Famosos Que Partiram |
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Posted: 29 Jun 2015 03:35 PM PDT
(80 anos)
Comerciante, Farmacêutico, Militar e Político
☼ Antônio Dias, MG (22/08/1840)
┼ Antônio Dias, MG (28/06/1921)
Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito
foi um comerciante, farmacêutico, militar e político brasileiro. Nasceu
no dia 22/08/1840 na então freguesia de Nossa Senhora de Nazaré de
Antônio Dias Abaixo, hoje município de Antônio Dias, pertencente a
Itabira, no interior do estado de Minas Gerais, sendo filho do professor
primário Antônio de Britto e de Theresa Umbelina.
Casou-se com Anna Angélica de Carvalho Britto, nascida em 1849, filha de José Antonio Carvalho e Maria Carvalho, e juntos tiveram três filhos: Drº José Tomás de Carvalho, casado com Josefa de Miranda Britto; Drº Manoel Tomás de Carvalho, casado com Elisa Robertina de Albuquerque, e Drº Eusébio Tomás de Carvalho Britto, casado com Ernestina Lage de Britto, dos quais se originaram 21 netos e 38 bisnetos até a data do centenário de Fabriciano, em 22/08/1940.
Trajetória
Felisberto cursou o primário na Escola de Meninos
de sua cidade natal, tendo ainda pequeno aprendido o ofício de
sapateiro, profissão que exerceu durante sua juventude. Posteriormente
atuou como comerciante e farmacêutico, herdando do sogro, José Tomás Pereira,
uma casa comercial de gêneros, armarinhos e tecidos. Esse
empreendimento modernizou-se a partir das viagens que fez ao Rio de
Janeiro, de onde trazia mercadorias variadas e encomendas para a
população da localidade.
Anos
mais tarde, tornou-se um líder local, passando a exercer, por nomeação,
diversos cargos públicos: Escrivão do Cartório de Paz e da Subdelegacia
de Polícia em 1862, subdelegado de polícia em 1876, agente dos Correios
em 1877 e primeiro suplente de Juiz Municipal para o Distrito de
Antônio Dias em 1888.
Fabriciano e Anna Angélica
Fabriciano,
depois de ter tido uma pequena fábrica de sapatos (ele também tinha o
ofício de sapateiro e trabalhava junto com os seus empregados),
estabeleceu-se como negociante. Enquanto ele ficava na loja e fazia
sapatos, Anna Angélica dirigia a casa, cuidava dos filhos, fazia
biscoitos para vender na loja, costurava calças e camisas para os
fregueses e cuidava da cozinha. Era uma abelhinha para trabalhar.
Quantas vezes a gente a ouvia dizer, mostrando as mãos: "O que estas mãos sagradas não fazem, quem há de fazer?".
Neste tempo, Antônio Dias
era um pequeno arraial, que não deixava de ter os seus atrativos no seu
aspecto bucólico. A igreja fora construída pelo bandeirante Antônio Dias,
que morreu e foi sepultado na terra a que deu o nome. Existe uma lápide
com o nome do fundador e o ano do seu falecimento na porta da igreja, o
que representa uma contribuição histórica para a cidade. Em frente, na
outra margem, no alto do morro, o Cruzeiro. Embaixo, o rio Piracicaba,
em cujas margens se alinhava o casario, formado de casas de estilo
aproximado ao colonial simples, com portas e janelas geralmente azuis e
com paredes brancas.
Na praça da matriz se encontrava a loja de Fabriciano
e do lado esquerdo o rancho que servia para receber as cargas e os
arreios da tropa, no tempo em que funcionava a loja. Do lado direito, a
casa de moradia, com graciosas janelas e a porta de entrada com a
indefectível cancela.
Neste
tempo, a população devia ser de 1.500 a 2.000 habitantes. As ruas eram
assim denominadas: Rua de Baixo, Rua de Cima, Bonfim, Sítio, Beco da
Ponte. Tudo simples, respirando paz. Distrações não havia ou a custo
encontradas nas banalidades do dia-a-dia. Por exemplo, se os que
chegavam a cavalo, despertavam os que estavam tranquilos em casa, com o
tropel nas pedras da rua, de todas as janelas surgia gente curiosa para
saber quem era e logo a notícia corria. Sabe quem está na terra? Se era
gente de fora, hospedada na casa de Fabriciano, logo logo, aparecia gente para conversar, para saber novidades ou para contá-las. Uma delas era Andrelina de Castro, filha de Joaquim Tito, o sapateiro auxiliar de Coronel Fabriciano, afilhada da casa da qual participava da intimidade, passando lá diariamente, várias horas. Ao chegar ia logo dizendo: "Louvado seja Cristo, meu padrinho ou... minha madrinha".
Era
uma mulher de inteligência rara. Estudou as primeiras letras e através
da leitura de jornais e de um outro livro que lhe caía nas mãos, chegou a
adquirir uma cultura invulgar. Sabia opinar a propósito de tudo, dos
fatos corriqueiros da terra à política, que ela conhecia como ninguém.
Era muito alta, dentes bons lhe enfeitavam o riso franco. Não era
bonita. Quando se empolgava e defendia seus pontos de vista,
levantava-se da cadeira e andava de um lado para outro, gesticulando e
falando em tom de oratória. Conhecia História Geral e Religião.
Os Filhos de Fabriciano
Além do filho doutor, Manoel Tomás, que ia casar com a filha do Juiz de Direito em Itabira, e de Eusébio, Fabriciano e Anna Angélica tinham também José Tomás, o filho mais velho, que ia ser padre, tendo estudado durante seis anos no Seminário de Mariana,
chegando a iniciar-se na Teologia, já no seminário maior. Era muito
estudioso e conhecia latim como qualquer bom latinista. Tinha sempre um
caso de seminário para contar e repetidamente citava frases latinas. As
férias, passava-as em Antônio Dias, vestido de batina e dando sua mão a
beijar a todos que dele se aproximassem, sobretudo as mocinhas. Mas não
era por saliência, tinha mesmo gosto na vocação. Ajudava o vigário nas
funções religiosas, contava o Tantum Ergo nas bençãos do Santíssimo, rezava o terço com Fabriciano e Anna Angélica.
Mas foi uma pena. Vocação se não é bem cultivada, se arrefece e se perde. José Tomás foi influenciado pelo irmão que estudava Direito e que o levou para São Paulo para entrar na Faculdade do Largo São Francisco. José Tomás
hospedou-se na república dos estudantes, onde morava seu irmão. Foi o
desastre: a estudantada, influenciada pelo positivismo quis atrair
também José Tomás para as idéias contistas, desviando-o da
vocação. Ele desistiu de ser padre, mas também não se sentiu bem no meio
da mocidade sem religião. Voltou à casa dos pais, na pacata Antônio
Dias.
Os Estudos dos Filhos e as "Chorosas" Partidas
Chegou o tempo de seguirem para os estudos os filhos de Fabriciano e Anna Angélica. Enquanto se preparavam para partir, Anna Angélica, muito chorosa, dizia: "Eu preferia que Inhô (Fabriciano) fosse pobre para eu não ter de separar-me de meus filhos...".
Coitadinha,
de fato naquele tempo a separação dos filhos era muito penosa, pois não
havia meios de comunicação que diminuíssem as distâncias, facilitando
um encontro mais frequente com eles.
José Tomás (Juca),
o mais velho, seguiu para Mariana, MG, para o famoso seminário onde
pontificavam padres lazaritas de muito saber, sob a jurisdição de bispos
como Dom Benevides, Dom Viçoso, Dom Silvério.
Manoel Tomás e Eusébio, o mais novo, continuaram os estudos iniciados em Itabira, com Mestre Emílio, na capital de Minas, ou seja, Ouro Preto, antiga Vila Rica.
Eusébio
optou pela carreira de farmacêutico e tão logo se formou iniciou-se na
vida prática, casando-se em seguida com uma linda moça de olhos azuis,
cabelos louros e tez muita alva. Chamava-se Ernestina, pertencia à família Lage e era conhecida pelo apelido de Netinha. Eusébio era apaixonado pela noiva e muito romântico. Prova-se uma fotografia em que ele com um retrato de Netinha sobre uma mesa se deixou fotografar numa atitude embevecida de enamorado.
O casal formou uma bela família de oito filhos, três homens e cinco mulheres. Todos estudaram e se formaram, casaram e constituíram família. As bonitas filhas Ceci e Zuleika permaneceram solteiras, apesar de muito assediadas por bons partidos. Acompanharam os pais com muita dedicação e exerceram com proficiência funções na Secretaria da Educação do Estado de Minas Gerais.
Assim que formou, Eusébio Tomás estabeleceu-se em Antônio Dias, com uma farmácia e fazia as vezes de médico, pois naquele tempo não os havia no lugar.
Construiu
sua casa num terreno pegado ao de seu pai e todo seus filhos nasceram
lá. A casa era de um estilo aproximado ao normando, grande e
confortável.
Mudando-se
para Belo Horizonte, fez mais tarde, depois dos 40 anos, o curso de
Direito, ingressando na política e, atuando como deputado, prestou
muitos serviços a zona que o elegeu. Em suma, tinha um grande prestígio
em todo o Vale do Rio Doce, notadamente em Itabira, Antônio Dias,
Sant’Ana de Ferros, São José da Lagoa, hoje Nova Era, São Domingos do
Prata e outros.
Além
de político, era pessoa de fino trato, sabendo relacionar-se com todos,
com os compadres e com os humildes, adquirindo assim, além do
prestígio, uma amizade singular em toda zona. Quando voltava a Antônio
Dias, em visita aos pais e possivelmente para politicar, as visitas que
recebia eram ininterruptas. Vinha gente de todo o município, a casa
ficava repleta e Sá Donana (apelido da mãe de Eusébio, Anna Angélica)
era inexcedível, atendendo a todos com cafezinho e com palavras
amáveis, servindo mesmo refeição para aqueles que moravam longe ou eram
pessoas ligadas por uma maior amizade ou pelo compadresco.
Assim
é que Antônio Dias foi adquirindo foros de uma cidade tradicional,
berço de pessoas ilustres, conservando, entretanto, o cunho de vida
simples, de comunidade familiar, em que todos se conheciam e se tratavam
sem etiquetas: ao contrário, não se dava senhoria para quase ninguém e
havia um entrelaçamento de relações entre os mais afortunados e os de
condições humildes ou mesmo pobres. Era a igualdade absoluta o que
tornava a vila e mais tarde, a cidade, uma comunidade "suigeneris", onde todos se sentiam bem, inclusive os forasteiros, aqueles que por uma razão particular, ali se estabeleciam. "Muitos deles criavam raiz na terra e não mais se desligavam dela e do convívio de seu povo acolhedor", relatou Maria Cecília Maurício da Rocha, sobrinha de Eusébio e filha de José Tomás.
O Título de Coronel
No dia 25/08/1888, aos 48 anos, através do apoio de amigos e do Partido Conservador, recebeu de sua majestade Dom Pedro II, o título de tenente-coronel da Guarda Nacional para a região da comarca de Piracicaba. O título de coronel, dado a civis no Brasil surgiu com a criação da Guarda Nacional, em 1832, por Diogo Antônio Feijó, também conhecido como Regente Feijó ou Padre Feijó. O agraciado com o título teria a função de reunir milícias em casos de situação premente da ordem e da defesa nacional. O coronel era geralmente um grande proprietário de terras, poderoso chefe político que se impunha sobre a população na sua área de atuação. No entanto, coronel Fabriciano que era na verdade, tenente-coronel, nem teve tempo para exercer o cargo em sua plenitude, uma vez que recebeu o título um ano antes do fim do Império. Coronel Fabriciano Felisberto de Britto impunha-se pela sua capacidade de liderança e trabalho. Preocupado com as questões sociais de seu tempo, buscou com o seu prestígio realizar obras que promovessem o bem-estar da população da cidade de Antônio Dias. Além da luta pela emancipação, destacam-se como seus feitos a construção do primeiro grupo escolar do Baixo Piracicaba, o segundo de Minas Gerais, em 1909; Instalação de linha do telégrafo em 1920; Fundação da Santa Casa de Misericórdia da qual foi provedor até sua morte em 1920. Por intermédio de seu filho, Eusébio Tomás de Carvalho Britto, deputado e membro da comissão responsável pela divisão administrativa de Minas Gerais, foi um dos responsáveis pela criação da Vila de Antônio Dias, em 1911, e do Distrito de Melo Viana em 1923, sendo este mais tarde batizado de coronel Fabriciano em sua referência e emancipado em 1948. Além da criação de um Grupo Escolar, necessária para que fosse Antônio Dias fosse instalada, Fabriciano coordenou a construção do primeiro hospital e deu início às obras da Igreja Matriz.
Homenagens
No dia 17/04/1909, foi instalada em Antônio Dias a escola que leva desde então o nome do tenente-coronel. Pelo decreto-lei estadual nº 88, de 30/03/1938, o então distrito antoniodiense Melo Viana foi batizado com o nome de Coronel Fabriciano, emancipando-se em 27/12/1948. A carta-patente da nomeação de Fabriciano Felisberto de Britto a tenente-coronel da Guarda Nacional, assinada pelo imperador Dom Pedro II em 1888, foi tombada como patrimônio cultural fabricianense através do decreto municipal nº 1.033, de 31/03/1997.
Falecimentos
Fabriciano Felisberto veio a falecer no dia 28/06/1921 e a esposa Anna Angélica de Carvalho Britto, dia 21/05/1936. O casal encontra-se sepultado na Capela São Geraldo, em Antônio Dias, MG, construída pelo coronel para mausoléu da família. Após a reforma da capela, em meados da década de 1970, seus restos mortais, juntamente com os de sua esposa, foram transladados para o interior do templo.
Curiosidades Sobre Coronel Fabriciano Felisberto
Fonte: Eu Amo Ipatinga
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