Qua 30/06/21 17:39
De: Altamiro Borges <noreply+feedproxy@google.com>
Wizard é acusado de charlatanismo na CPI Posted: 30 Jun 2021 12:48 PM PDT Do Jornal GGN:
O bilionário bolsonarista Carlos Wizard foi acusado de charlatanismo e crime contra a humanidade pelos senadores de oposição ao governo Bolsonaro durante a oitiva da CPI da Covid no Senado, na manhã desta quarta (30), ao defender o tratamento precoce com cloroquina para pacientes com coronavírus.
Wizard, por orientação de advogados e amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, permaneceu em silêncio durante toda a intervenção do relator da CPI, Renan Calheiros.
O empresário se recusou a responder todas as perguntas, exceto uma: negou que suas empresas tivessem envolvimento direto no negócio das vacinas contra o coronavírus.
Apesar do direito ao silêncio, que será estendido ao longo da CPI, Wizard tem de ouvir as perguntas e assistir aos vídeos separados pela comissão.
No momento que Renan exibiu uma gravação em que o empresário diz que o tratamento precoce com cloroquina foi o que salva vidas na cidade de Porto Feliz (SP), os senadores Humberto Costa, ex-ministro da Saúde, e Otto Alencar, que é médico, se revoltaram com a posição de Wizard.
No vídeo, ele ainda sorriu ao falar que “apenas cinco pessoas” morreram naquele município, porque “ficaram em casa”. Em seguida, ele defendeu que o falso tratamento precoce com cloroquina fosse usado em todo o País.
O senador Costa disse que o empresário, irresponsavelmente, praticou medicina ilegal e incorreu no crime de charlatanismo, ao propagar um tratamento ineficaz contra covid-19.
Alencar e Renan Calheiros disseram que se trata de crime contra a saúde pública e crime contra a humanidade. Apesar das acusações, Wizard permaneceu em silêncio.
“Estou satisfeito pelas perguntas que fiz e pelas respostas que não obtive”, disse o senador Renan Calheiros ao concluir sua intervenção.
Para parte dos senadores, Wizard tinha um interesse especial na compra de vacinas por empresas privadas que será investigado mesmo sem a colaboração do empresário.
Wizard era “conselheiro” do ex-ministro Eduardo Pazuello. Ele teria feito parte de um “conselho” de empresários cuja missão era analisar “contratos bilionários do Ministério da Saúde” para compra de remédios e insumos durante a pandemia.
O bolsonarista ainda teria recusado um convite para ser secretário da Pasta.
Wizard é defendido pelo advogado Alberto Toron.
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Vacina, só com propina Posted: 30 Jun 2021 12:34 PM PDT Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:
Nunca me convenci de que foi por um misto de incompetência com negacionismo, vale dizer, ignorância, que o governo Bolsonaro deixou de comprar vacinas na hora certa, quando todos os países faziam suas encomendas, evitando milhares de mortes.
O que fomos descobrindo a partir da instalação da CPI ontem foi escancarado: eles só topavam comprar vacinas de fabricantes que aceitavam pagar propina.
Duas bombas estouraram na noite de ontem, mais um dia de São Pedro sem fogueira por causa da infindável pandemia, e o estrépito produzirá uma quarta-feira turbulenta.
Conforme revelou à Folha de São Paulo o executivo Luiz Paulo Domingueti, que representava a fabricante Davati Medical, para comprar 400 milhões de doses do imunizante Astrazeneca, "o grupo" que operava a corrupção no Ministério da Saúde exigia que US$ 1 fosse acrescido ao preço de cada dose e repassado ao esquema. Isso representava uma propina de R$ 2 bilhões.
Quem lhe propôs a trampa foi Roberto Dias Ferreira, o diretor de logística que mais pressionou o funcionário Luis Ricardo Miranda para liberar a importação da Covaxin apesar das irregularidades.
Foi exonerado ontem mesmo.
Em seguida, outro estouro.
A revista Crusoé revelando que o lobista Silvio Assis, num encontro em que estava presente o próprio deputado Ricardo Barros, lhe ofereceu uma propina de R$ 6 milhões se seu irmão parasse de embarreirar a compra da vacina Covaxin.
Ganharia US$ 0,6 em cada dose.
Ou, com o dólar aa R$ 5, ganharia R$ 0,30 por cada vacina. A casa agora caiu mesmo.
Roubar na compra de vacinas não é só roubar dinheiro público.
É matar brasileiros com a demora na aquisição, em busca de negócios sujos.
Bolsonaro pessoalmente embarreirou o quanto pode a compra da Coronavac. E agora podemos pensar que o problema não era pela origem chinesa ou pelo protagonismo do governador João Dória no acordo inicial com o fabricante Sinovac.
Pazuello cozinhou a Pfizer de maio de 2020 a março deste ano, quando finalmente foi assinado o contrato para aquisição da vacina mais usada no mundo.
E podemos pensar, sim, que demorou tanto porque não se apresentaram as condições para um pedido de propina.
Compraram quando o desgaste do governo com a mortandade exigia alguma resposta.
Mais de uma vez ouvi de pessoas experientes: vocês, jornalistas, precisam tratar deste problema das vacinas com outros olhos.
Negócios bilionários não acontecem sem intermediários e sem corrupção. Mas, além da dificuldade para investigar, eu não achava que a desumanidade deste governo chegasse a tanto.
Ontem no Boa Noite 247 o José de Abreu nos mandou uma mensagem com aquele seu poder de síntese: "um dólar por dose, duas doses para cada pessoa, dois dólares pelo direito de viver ou morrer".
Eu emendo em reais, com o dólar a R$ 5: para eles, R$ 10 era o valor de uma vida a ser salva.
A implicância de Bolsonaro com as vacinas sempre me deixou o comichão da dúvida: se ele combate tanto o isolamento social porque isso prejudica a economia, será burro ao ponto de não entender que só a vacina pode trazer mais rapidamente a normalização econômica?
Mas isso era no começo, quando o negócio era retardar a compra, pois vacina, só com propina!
Ontem Bolsonaro postou vídeo numa rede dedicado a falar de corrupção em outros governos, exaltando a limpeza do seu e a qualidade de seu ministério. Anseio por saber o que dirá hoje.
Roberto Ferreira Dias foi exonerado ontem mesmo.
Mas ele era um operador e temos que saber de quem. O ainda líder Ricardo Barros nega tê-lo indicado para o cargo. O empresário Domingueti deve ser ouvido na sexta-feira pela CPI da Covid.
O senador Omar Aziz quer também as imagens das câmeras do restaurante O Vasto, onde ele ouviu a proposta de Roberto Dias Ferreira.
Trata-se de um restaurante da rede Coco Bambu, cujo dono, Afrânio Barreira, é notório bolsonarista e defensor da cloroquina e do tal tratamento precoce.
E para completar: estamos em vésperas de eleições.
Este esquema tem todo o jeito de que era destinado a financiar campanhas no ano que vem.
A de Bolsonaro para a reeleição e a de seus aliados para governos estaduais e para o Congresso. Mas talvez Bolsonaro não possa concorrer, pois o impeachment agora encontrou seu lugar na agenda do país.
Hoje mesmo haverá a apresentação do super-pedido, que deve incluir as duas últimas bombas. |
A caçada a Lázaro e o projeto de Bolsonaro Posted: 30 Jun 2021 12:26 PM PDT Por Moisés Mendes, no Diário do Centro do Mundo:
A direita sabe tirar proveito de episódios como esse do cerco que resultou na execução de Lázaro Barbosa.
A direita (e não só a extrema direita) faz bem mais do que comemorar.
A Internet e as redes de Whats estão cheias de textos com notas fakes atribuídas a políticos da esquerda, principalmente os que têm os nomes vinculados à luta pelos direitos humanos.
São caluniados com a informação de que estariam dispostos até a contratar advogados para defender a família de Lázaro.
Outros são apontados como autores de mensagens em que lamentam a morte do bandido.
Não vou citar nenhum dos difamados, não porque possa achar que corro o risco de contribuir para a disseminação de bobagens e injúrias. Não imagino que meus textos sejam lidos por imbecis. Não divulgo porque a tática toda é muito nojenta.
Para a direita, um Lázaro é um troféu. Comemoram a execução, propagam que esse é o único jeito de fazer justiça, destacam o heroísmo da polícia e contribuem para que nada seja esclarecido.
Lázaro matava sob encomenda.
Os mandantes dos crimes devem estar comemorando mais do que a população da região onde ele foi executado, em Cocalzinho de Goiás.
O outro ponto a favor da direita e da extrema direita é o que transforma a ação da polícia não só em ato de bravura e justiça sumária, mas em modelo a ser seguido e aperfeiçoado para perseguir inimigos.
Bolsonaro, que publicou a exclamação miliciana “CPF cancelado”, comemorando a ação, quer contar com as polícias para disseminar violência política, e não mais só contra negros e pobres.
Matar um bandido, para provocar comoção, na cabeça de Bolsonaro, agora é parte de um treinamento. Lázaro preso não valeria quase nada, até porque poderia fugir de novo, é o que a direita diz.
Os ensaios estão proliferando por toda parte.
Este ano, o Brasil teve muitos casos de arbitrariedades policiais, incentivadas pelo fascismo bolsonarista, com cunho claramente político.
Uma chacina da PM do Amazonas, em 12 de junho, na cidade de Tabatinga, matou sete pessoas.
Foi a vingança pela morte de um sargento.
Um policial gritou durante a matança que imperava agora “a lei de Bolsonaro”.
O sonho de Bolsonaro é ter milícias fardadas, criadas dentro das polícias militares, ao lado de milícias civis, todas misturadas às Forças Armadas.
É um delírio que ele está levando em frente, sob o silêncio dos militares que o protegem, e que em pouco tempo não será mais apenas o projeto de um alucionado.
Bolsonaro acha que pode fazer no Brasil o que aconteceu na Bolívia em 2019, quando motins de polícias prepararam o clima para a derrubada de Evo Morales e empurraram os generais covardes para o golpe.
Cada ato, como esse da execução de Lázaro, acaba sendo um ensaio para o que Bolsonaro imagina como cenário ideal para o golpe que ele planejada desde que assumiu.
As polícias são fortalecidas, a arbitrariedade e a violência se impõem, em nome do combate ao banditismo, e os grandes bandidos milicianos, aliados dos Bolsonaros, continuam atuando. |
O trabalho em agências de comunicação Posted: 30 Jun 2021 11:56 AM PDT |
A mobilização pelo impeachment de Bolsonaro Posted: 30 Jun 2021 11:47 AM PDT |
Dados e privacidade na rede: seus direitos Posted: 30 Jun 2021 11:44 AM PDT |
O que está acontecendo na Colômbia? Posted: 30 Jun 2021 11:42 AM PDT |
Corrupção: Bolsonaro está nu! Posted: 30 Jun 2021 11:40 AM PDT |
A entrega superpedido de impeachment Posted: 30 Jun 2021 11:57 AM PDT |
O mercado da morte do "Centrão" Posted: 30 Jun 2021 11:35 AM PDT |
Sikêra Junior será punido por homofobia? Posted: 29 Jun 2021 08:43 PM PDT
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Charge: Khalid Cherradi/MarrocosPor Altamiro Borges
Sikêra Junior, o bolsonarista que recentemente garfou R$ 120 mil de “jabá” para bajular o governo federal, talvez precise de mais grana para pagar as suas dívidas. Haja cachê, propinas e outras maracutaias! Nesta segunda-feira (28), o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul ajuizou uma ação civil pública contra o apresentador por seus comentários homofóbicos na RedeTV! e solicitou que a Justiça obrigue o fascista e a emissora que transmite o “Alerta Nacional” a pagarem uma indenização milionária de R$ 10 milhões por “danos morais coletivos”.
O MPF-RS alega que a ação do radialista, “além da ameaça constante nas próprias falas, de teor discriminatório e de preconceito, de descabida associação entre a homossexualidade e a prática de crime associado à pedofilia, estimula a violência contra este grupo, caracterizando discurso de ódio e menosprezo pelo ordenamento jurídico". O MPF, através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, lembra ainda “que a chamada ‘agenda conservadora', muitas vezes pautada em dogmas, permeia-se por preconceitos, mas que não por isso deixam de ser ilegais”.
Criminoso é ícone do bolsonarismo
Como lembra o site Congresso em Foco, Sikêra Junior – "um dos ícones do bolsonarismo, a ponto de já ter entrevistado o presidente em seu estúdio" – é famoso por seus programas de estímulo ao ódio e à violência. “Ele tem um histórico de falas de cunho LGBTQfóbico, que voltaram à tona no último final de semana, após um comercial de uma rede de hambúrgueres mostrar crianças opinando favoravelmente à diversidade sexual”.
Além da ação do MPF-RS, Sikêra Junior também poderá ser punido por seus próprios patrocinadores. Os ataques aos gays – chamados de “raça desgraçada”, “raça do cão e “nojentos” – e também à rede Burger King, pela campanha a favor da diversidade, já resultou em cancelamento de anúncios publicitários. Segundo o site “Notícias da TV”, em matéria postada na segunda-feira (28), ao menos três anunciantes já tiraram seu patrocínio do programa "Alerta Nacional" e outros estão sendo pressionados nas redes sociais a seguir o mesmo caminho.
A campanha #DesmonetizaSikera
Já o jornalista Guilherme Amado informa no site Metrópoles que “no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, o movimento Sleeping Giants Brasil lançou uma campanha para tentar pressionar marcas a pararem de anunciar no programa do apresentador bolsonarista Sikêra Junior... A campanha #DesmonetizaSikera pede para que as empresas anunciantes do programa encerrem os contratos de publicidade. Entre elas estão a Caixa Econômica, a rede de farmácias UltraFarma e a construtora MRV”.
Em tempo: Sikêra Junior é uma excrecência da tevê nativa – a exemplo de tantos outros bandidos que exploram os piores instintos humanos. Além dos crimes de homofobia, ele também já foi acusado de racismo e misoginia em ações movidas pelo Ministério Público. Bolsonarista convicto, ele ganha fortunas com seus espetáculos dantescos. Em síntese, o apresentador é um criminoso – acobertado por uma emissora criminosa, a RedeTV!, que ainda hoje usufrui de uma concessão pública de televisão.
Flávio Rachadinha, a Precisa e o BNDES
Posted: 30 Jun 2021 12:07 AM PDT
Por Altamiro Borges
O senador Flávio Bolsonaro, também apelidado carinhosamente de “Flávio Rachadinha”, está metido em mais um rolo. Segundo a revista Veja, o filhote 01 do presidente da República se reuniu com o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos – a empresa que intermediou a sinistra compra da vacina indiana Covaxin – e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano.
O encontro virtual, através de uma videoconferência, ocorreu em 13 de outubro de 2020 e constou da agenda oficial da instituição federal. Flávio Bolsonaro, Francisco Maximiano e Gustavo Montezano trataram dos negócios da XIS Internet Fibra, outra firma do proprietário da Precisa Medicamentos. O BNDES não explicou a razão da participação do senador.
Também sem explicar o motivo da sua presença, o pimpolho mimado reagiu indignado à “insinuação maldosa” da revista: “Eu o conheço, sim, de amigos em comum, como conheço milhares de pessoas. No entanto, não tenho nenhuma relação financeira com ele”. Francisco Maximiano é mais sujo do que pau de galinheiro. Baita amigão “em comum” do Flávio Rachadinha!
A folha corrida de Francisco Maximiano
Como lembra o site Metrópoles, “Maximiano tem histórico de contratos contestados por órgãos de investigação, além de ser alvo de processos judiciais de cobranças de dívidas. Desde 2012, ele também é sócio da Global Gestão em Saúde e atua em outras nove empresas, quatro delas do ramo da saúde”.
“A Global firmou contratos com o governo federal na época que Ricardo Barros (Progressistas-PR) era ministro da Saúde e vendeu remédios de alto custo ao Ministério da Saúde, mas não entregou. O prejuízo estimado é de R$ 20 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público Federal move ação contra a empresa e cobra R$ 119 milhões por danos coletivos”.
“A mesma empresa foi multada em R$ 2,3 milhões pela Petrobras por não cumprir contrato de fornecimento de medicamentos a funcionários da estatal. A Precisa Medicamentos também é investigada pelo MPF na operação Falso Negativo, que apura a venda de testes rápidos contra a Covid-19 a preços superfaturados e qualidade inferior. O contrato fechado pela Precisa é de R$ 20 milhões”.

Irmão do “apóstolo” charlatão morre de Covid
Posted: 29 Jun 2021 09:46 PM PDT
Por Altamiro Borges
Da trágica série “A vida é irônica e cruel”. A imprensa informa que o bispo Vanderley Santiago, de 53 anos, morreu de Covid-19 nesta segunda-feira (28), em São Carlos, no interior de São Paulo. Ele era irmão do apóstolo Valdemiro Santiago, o chefão da Igreja Mundial do Poder de Deus que vendia sementes de feijão sob a bravata de que elas teriam eficácia para a cura da doença.
Segundo informações da prefeitura da cidade, o religioso procurou atendimento no Centro de Triagem do Ginásio Milton Olaio Filho e, posteriormente, foi transferido para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Santa Felícia, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ele havia testado positivo para a Covid-19 e já havia tomado a primeira dose da vacina.
Sementes de "feijão mágico" por mil reais
A morte do pastor talvez abale o mercador da fé que fundou e fez fortuna com a Igreja Mundial do Poder de Deus e que, recentemente, voltou ao noticiário com a venda do seu “feijão mágico”. Como lembra o site G1, “o apóstolo Valdemiro Santiago vendia as sementes de feijão por valores entre R$ 100 a R$ 1 mil”, jurando que que elas curariam da Covid-19.
O Ministério Público Federal inclusive abriu uma investigação contra o apóstolo por “indícios de estelionato” com base em vídeos postados incentivando os fiéis a comprarem as sementes. “Na ação, o MPF afirma que os feijões não curam e são propaganda ‘enganosa’. Em outubro passado, a Justiça determinou que o governo informasse no site do Ministério da Saúde se havia ou não eficácia comprovada das sementes de feijão no combate à doença”, ironiza o site da Globo.
Quebra de sigilo bancário e fiscal
Além do falecimento do irmão, o ricaço teve outra péssima notícia em meados de junho. Segundo o site UOL, “a juíza Rossana Luiza de Faria determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus. A decisão, que atinge também as contas de Mateus Machado de Oliveira, ex-presidente da igreja, foi tomada em decorrência de uma dívida no aluguel de um imóvel em Carapicuíba (SP), no qual funcionava um templo da Mundial”.
O proprietário do imóvel na região metropolitana de São Paulo cobra cerca de R$ 248 mil da igreja, entre aluguéis e encargos. “O advogado Carlos Aberto Pereira, que representa o locador, disse à Justiça haver indícios de que valores doados pelos fiéis foram ‘ocultados’ nas contas bancárias de Valdemiro. O sigilo foi quebrado pela Justiça justamente para descobrir se há confusão patrimonial entre as contas da igreja, do apóstolo e do ex-presidente”.

Superpedido de impeachment: Fora Bolsonaro
Posted: 29 Jun 2021 09:22 PM PDT

Editorial do site Vermelho:
A apresentação do chamado superpedido de impeachment contra Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (30), pode deflagrar uma fase decisiva da luta para conter a marcha da extrema direita. A ação reúne mais de 100 pedidos de organizações do movimento popular, partidos políticos e personalidades de um amplo espectro político e social.
Há muitas razões para justificar o afastamento de Bolsonaro, a começar pelas que estão mais relacionados à conduta irresponsável do governo quanto à pandemia da Covid-19. Depois de atacar a vacina e menosprezador sua importância, protelou a aquisição do imunizante. Enquanto isso, foi o único governante no mundo a estimular o uso de Cloroquina e a pôr a máquina governamental para produzir e adquirir o medicamento desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Por fim, surgiram as denúncias de corrupção para a aquisição da vacina indiana Covaxin.
O superpedido tem uma extensa lista de crimes atribuídos a Bolsonaro. O rigor na apuração certamente resultará na constatação cabal de que seu governo perdeu a razão de ser, de continuar praticando atos de barbárie contra a nação e o povo. E tende a elevar ainda mais a temperatura política no país, já próxima da ebulição como demonstra o ambiente desfavorável a Bolsonaro, revelado pelas pesquisas. Seu isolamento crescente chega à sua base política e aos seus eleitores, ao passo que ganha cada vez mais força a mobilização social, como demonstra a realização de duas grandes manifestações (M29 e J19) e a convocação de uma terceira para o próximo sábado (J3).
Nesse contexto, é preciso reforçar o pedido de impeachment e a necessidade de uma frente ampla para pôr fim ao governo Bolsonaro. Entre os atos atentatórios de Bolsonaro estão: atacar as instituições e aos demais poderes da República; utilizar órgãos públicos em seus favor, de seus familiares e amigos; estimular e provocar animosidades contra outras nações; desrespeito à liberdade de expressão e agressões à jornalistas e veículos de comunicação; não oferecer apoio suficiente aos trabalhadores, empresas, estados e municípios durante a pandemia de Covid-19, além de confrontar, irresponsavelmente as medidas e recomendações das instituições médicas e científicas ao longo de toda a crise sanitária que já perdura quase um ano e meio. É importante enfatizar que tudo o que ele faz e proclama como intenção se relaciona ao seu projeto de poder. Sua ideologia representa a sobrevivência de um pensamento que não despreza as regras do Estado Democrático de Direito, um comportamento político que tem no autoritarismo a base para governar.
Em um cenário de crise grave do capitalismo, que atinge os países da periferia com mais intensidade, esse pensamento tende a ganhar espaço e, consequentemente, ousa marchar contra as instituições democráticas. Com a falsa promessa de tirar o país da crise sem mexer em seus mecanismos de sustentação, resta o caminho da agressão aos que se opõem a esse projeto autoritário, manual seguido à risca por Bolsonaro. Os resultados são absolutamente previsíveis, como demonstram os ciclos em que o Brasil se viu submetidos a políticas de Estado de exceção, em especial a ditadura militar.
Além do autoritarismo, esse projeto de poder representa a destruição da nação. Na atual conjuntura, ele procura se assentar no leito da crise do projeto neoliberal, impondo verdadeiros atentados à soberania nacional e à regência do Estado pela Constituição. Numa definição: o bolsonarismo representa a destruição do país, com o entreguismo e a corrupção, e, na mesma proporção, uma ameaça à democracia. São constatações que estão na essência do superpedido de impeachment.
O banqueiro e o sem-terra
Posted: 29 Jun 2021 09:13 PM PDT

Por Frei Betto, em seu site:
Terça, 10 de maio de 2005, São Paulo, capital. A pedido de Olavo Setúbal que, com frequência, me convidava para almoçar na sede do banco Itaú, no Jabaquara, daquela vez levei João Pedro Stédile, dirigente do MST. Homem culto e aberto, o banqueiro já me havia dito que preferia conversar com quem não pensava como ele.
No pequeno recinto improvisado em bistrô, Setúbal indagou de Stédile: “O que pensa do presidente Lula?” João Pedro enumerou os avanços do governo do PT e admitiu o atraso na reforma agrária. E devolveu a pergunta: “E o senhor, o que pensa de Lula?” “Uma decepção” – disse o banqueiro – “para quem esperava algo dele. Como eu não esperava nada, considero-o um gênio, um gênio!”, repetiu enfático.
Setúbal tinha razões para tanto entusiasmo. Em pouco mais de dois anos de governo, o PT havia reduzido o desemprego, aumentado o salário mínimo acima da inflação e o poder de consumo da população e segurado a inflação.
Em 17 de fevereiro de 2004, a “Folha de S. Paulo” e a UOL haviam anunciado que “nunca os bancos brasileiros lucraram tanto como no primeiro ano do governo Lula. As duas maiores instituições privadas do país encerraram 2003 com os maiores resultados positivos da sua história.” E “O Globo” destacou em 25 de fevereiro de 2011: “Na Era Lula, bancos tiveram lucro recorde de R$ 199 bilhões”.
Agora, em 25 de junho, em entrevista à TV 247, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que “o golpe contra Dilma Rousseff foi resultado das políticas dos governos petistas que levaram à redução das margens de lucro do grande capital, nacional e internacional”. E acrescentou: “Em 2011, começamos a interferir na entrada de capital volátil. Taxamos o mercado de derivativos, que é onde a coisa pega, onde se tem um conjunto grande de investimentos. Então, os capitais que vinham aqui, com a vida fácil, ganhar todo esse lucro, passaram a não ter mais esse lucro. Compramos uma briga com cachorro grande, com os grandes fundos internacionais e o capital financeiro internacional”.
A conspiração para derrubar Dilma teve início quando os bancos públicos passaram a ganhar competitividade em relação aos bancos privados, cujos lucros caíram. “Depois, em 2012-2013, começamos a atacar o spread dos bancos. Liberamos os bancos públicos para colocar mais crédito na economia com juros menores, fazendo concorrência. Os bancos privados baixaram o spread a contragosto. Fizemos inclusive uma campanha contra as tarifas dos bancos, que eram enormes no Brasil”, lembrou Mantega.
Diante disso, “começou a ter matérias na The Economist e no Financial Times criticando a nossa gestão, dizendo que estávamos intervindo. Eles estavam respondendo aos interesses do grande capital internacional. E os bancos locais também ficaram possessos com as nossas atividades, porque foi a primeira vez que o lucro deles começou a cair. Os bancos brasileiros tinham lucros maiores até que os bancos americanos, proporcionalmente”.
A pergunta é pertinente: haverá futuro para o Brasil e o mundo enquanto o capital financeiro tratar o planeta como um imenso cassino e perseguir, como prioridade, o aumento de sua riqueza privada?
Parece que a resposta é não. Segundo o Relatório de Riqueza Global, divulgado em 24 de junho pelo banco Credit Suisse (o que tornam os dados insuspeitos), em 2020 quase metade da riqueza total do Brasil (49,6%) ficou em mãos do 1% mais rico da população (pouco mais de 2 milhões de pessoas). Vinte anos atrás esse segmento privilegiado detinha 44,2%. No âmbito global, 10% mais ricos concentram em mãos 82% da riqueza mundial, sendo que quase a metade (45%) em mãos do 1% superprivilegiados.
Apenas a Rússia concentra mais riqueza que a elite do Brasil. Isso poderia ser corrigido pela atual reforma tributária, que dá um tímido passo ao tributar dividendos dos acionistas de empresas. Deveria também, para ser efetiva, isentar todos que ganham, por mês, até 10 salários mínimos; adotar o imposto progressivo; cobrar Imposto Territorial Rural das propriedades do campo; e tributar as heranças, exceto pequenos valores.
Pesquisa recente do Datafolha para a Oxfam Brasil constatou que a maioria dos brasileiros (56%) é favorável a aumentar a tributação dos mais ricos para financiar políticas sociais e, assim, reduzir a desigualdade social. E nove em cada dez pesquisados defendem que a prioridade do governo deveria ser a redução da desigualdade social.
Quando a humanidade se convencerá de que os direitos humanos devem prevalecer sobre os supostos direitos do capital privado?
* Frei Betto é escritor, autor de “Minha avó e seus mistérios” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org
CPI começa a revirar o ‘Ricardo de Lama”
Posted: 30 Jun 2021 12:09 AM PDT
Por Fernando Brito, em seu blog:
“Eu sei me defender” diz, desafiador, o deputado Ricardo de Barros, de quem o Estadão afirma ser o senhor do “feudo das vacinas” que teria o PP no Ministério da Saúde.
Vai precisar saber defender-se, mesmo, porque há fartíssimo material que aponta a influência política do “Centrão” – e do próprio presidente da Câmara nas compras milionárias do Ministério da Saúde, desde o governo Temer.
Na Folha, informa-se que seu advogado particular, Flavio Pasieri, participou de pelo menos uma reunião com a Anvisa para liberar a importação da Covaxin indiana.
No mesmo jornal, Cristina Serra recorda que a turma de Barros articulou a compra de um medicamento ineficaz para leucemia infantil em 2017, que resultou numa denúncia por improbidade administrativa contra vários servidores do Ministério da Saúde feita pelo Ministério Público Federal, entre eles Marco Antonio Fireman, protegido de Arthur Lira, o hoje presidente da Câmara.
No Poder360, o repórter Guilherme Waltenberg revela que “no dia 15 de abril, Queiroga teve uma reunião com o líder do Governo, Ricardo Barros . Junto com ele, estava Alan Eccel”, que vem a ser ninguém menos que o diretor de importação da rede varejista Havan, empresa de Luciano Hang.
Hang, Wizard e Barros foram parte essencial da corrida de Arthur Lyra para aprovar um projeto de lei permitindo a compra privada, por empresas, de vacinas, um grossa picaretagem que nem o Senado aceitou engolir.
E não esqueçamos o caso da compra feita por Barros, quando ministro, à Precisa Medicamentos, à época denominada Global Saúde.
Nessa empreitada, teve a companhia de outro nome manjado em Brasília, um certo Davidson Tolentino, a que tentar dar um mandato da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Houve uma grita tão grande – inclusive a demissão do diretor interino do órgão, em protesto – que Michel Temer teve de retirar a indicação.
O cidadão está hoje, indicado por Bolsonaro, numa bem paga diretoria da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), aquela que Jair Bolsonaro usa para distribuir recursos para deputados até mesmo no Aamapá, a milhares de quilômetros do hoje seco “Velho Chico”.
É tanta coisa que conviria manter na CPI apenas os casos relativos às vacinas e abrir-se uma investigação paralela sobre a roubalheira de “Ricardo de Lama”, como já chamam Barros, com ironia.
Do contrário, como com as história de Sherazade da lenda, a CPI terá de ser prorrogada por 1001 noites.

A questão militar no Brasil
Posted: 29 Jun 2021 02:32 PM PDT
E a eleição de Lula e o povo na rua
Posted: 29 Jun 2021 02:31 PM PDT
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