A dobradinha do ex-juiz Sérgio Moro com a Rede Globo, que tem sido intensa desde 2015, permaneceu intacta até este último domingo, 28 de julho de 2019. Ao noticiar sobre o suposto ‘hacker de Araraquara’, o JN desta semana e o programa Fantástico esconderam e não deram importância jornalística às contradições existentes nos depoimentos e nem às ações de Sérgio Moro como ministro que causaram muita repercussão durante a semana.

A repercussão das atitudes de Moro foram tão grandes que o presidente da OAB afirmou que o ministro agia como “chefe de quadrilha”. A Globo também tenta esconder, como “o gato enterra as fezes” às revelações das últimas conversas dos procuradores da Lava Jato. LINK
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(imagem divulgação – globo – prêmio a Sérgio Moro)

Simples assim. Zero segundos de jornalismo. Mas a situação foi bem diferente nas vésperas do primeiro turno das eleições, quando ocorreu um dos pontos altos da dobradinha Moro-Globo.
No dia 1 de outubro de 2018, uma semana antes do primeiro turno das eleições presidenciais, o JN deu quase 9 minutos para a divulgação da delação de Palocci, que Moro havia acabado de tornar pública.

Moro divulgou a delação na véspera da eleição. O detalhe é que a delação foi recusada pelo próprio Ministério Público Federal, mas depois aceita pela Polícia e pelo colega de Moro no TRF-4. No vazamento de hoje sobre a Lava Jato, publicado pela Folha de S.Paulo, é revelado que o próprio Moro confessou que a delação era “fraca”. Mesmo assim, a usou como arma política, o que o ajudou a se tornar ministro.

A Folha relembra que o acordo de Palocci com a PF foi homologado em junho de 2018 pelo juiz João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O Ministério Público havia recusado e se manifestado contra.

Veja trecho da reportagem:


O depoimento divulgado por Moro com os termos da delação de Palocci foi tomado pela polícia em abril de 2018. Nele, o ex-ministro disse que Lula autorizou o loteamento da Petrobras pelos partidos que apoiavam seu governo e sabia que eles recolhiam propina das empreiteiras que faziam negócios na estatal, como a Odebrecht.

Além disso, Palocci disse à PF que as campanhas da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014 receberam dinheiro de caixa dois e custaram muito mais caro do que os registros oficiais indicam. Somadas as duas campanhas, ele estimou que elas haviam custado R$ 1,4 bilhão, o triplo do que foi declarado.

Embora Palocci não tivesse apresentado provas das alegações sobre Dilma e sua narrativa fosse essencialmente uma repetição do que dissera antes ao depor à Justiça, o depoimento divulgado por Moro alcançou grande repercussão na reta final da campanha presidencial.

No dia 1º, o assunto ocupou quase nove minutos do Jornal Nacional, da TV Globo. A reportagem citou duas vezes a ligação do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli com a campanha do então candidato presidencial do PT, Fernando Haddad, que aparecia em segundo lugar na corrida eleitoral, bem atrás do favorito, Jair Bolsonaro (PSL).

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Carta Campinas