pergunta no ar apenas para reflexão.
Francisco Prehn Zavascki é advogado
Revista Consultor Jurídico, 13 de junho de 2019, 20h01
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Posted: 13 Jun 2019 06:46 PM PDT
A entrevista de Lula aos jornalistas Juca Kfouri e José Trajano, da TVT, foi exibida nesta quinta-feira às 20:00.
Você pode assisti-la no player abaixo. Eu destacaria um ponto:
Lula diz, no minuto 1:49:40 a 1:50:18, que seus advogados lhe asseguravam que ele poderia concorrer sub-judice, e que seu nome estaria nas cédulas, e que “tinha certeza” que ganharia as eleições “de dentro da cadeia”.
O ex-presidente admite, no entanto, que poderia ser cassado após a eleição.

O post A entrevista de Lula à TVT apareceu primeiro em O Cafezinho.
Posted: 13 Jun 2019 06:43 PM PDT
Não só o Brasil irá parar amanhã.
No Uruguai, trabalhadores, trabalhadoras e estudantes dos dois países se uniram para dizer não ao fascismo que representa o governo Bolsonaro.
Veja a convocação do petroleiro uruguaio
Alejandro Acosta, dirigente do sindicato de óleo e gás do país:

Vejam que Acosta convoca “a todos os uruguaios que se encontram afetados com o governo fascista do Bolsonaro a se mobilizar 14 de junho em frente a embaixada brasileira” e finaliza ressaltando a força da união dos trabalhadores uruguaios e brasileiros.
Estudantes residentes no Uruguai também convocaram ato na embaixada e se somaram a greve dos trabalhadores uruguaios.
A resposta ao crescimento do ódio e da extrema direita começa a tomar forma material em seu alcance mundial.
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Posted: 13 Jun 2019 02:10 PM PDT
A entrevista de Glenn Greenwald, um dos fundadores do Intercept, começa no minuto 39:02. O vídeo abaixo já está engatilhado no ponto.
Assista e comente!
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Posted: 13 Jun 2019 02:02 PM PDT
Hoje de tarde o editor do blog O Cafezinho, Miguel do Rosário, participou do programa Bom para Todos, analisando os impactos políticos das revelações feitas pelo site Intercept.
É a partir do minuto 5:35. O player abaixo já está no ponto.
O post Editor do Cafezinho analisa #VazaJato na TVT apareceu primeiro em O Cafezinho.
Posted: 13 Jun 2019 01:54 PM PDT
Hoje pela manhã, vi uma notícia interessante na página do Senado, em que o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, meio que se desculpa pelo vídeo em favor da ditadura postado numa rede social do Planalto. Cruz explica que o vídeo foi postado por engano. Eu até ia escrever que isso era sinal de que o núcleo ideológico do governo estava perdendo o debate interno, mas acabei adiando o texto, e agora, pela tarde, a imprensa divulga que Bolsonaro acaba de demitir Santos Cruz.
Me parece que há ligação direta entre a afirmação do ministro e a demissão. Bolsonaro não admite que a sua narrativa pró-ditadura seja contestada por alguém do governo.
Entretanto, ao fazer isso, Bolsonaro mostrou-se tirânico e sem nenhum tino político, visto que Santos Cruz apenas havia tentado ser diplomático para costurar apoios para o governo.  O general respondia a uma senadora do Cidadania, legenda de centro-direita, cujo eleitorado, porém, não se identifica com os delírios ideológico pró-ditadura de Bolsonaro.
Essa pauta mais ideológica do presidente Bolsonaro, em especial o seu apoio à ditaura militar, não encontra eco nos setores que o elegeram, como mostram diversas pesquisas. A maioria da classe média e dos setores mais instruídos, onde Bolsonaro ganhou com larga margem de voto, são contra a ditadura.
Abaixo, o texto publicado na Agência Senado, sobre a audiência com Santos Cruz.
Vídeo sobre ditadura foi equívoco de funcionário, explica ministro
Por Anderson Vieira | 13/06/2019, 11h21 – ATUALIZADO EM 13/06/2019, 13h22
O ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Alberto dos Santos Cruz, disse que o vídeo com defesa do golpe militar de 1964, divulgado numa rede social do Palácio do Planalto, foi publicado por engano por um funcionário e foi um equívoco, sem nenhum viés político ou ideológico. O ministro esteve nesta quinta-feira (13) na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC), para dar explicações sobre o episódio, a pedido da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).
— O vídeo chegou a um funcionário nosso, que repassou para um servidor da Secretaria de Comunicação, que é quem publica os materiais na rede da Secom. E ele disparou, interpretando que fosse algo relativo a uma campanha de divulgação da Previdência Social. Foi uma divulgação infeliz, uma infelicidade do funcionário, sem nenhum viés ideológico […] Quando ocorre um erro desses num nível governamental, sempre tem essa consequência natural. Mas não tem nada de má-fé, de ideologia ou objetivo político envolvido na questão — garantiu.
Ainda segundo Santos Cruz, o funcionário que pôs o material no ar tem mais de 20 anos de serviço público e já passou por outros governos. Ele foi advertido, mas não formalmente punido.
— Eu conversei com ele e foi esclarecido o cuidado para que esse tipo de erro não seja cometido novamente. Ele foi orientado,[é] uma pessoa de bons princípios. A decisão de punir, formalmente ou não, é minha. Passei minha vida inteira sempre comandando gente, então tenho senso de justiça de saber até onde ir com as medidas disciplinares. Achei que não era o caso de medida disciplinar, mas de correção de rumo de serviço — afirmou.
Outros temas

Os senadores se mostraram satisfeitos com as explicações e partiram para outros assuntos. O ministro falou sobre os problemas de infraestrutura do país e o andamento das parcerias público-privadas para resolver gargalos causados por pelo menos 14 mil obras paralisadas. Segundo ele, o governo tem trabalhado com base em três premissas essenciais para voltar atrair investimentos: estudos técnicos bem-feitos, contratos de longo prazo e ambiente honesto para os negócios.
Indagado pela senadora Eliziane sobre o recente corte orçamentário nas universidades, Santos Cruz afirmou que considera natural a politização do assunto e disse não ver nada de errado na reação de diversos setores.
— O corte que houve no setor foi no geral de 3,5%, que é algo que dá para ser compensado com a parte de gestão. Mas o assunto se politizou e tivemos as reações normais. A sociedade funciona assim. O dinamismo é esse e está tudo dentro da normalidade. O mundo está mudando, e essas reações são por conta da tecnologia. Nada do que aconteceu é absurdo, tudo em ordem. O que mostra uma maturidade enorme — disse, referindo às manifestações de protesto por todo o país.
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Posted: 13 Jun 2019 01:01 PM PDT


Nota Pública – Greve Geral dos Trabalhadores1
A Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), entidade de classe que congrega os 26 sindicatos estaduais, representando 15 mil policiais rodoviários federais de todo o país, vem a público expressar o seu apoio às legítimas manifestações da classe trabalhadora, programada na forma de Greve Geral, no próximo dia 14 de junho, em luta, dentre outras demandas, pela proteção dos direitos previdenciários da população brasileira e contra um modelo de reforma que falha absurdamente na proteção social das classes mais necessitadas e que aparenta se focar no atendimento exclusivo das exigências do mercado financeiro.
Os policiais rodoviários federais, que assim como os demais profissionais de segurança pública, são impedidos por força de decisão do Supremo Tribunal Federal de manifestar sua luta pela valorização e melhoria de sua carreira e condições de trabalho através do direito constitucional de greve, têm participado ativamente dos debates em torno do tema reforma previdenciária.
Desde o início das discussões, ainda em 2017 com a proposta da PEC 287, e posteriormente, com o início da tramitação da PEC 06/2019, a FenaPRF vem alertando os perigos trazidos pelas propostas reformistas, sobretudo na área da segurança pública, com expressivos prejuízos aos policiais e demais profissionais que atuam com risco cotidiano da própria vida em defesa da sociedade.
Por sua característica histórica de luta em defesa dos direitos dos policiais rodoviários federais, trabalhadores destemidos e reconhecidos pela excelência de seus serviços à sociedade brasileira, o sistema sindical dos PRFs exprime seu apoio e solidariedade ao movimento do próximo dia 14, ao passo em que reforça o seu apelo para que a classe política examine com maior atenção e sob a égide da defesa irrestrita do bem estar e interesse do povo brasileiro (e não da classe financeira) o tema Previdência e Assistência Social, conquistas constitucionais históricas da nossa nação.
Brasília, 13 de junho de 2019.
Diretoria Executiva da FenaPRF
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19/6 - Greenwald e o depoimento de Moro. “Ele disse pouco”

FONTE: http://www.tijolaco.net/blog/greenwald-e-o-depoimento-de-moro-ele-disso-pouco/ Greenwald e o depoimento de Moro. “Ele disse pouco...