30/10 - OS NAVIOS ENCALHADOS
FONTE:http://www.conversaafiada.com.br
Publicado em 30/10/2012
SANTAYANA, FHC E
O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana, extraído do JB online:
por Mauro Santayana
Severo Gomes – sua morte prematura, há 20 anos, ao lado de Ulysses Guimarães, foi lembrada estes dias – era uma inteligência peregrina. Sabia quase tudo do Brasil e não escondia sua ação em favor do golpe em 1964; explicava-a como desvio político equivocado. Mais tarde, conforme dizia sorrindo, transformara-se em um democrata infiltrado no governo autoritário. Ministro de Agricultura do governo Castello Branco e, mais tarde, de Indústria e Comércio de Geisel, tinha uma visão desolada do sistema administrativo brasileiro.
Getúlio agira bem, ao tentar construir uma burocracia de Estado, com o Dasp e os concursos públicos – mas se esquecera de que não tínhamos, no subdesenvolvimento de que padecíamos, de onde retirar um corpo de bons gestores da coisa pública. Bem que ele tentou, mais tarde, suprir essa dificuldade, com a criação da Fundação Getúlio Vargas, mas os seus sucessores não insistiram nessa necessária formação de quadros.
Severo gostava de contar a sua amarga experiência como Ministro da Agricultura e, mais tarde, da Indústria e Comércio. No Ministério da Agricultura, ele levou todos os meses de gestão sem saber exatamente quantos departamentos havia, nem o que realmente faziam os seus funcionários. Pelo que vira, dizia, o governo se parece a uma frota de navios encalhados, cada um deles preso ao próprio banco de areia, e no meio de denso nevoeiro. Da nave capitânea à última embarcação, os comandantes gritam, da ponte, as ordens, determinando rumo e velocidade, mas os navios permanecem parados. Como os tripulantes sabem que os barcos não se movem, jogam cartas e alguns enchem a pança, porque os celeiros estão cheios de ração.
A imagem é irônica, no estilo de Severo, e exagerada. Há sempre, em qualquer repartição pública, geralmente entre os mais modestos, aqueles que tentam trabalhar com zelo – e, às vezes, com excesso de zelo. Graças a eles, as coisas funcionam, ainda que devagar. Mas, funcionam em que sentido? Os barcos que avançam, avançam para qual destino? O fato é que temos, hoje, no Brasil, um governo que se identifica na esquerda, mas a máquina administrativa, com seus executivos médios, continua empenhada na prática do neoliberalismo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso tratou de colocar, nos postos de decisão (no governo e nas agências reguladoras) homens convencidos de que, fora da submissão à nova ordem internacional, não há salvação. São esses homens que controlam a máquina do Estado. Acusa-se o governo do PT de “aparelhar” o Estado. A diferença é aquela apontada por Nelson Jobim: os apparatchíki de antes – e que, na sombra, continuam mandando – pertencem às elites, conhecem línguas estrangeiras, seguem com atenção os movimentos do mercado, de que são fundamentalistas fanáticos, e se vestem com esmero.
Enfim, esses que remanescem são competentes naquilo que pretendem. Sendo assim, foram eficientes na transferência maciça de dinheiro, pela ponte internacional do Paraná: emitiram, antes, portaria do Banco Central, que isentava da fiscalização da Receita Federal os carros fortes que iam e vinham do Paraguai. Souberam manipular, com as sutilezas das engrenagens financeiras, as contas CC-5, e, mediante fundos marotos, transferir dinheiros mal havidos ao Exterior, a fim de ali serem lavados e aromatizados. E agora se encontram entre os que aprovam financiamentos do BNDES a empresas estrangeiras, como é o caso da Telefônica da Espanha e perdoam a sonegação bilionária do Banco Santander, calculada em 4 bilhões – cobrada pela Receita Federal.
Os que conhecem os mecanismos do poder sabem que não é fácil governar. A leitura das melhores biografias de grandes governantes mostra como é difícil tomar decisões das quais depende a salvação ou perdição dos povos. É sempre atual citar Richelieu, quando diz que os homens, em sua vida pessoal, quando erram, podem contar com a salvação eterna. Os Estados, que só têm vida temporal, não dispõem desse consolo: eles se salvam ou se perdem na decisão de um segundo. É sobre esse fio de navalha que devem caminhar todos os dias os governantes.
Para chegar ao poder, Lula teve que negociar com os empresários, e contou com a ajuda inteligente de José Alencar. Com isso, elegeu-se e empossou-se, mas ele e sua sucessora não conseguiram que o governo assumisse o pleno controle da máquina administrativa.
É inegável que houve avanços consideráveis no caminho da emancipação de milhões de famílias, mediante as políticas compensatórias do governo, e que essas ações favoreceram a economia como um todo, e que – apesar de sua fragilidade essencial – a educação deu grandes passos, com o Enem, o Prouni e o programa nacional de formação técnica. Mas são apenas algumas naves que, com a tripulação mudada em boa parte, conseguem avançar no rumo escolhido, vencendo os encalhes e devassando o nevoeiro. As outras avançam com as luzes apagadas, na rota contrária ao interesse nacional.
SANTAYANA, FHC E
OS NAVIOS ENCALHADOS
As outras avançam com as luzes apagadas, na rota contrária ao interesse nacional.
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O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana, extraído do JB online:
OS NAVIOS ENCALHADOS
por Mauro Santayana
Severo Gomes – sua morte prematura, há 20 anos, ao lado de Ulysses Guimarães, foi lembrada estes dias – era uma inteligência peregrina. Sabia quase tudo do Brasil e não escondia sua ação em favor do golpe em 1964; explicava-a como desvio político equivocado. Mais tarde, conforme dizia sorrindo, transformara-se em um democrata infiltrado no governo autoritário. Ministro de Agricultura do governo Castello Branco e, mais tarde, de Indústria e Comércio de Geisel, tinha uma visão desolada do sistema administrativo brasileiro.
Getúlio agira bem, ao tentar construir uma burocracia de Estado, com o Dasp e os concursos públicos – mas se esquecera de que não tínhamos, no subdesenvolvimento de que padecíamos, de onde retirar um corpo de bons gestores da coisa pública. Bem que ele tentou, mais tarde, suprir essa dificuldade, com a criação da Fundação Getúlio Vargas, mas os seus sucessores não insistiram nessa necessária formação de quadros.
Severo gostava de contar a sua amarga experiência como Ministro da Agricultura e, mais tarde, da Indústria e Comércio. No Ministério da Agricultura, ele levou todos os meses de gestão sem saber exatamente quantos departamentos havia, nem o que realmente faziam os seus funcionários. Pelo que vira, dizia, o governo se parece a uma frota de navios encalhados, cada um deles preso ao próprio banco de areia, e no meio de denso nevoeiro. Da nave capitânea à última embarcação, os comandantes gritam, da ponte, as ordens, determinando rumo e velocidade, mas os navios permanecem parados. Como os tripulantes sabem que os barcos não se movem, jogam cartas e alguns enchem a pança, porque os celeiros estão cheios de ração.
A imagem é irônica, no estilo de Severo, e exagerada. Há sempre, em qualquer repartição pública, geralmente entre os mais modestos, aqueles que tentam trabalhar com zelo – e, às vezes, com excesso de zelo. Graças a eles, as coisas funcionam, ainda que devagar. Mas, funcionam em que sentido? Os barcos que avançam, avançam para qual destino? O fato é que temos, hoje, no Brasil, um governo que se identifica na esquerda, mas a máquina administrativa, com seus executivos médios, continua empenhada na prática do neoliberalismo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso tratou de colocar, nos postos de decisão (no governo e nas agências reguladoras) homens convencidos de que, fora da submissão à nova ordem internacional, não há salvação. São esses homens que controlam a máquina do Estado. Acusa-se o governo do PT de “aparelhar” o Estado. A diferença é aquela apontada por Nelson Jobim: os apparatchíki de antes – e que, na sombra, continuam mandando – pertencem às elites, conhecem línguas estrangeiras, seguem com atenção os movimentos do mercado, de que são fundamentalistas fanáticos, e se vestem com esmero.
Enfim, esses que remanescem são competentes naquilo que pretendem. Sendo assim, foram eficientes na transferência maciça de dinheiro, pela ponte internacional do Paraná: emitiram, antes, portaria do Banco Central, que isentava da fiscalização da Receita Federal os carros fortes que iam e vinham do Paraguai. Souberam manipular, com as sutilezas das engrenagens financeiras, as contas CC-5, e, mediante fundos marotos, transferir dinheiros mal havidos ao Exterior, a fim de ali serem lavados e aromatizados. E agora se encontram entre os que aprovam financiamentos do BNDES a empresas estrangeiras, como é o caso da Telefônica da Espanha e perdoam a sonegação bilionária do Banco Santander, calculada em 4 bilhões – cobrada pela Receita Federal.
Os que conhecem os mecanismos do poder sabem que não é fácil governar. A leitura das melhores biografias de grandes governantes mostra como é difícil tomar decisões das quais depende a salvação ou perdição dos povos. É sempre atual citar Richelieu, quando diz que os homens, em sua vida pessoal, quando erram, podem contar com a salvação eterna. Os Estados, que só têm vida temporal, não dispõem desse consolo: eles se salvam ou se perdem na decisão de um segundo. É sobre esse fio de navalha que devem caminhar todos os dias os governantes.
Para chegar ao poder, Lula teve que negociar com os empresários, e contou com a ajuda inteligente de José Alencar. Com isso, elegeu-se e empossou-se, mas ele e sua sucessora não conseguiram que o governo assumisse o pleno controle da máquina administrativa.
É inegável que houve avanços consideráveis no caminho da emancipação de milhões de famílias, mediante as políticas compensatórias do governo, e que essas ações favoreceram a economia como um todo, e que – apesar de sua fragilidade essencial – a educação deu grandes passos, com o Enem, o Prouni e o programa nacional de formação técnica. Mas são apenas algumas naves que, com a tripulação mudada em boa parte, conseguem avançar no rumo escolhido, vencendo os encalhes e devassando o nevoeiro. As outras avançam com as luzes apagadas, na rota contrária ao interesse nacional.
30/10 - FALA, VALÉRIO, FALA !
FONTE:http://www.conversaafiada.com.br
Publicado em 30/10/2012
FALA, VALÉRIO, FALA !
Empresário mineiro encaminhou solicitações ao Supremo em setembro
BRASÍLIA – O empresário Marcos Valério, operador do mensalão, encaminhou em setembro para o Supremo Tribunal Federal um pedido de proteção, pois sua vida estaria correndo perigo, e ofereceu em troca delação premiada. O documento é mantido em sigilo e não foi anexado ao processo do mensalão, que já está em julgamento.
(…)
Paulo Henrique Amorim
FALA, VALÉRIO, FALA !
FALA, PIZZOLATO, FALA !
Fala, Valério, fala quem te dava dinheiro na Brasil Telecom. Fala, Valério, fala quem te dava dinheiro na Telemig Celular.
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Saiu no Estadão:
VALÉRIO PEDE PROTEÇÃO E DELAÇÃO PREMIADA
Empresário mineiro encaminhou solicitações ao Supremo em setembro
BRASÍLIA – O empresário Marcos Valério, operador do mensalão, encaminhou em setembro para o Supremo Tribunal Federal um pedido de proteção, pois sua vida estaria correndo perigo, e ofereceu em troca delação premiada. O documento é mantido em sigilo e não foi anexado ao processo do mensalão, que já está em julgamento.
(…)

Fala, Valério, fala quem te dava dinheiro na Brasil Telecom.
Fala, Valério, fala quem te dava dinheiro na Telemig Celular.
Quem mandou botar fogo naqueles recibos, em Belo Horizonte, Valério ?
Quem foi ?
Fala, Valério, fala quem te mandou a Portugal.
O que você foi fazer em Portugal, Valério ?
Fala, Valério, fala como é que começou o mensalão dos tucanos, com o Eduardo Azeredo.
E como o mensalão migrou para o PT.
Quem fez o transporte, Valério ?
Quem levou a tecnologia do Azeredo para o Delúbio ?
Quem foi, Valério ?
Valério, quem é o Dr Carlinhos ?
Fala, Valério, fala !
Perdido por 40 perdido por mil, Valério.
Fala, Pizzolato, fala quem te ajudou a comprar aquele apartamento em Ipanema.
Como é o nome dele, Pizzolato ?
Paulo Henrique Amorim
30/10 - PITACO DO DIA
FONTE:http://www.conversaafiada.com.br/
PITACO DO DIA
“Tem que fazer o teste do bafômetro no Zé Serra, pois é o segundo poste em que ele se arrebenta.”
— Laércio
— Laércio
30/10 - COMO VOTA O MINISTRO CELSO
FONTE:http://www.conversaafiada.com.br
Publicado em 30/10/2012
COMO VOTA O
Por Henrique/ O Outro
Do Última Instância
Celso de Mello suspende publicação de direito de resposta de candidato do PT na revista Veja
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello suspendeu, nesta sexta-feira (26/10), uma decisão da Justiça Eleitoral da Bahia que determinava a publicação de direito de resposta do candidato do PT à Prefeitura de Salvador (BA), Nelson Pelegrino, na revista Veja. Pelegrino concorre no segundo turno das eleições com o candidato do DEM, ACM Neto.
A ação no Supremo tem origem em uma nota da coluna Panorama Holofote, publicada na edição 2287 da revista, de 19 de setembro de 2012. Segundo a coluna, o empresário César Mata Pires, da construtora OAS, teria se aproximado do candidato ACM Neto e sinalizado doação de dinheiro à campanha do candidato do DEM mediante a liberação futura de um alvará para um condomínio de seis mil apartamentos. Conforme a Veja, ACM Neto não aceitou a proposta e o empresário teria feito acordo com Pelegrino. Por causa da matéria, o candidato do PT entrou com ação na Justiça Eleitoral para obter direito de resposta, afirmando “não conhecer o assunto ou haver tratado sobre ele com quem quer que seja”. Pelegrino ainda prometeu processar quem divulgou fatos “inverídicos e desabonadores de sua honra”.
Ao proferir sua decisão liminar, Mello argumentou que o conteúdo da matéria que ensejou o pedido de direito de resposta “parece traduzir o exercício concreto, pelo profissional da imprensa, da liberdade de expressão, cujo fundamento reside no próprio texto da Constituição da República”.
A decisão do ministro do STF foi tomada na Reclamação 14772, ajuizada contra entendimento do juiz da 5ª Zona Eleitoral do Estado da Bahia e do TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia), que consideraram que a matéria teria ultrapassado os limites da informação e incidido em excesso de crítica.
A Editora Abril, que publica a revista Veja, entrou com a reclamação no STF alegando descumprimento de decisão do Supremo que afastou qualquer interpretação de dispositivo da Lei das Eleições (9.504/97) que resulte na proibição de crítica jornalística favorável ou contraria a candidatos. Esse entendimento foi firmado na análise da medida cautelar na Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 4451.
“Ninguém ignora que, no âmbito de uma sociedade fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão estatal ao pensamento, ainda mais quando a crítica – por mais dura que seja – revele-se inspirada pelo interesse público e decorra da prática legítima de uma liberdade pública de extração, eminentemente constitucional”, afirmou o relator.
Segundo ele, “as razões de decidir invocadas no ato judicial (que determinou a publicação do direito de resposta) ora questionado revelar-se-iam, aparentemente, em desconformidade com aquelas que deram suporte à decisão proferido pelo STF nos autos da ADI 4451”.
Por fim, o Stanley Burburinho (quem será ele, infatigável ?), recuperou uma jóia da História da Magistratura Ocidental (nada que se compare, é claro, aos dois HCs Canguru ou à declaração escandalosa de que a Golpe de 1964 foi “um mal necessário”):
No romance autobiográfico “Código da Vida”, o ex-ministro da Justiça Saulo Ramos conta como ajudou a nomear Celso de Mello para o STF e como rompeu com o ex-pupilo; o ministro havia dado um voto contra José Sarney, que o nomeara, por pressão da Folha de S. Paulo, mas apenas porque a votação já estava decidida em favor do ex-presidente; depois disso, ambos romperam e Saulo disparou: “Você é um juiz de …”
Confira trecho do livro:
“…a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:
E continua:
Veio o dia do julgamento do mérito. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura Sarney.
Deus do céu! O que deu no Garoto? Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação (o assunto do telefonema para o “padrinho”) com a hipótese de Marco Aurélio de Mello (primo do Collor) ser o relator.
Continuando a narrativa:
Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:
- Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto…votei contra para desmentir a Folha de São Paulo (que na véspera noticiou o voto certo em favor de Sarney)…
O Presidente já estava vitorioso e não precisava mais do meu…Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente…
O Senhor entendeu?
- Entendi.
ENTENDI QUE VOCÊ É UM JUIZ DE …!
Bati o telefone e nunca mais falei com ele.
Muitos advogados sabiam que Celso de Mello havia sido meu secretário na Consultoria da República e nomeado Ministro do Supremo por empenho meu. (fls. 169 /176 do livro Código da Vida)”.
COMO VOTA O
MINISTRO CELSO DE MELLO
- Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto…votei contra para desmentir a Folha. O Presidente já estava vitorioso … Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente…
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O Conversa Afiada recebeu de amigo navegante de nome Guilherme esse breve comentário a respeito do julgamento em que “em dúvida, pau no réu”:
Pela maioria de seus membros, o Supremo Tribunal Federal condenou o silêncio dos autos, transgrediu a semântica da lingua, insultou a lógica e introduziu rituais de degradação no judiciário brasileiro.
Não tenho mais dúvidas de que o decano Celso de Mello promove, em sucessivos discursos incendiários, fria estratégia de provocação política.
Espera obter uma declaração ou ato de rebeldia para conseguir, finalmente, a prova que nunca descobriu na Ação Penal 470: objetivos anti-democráticos.
Que fique à mingua!
Em seguida, outro amigo navegante, de nome Porfírio, chamou a atenção do blogueiro ansioso para este post do Nassif:
Pela maioria de seus membros, o Supremo Tribunal Federal condenou o silêncio dos autos, transgrediu a semântica da lingua, insultou a lógica e introduziu rituais de degradação no judiciário brasileiro.
Não tenho mais dúvidas de que o decano Celso de Mello promove, em sucessivos discursos incendiários, fria estratégia de provocação política.
Espera obter uma declaração ou ato de rebeldia para conseguir, finalmente, a prova que nunca descobriu na Ação Penal 470: objetivos anti-democráticos.
Que fique à mingua!
Em seguida, outro amigo navegante, de nome Porfírio, chamou a atenção do blogueiro ansioso para este post do Nassif:
CELSO DE MELLO CONSOLIDA PARCERIA COM VEJA
Por Henrique/ O Outro
Do Última Instância
Celso de Mello suspende publicação de direito de resposta de candidato do PT na revista Veja
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello suspendeu, nesta sexta-feira (26/10), uma decisão da Justiça Eleitoral da Bahia que determinava a publicação de direito de resposta do candidato do PT à Prefeitura de Salvador (BA), Nelson Pelegrino, na revista Veja. Pelegrino concorre no segundo turno das eleições com o candidato do DEM, ACM Neto.
A ação no Supremo tem origem em uma nota da coluna Panorama Holofote, publicada na edição 2287 da revista, de 19 de setembro de 2012. Segundo a coluna, o empresário César Mata Pires, da construtora OAS, teria se aproximado do candidato ACM Neto e sinalizado doação de dinheiro à campanha do candidato do DEM mediante a liberação futura de um alvará para um condomínio de seis mil apartamentos. Conforme a Veja, ACM Neto não aceitou a proposta e o empresário teria feito acordo com Pelegrino. Por causa da matéria, o candidato do PT entrou com ação na Justiça Eleitoral para obter direito de resposta, afirmando “não conhecer o assunto ou haver tratado sobre ele com quem quer que seja”. Pelegrino ainda prometeu processar quem divulgou fatos “inverídicos e desabonadores de sua honra”.
Ao proferir sua decisão liminar, Mello argumentou que o conteúdo da matéria que ensejou o pedido de direito de resposta “parece traduzir o exercício concreto, pelo profissional da imprensa, da liberdade de expressão, cujo fundamento reside no próprio texto da Constituição da República”.
A decisão do ministro do STF foi tomada na Reclamação 14772, ajuizada contra entendimento do juiz da 5ª Zona Eleitoral do Estado da Bahia e do TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia), que consideraram que a matéria teria ultrapassado os limites da informação e incidido em excesso de crítica.
A Editora Abril, que publica a revista Veja, entrou com a reclamação no STF alegando descumprimento de decisão do Supremo que afastou qualquer interpretação de dispositivo da Lei das Eleições (9.504/97) que resulte na proibição de crítica jornalística favorável ou contraria a candidatos. Esse entendimento foi firmado na análise da medida cautelar na Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 4451.
“Ninguém ignora que, no âmbito de uma sociedade fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão estatal ao pensamento, ainda mais quando a crítica – por mais dura que seja – revele-se inspirada pelo interesse público e decorra da prática legítima de uma liberdade pública de extração, eminentemente constitucional”, afirmou o relator.
Segundo ele, “as razões de decidir invocadas no ato judicial (que determinou a publicação do direito de resposta) ora questionado revelar-se-iam, aparentemente, em desconformidade com aquelas que deram suporte à decisão proferido pelo STF nos autos da ADI 4451”.
Por fim, o Stanley Burburinho (quem será ele, infatigável ?), recuperou uma jóia da História da Magistratura Ocidental (nada que se compare, é claro, aos dois HCs Canguru ou à declaração escandalosa de que a Golpe de 1964 foi “um mal necessário”):
PADRINHO REVELA UM MELLO POLÍTICO E MIDIÁTICO
No romance autobiográfico “Código da Vida”, o ex-ministro da Justiça Saulo Ramos conta como ajudou a nomear Celso de Mello para o STF e como rompeu com o ex-pupilo; o ministro havia dado um voto contra José Sarney, que o nomeara, por pressão da Folha de S. Paulo, mas apenas porque a votação já estava decidida em favor do ex-presidente; depois disso, ambos romperam e Saulo disparou: “Você é um juiz de …”
Confira trecho do livro:
“…a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:
E continua:
Veio o dia do julgamento do mérito. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura Sarney.
Deus do céu! O que deu no Garoto? Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação (o assunto do telefonema para o “padrinho”) com a hipótese de Marco Aurélio de Mello (primo do Collor) ser o relator.
Continuando a narrativa:
Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:
- Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto…votei contra para desmentir a Folha de São Paulo (que na véspera noticiou o voto certo em favor de Sarney)…
O Presidente já estava vitorioso e não precisava mais do meu…Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente…
O Senhor entendeu?
- Entendi.
ENTENDI QUE VOCÊ É UM JUIZ DE …!
Bati o telefone e nunca mais falei com ele.
Muitos advogados sabiam que Celso de Mello havia sido meu secretário na Consultoria da República e nomeado Ministro do Supremo por empenho meu. (fls. 169 /176 do livro Código da Vida)”.
30/10 - A VERTIGEM DO SUPREMO
From: MVM<==>News
Sent: Tuesday, October 23, 2012 5:38 PM
To: @
Press+Blogs_IG
Subject: A vertigem do Supremo - Raimundo Pereira demonstra que viga
mestra da tese do Supremo é falsa - 22/10/2012 -
A vertigem do Supremo - Raimundo Pereira demonstra que viga
mestra da tese do Supremo é falsa -
_______________________________________________________________________________________
22-Out-2012
Raimundo Pereira, jornalista conhecido
pelo rigor com que checa as informações que usa, abre a reportagem a ser
publicada na sua Revista do Brasil, edição nº 64, nas bancas a partir do próximo
1º de novembro, com a afirmação de que “não houve o desvio de 73,8 milhões de
reais do Banco do Brasil, viga mestra da tese do mensalão”. E parte para a
demonstração dessa afirmação.
A matéria disseca, analisa a fundo, a tese
que Raimundo definiu como a “viga mestra” do mensalão. Escreve: “Essencialmente,
a tese do mensalão é a de que o petista Henrique Pizzolato teria desviado de um
“Fundo de Incentivo Visanet” 73,8 milhões de reais que pertenceriam ao Banco do
Brasil. Seria esse o verdadeiro dinheiro do esquema armado por Delúbio e Valério
sob a direção de José Dirceu. Os empréstimos dos bancos mineiros não existiriam.
Seriam falsos. Teriam sido inventados pelos banqueiros, também articulados com
Valério e José Dirceu, para acobertar o desvio do dinheiro
público.”
A tese, segundo Raimundo, é falsa. “O desvio dos 73,8 milhões de
reais não existe” e “os autos da Ação Penal 470 contêm um mar de evidências de
que a DNA de Valério realizou os trabalhos pelos quais recebeu os 73,8 milhões
de reais”.
Raimundo não afirma isso por simples boa fé ou por
algum interesse em livrar este ou aquele réu: no site da revista ele dá acesso a
108 apensos da Ação Penal 470 com documentos em formato pdf “equivalentes a mais
de 20.000 páginas e que foram coletados por uma equipe de 20 auditores do BB num
trabalho de quatro meses, de 25 de julho a 7 de dezembro de 2005 e depois
estendido com interrogatórios de pessoas envolvidas e de documentos coletados ao
longo de 2006”.
Segundo afirma, a auditoria foi buscar provas de
que o escândalo existia de fato. Encontrou documentos que provaram o contrário.
Com base nas conclusões dos auditores, Raimundo afirma que “o uso dos recursos
do Fundo de Incentivo Visanet pelo BB foi feito, sob a gestão do petista
Henrique Pizzolato, exatamente como tinha sido feito no governo FHC, nos dois
anos anteriores à chegada de Pizzolato ao banco. E mais: foi sob a gestão de
Pizzolato, em meados de 2004, que as regras para uso e controle dos recursos
foram aprimoradas”.
O jornalista diz que, tendo analisado toda a
documentação da auditoria, encontrou questionamentos e problemas. “Mas de
detalhes. Não é disso que se tratou no julgamento da AP 470 no entanto. A
acusação que se fez e que se pretende impor através do surto do STF é outra
coisa. Quer apresentar os 73,8 milhões gastos através da DNA de Valério como uma
farsa montada pelo PT com o objetivo de ficar no poder, como diz o ministro
Ayres Britto, "muito além de um quadriênio quadruplicado”.”
Em seguida, Raimundo Pereira classifica a
conclusão a que chegou o tribunal de “delírio”. Escreve: “A procuradoria da
República e o ministro Barbosa sabem de tudo isso [basicamente, da conclusão da
auditoria, de que a parte do FIV a que o BB tinha direito foi repassada à
agência de publicidade para pagar serviços que foram comprovadamente realizados
e que, no final das contas, levaram o BB à liderança no uso da bandeira Visa no
Brasil]”. E conclui: “Se não o sabem é porque não quiseram saber: da
documentação tiraram apenas detalhes, para criar o escândalo no qual estavam
interessados”.
Viga mestra é a que sustenta a construção.
Se ela é retirada, ou tem algum problema grave, a própria construção não
consegue permanecer de pé.
Leia a íntegra da reportagem do
Brasil 247:
22 de Outubro de 2012
-
Brasil 247
-
A vertigem do Supremo
247 publica em primeira mão a reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira, um dos mais consagrados jornalistas brasileiros e editor da Retrato do Brasil, sobre o julgamento da Ação Penal 470; amparado em documentos, ele demonstra que o desvio de R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil, por meio da Visanet, simplesmente não ocorreu; corte julga o capítulo final, que trata da formação de quadrilha
247 – Raimundo Rodrigues Pereira é um herói do jornalismo brasileiro, que
criou o jornal Movimento e enfrentou a ditadura militar. Agora, ele abre uma
nova frente de combate, desta vez com o Supremo Tribunal Federal, ao demonstrar
que o desvio de R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil, viga mestra da tese do
mensalão, simplesmente não ocorreu. Leia em primeira mão a reportagem de capa da
revista Retrato do Brasil, que vai às bancas em 1º de novembro e que, nesta
semana, estará disponibilizada no site da revista, amparada também em
documentos:
A VERTIGEM DO SUPREMO
Os ministros do STF deliraram: não houve o desvio de 73,8 milhões de reais do Banco do Brasil, viga mestra da tese do mensalão. Acompanhe a nossa demonstração
Por Raimundo Rodrigues Pereira, da revista Retrato do Brasil
A tese do mensalão como um dos maiores crimes de corrupção da história do País foi consagrada no STF. Veja-se o que diz, por exemplo, o presidente do tribunal, ministro Ayres Britto, ao condenar José Dirceu como o chefe da “quadrilha dos mensaleiros”. O mensalão foi “um projeto de poder”, “que vai muito além de um quadriênio quadruplicado”. Foi “continuísmo governamental”, “golpe, portanto”. Em outro voto, que postou no site do tribunal dias antes, Britto disse que o mensalão envolveu “crimes em quantidades enlouquecidas”, “volumosas somas de recursos financeiros e interesses conversíveis em pecúnia”, pessoas jurídicas tais como “a União Federal pela sua Câmara dos Deputados, Banco do Brasil-Visanet, Banco Central da República”.
Britto, data vênia, é um poeta. Na sua caracterização do mensalão como um crime gigante, um golpe na República, o que ele chama de Banco do Brasil-Visanet, por exemplo? É uma nova entidade financeira? Banco do Brasil a gente sabe o que é: é aquele banco estatal que os liberais queriam transformar em Banco Brasil, assim como quiseram transformar a Petrobras em Petrobrax, porque achavam ser necessário, pelo menos por palavras, nos integrarmos ao mundo financeiro globalizado.
De fato, Visanet é o nome fantasia da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, responsável, no Brasil, pelos cartões emitidos com a chamada bandeira Visa (hoje o nome fantasia mudou, é Cielo). Banco do Brasil-Visanet não existia, nem existe; é uma entidade criada pelo ministro Britto. E por que, como disse no voto citado, ele a colocou junto com os mais altos poderes do País - a União Federal, a Câmara dos Deputados e o Banco Central da República? Com certeza porque, como a maioria do STF, num surto anti-corrupção tão ruim quanto os piores presenciados na história política do País, viu, num suposto escândalo Banco do Brasil-Visanet, uma espécie de revelação divina. Ele seria a chave para transformar num delito de proporções inéditas o esquema de distribuição, a políticos associados e colaboradores do PT, de cerca de 50 milhões de reais tomados de empréstimo, de dois bancos mineiros, pelo partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No dia 13 de julho de 2005, menos de um mês depois de o escândalo do mensalão ter surgido, com as denúncias do deputado Roberto Jefferson, a Polícia Federal descobriu, no arquivo central do Banco Rural, em Belo Horizonte, todos os recibos da dinheirama distribuída. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Marcos Valério, um empresário de publicidade mineiro, principais operadores da distribuição, contaram sua história logo depois. E não só eles como mais algumas dezenas de pessoas, também envolvidas no escândalo de alguma forma, foram chamadas a depor em dezenas de inquéritos policiais e nas três comissões parlamentares de inquérito que o Congresso organizou para deslindar a trama.
Todos disseram que se tratava do famoso caixa-dois, dinheiro para o pagamento de campanhas eleitorais, passadas e futuras. Como dizemos, desde 2005, tratava-se de uma tese razoável. Por que razoável, apenas? Porque as teses, mesmo as melhores, nunca conseguem juntar todos os fatos, sempre deixam alguns de lado. A do caixa-dois é razoável. O próprio STF absolveu o publicitário Duda Mendonça, sua sócia Zilmar Fernandes e vários petistas, que receberam a maior parte do dinheiro do chamado valerioduto, porque, a despeito de proclamar que esse escândalo é o maior de todos, a corte reconheceu tratar-se, no caso das pessoas citadas, de dinheiro para campanhas eleitorais. E a tese do caixa-dois é apenas razoável, como dissemos também, porque fatos ficam de fora.
É sabido, por exemplo, que, dos 4 milhões recebidos pelo denunciante Roberto Jefferson - que jura ser o dinheiro dele caixa dois e o dos outros, mensalão - uma parte, modesta é verdade, foi para uma jovem amiga de um velho dirigente político ligado ao próprio Jefferson e falecido pouco antes. Qualquer criança relativamente esperta suporia também que os banqueiros não emprestaram dinheiro ao PT porque são altruístas e teria de se perguntar porque o partido repassou dinheiro ao PTB, PL e PP, aliados novos, e não ao PSB, PCdoB, aliados mais fiéis e antigos. Um arguto repórter da Folha de S. Paulo, num debate recente sobre o escândalo, com a participação de Retrato do Brasil, disse que dinheiro de caixa-dois é assim mesmo. E que viu deputado acusado de ter recebido o dinheiro do valerioduto vestido de modo mais sofisticado depois desses deploráveis acontecimentos.
O problema não é com a tese do caixa-dois, no entanto. Essa é a tese dos réus. No direito penal brasileiro, o réu pode até ficar completamente mudo, não precisa provar nada. É ao ministério público, encarregado da tese do mensalão, que cabe o ônus da prova. E essa tese é um horror. No fundo, é uma história para criminalizar o Partido dos Trabalhadores, para bem além dos crimes eleitorais que ele de fato cometeu no episódio. O escândalo Banco do Brasil-Visanet, que é o pilar de sustentação da tese, não tem o menor apoio nos fatos.
Essencialmente, a tese do mensalão é a de que o petista Henrique Pizzolato teria desviado de um “Fundo de Incentivo Visanet” 73,8 milhões de reais que pertenceriam ao Banco do Brasil. Seria esse o verdadeiro dinheiro do esquema armado por Delúbio e Valério sob a direção de José Dirceu. Os empréstimos dos bancos mineiros não existiriam. Seriam falsos. Teriam sido inventados pelos banqueiros, também articulados com Valério e José Dirceu, para acobertar o desvio do dinheiro público.
Essa história já existia desde a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Foi encampada pelos dois procuradores-gerais da República, Antônio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, que fizeram os trabalhos da acusação. E foi transformada num sucesso de público graças aos talentos do ministro Joaquim Barbosa na armação de uma historinha ao gosto de setores de uma opinião pública sedenta de punir políticos, que em geral considerada corruptos, e ao surto anticorrupção espalhado por nossa grande mídia, que infectou e levou ao delírio a maioria do STF.
Por que a tese do mensalão é falsa? Porque o desvio dos 73,8 milhões de reais não existe. A acusação disse e o STF acreditou que uma empresa de publicidade de Valério, a DNA, recebeu esse dinheiro do Banco do Brasil (BB) para realizar trabalhos de promoção da venda de cartões de bandeira Visa do banco, ao longo dos anos 2003 e 2004. E haveria provas cabais de que esses trabalhos não foram realizados.
A acusação diz isso, há mais de seis anos, porque ela precisa de que esse desvio exista. Porque seria ele a prova de serem os 50 milhões de reais do caixa dois confessado por Delúbio e Valério inexistentes e de os empréstimos dos bancos mineiros ao esquema Valério-Delúbio serem falsos e decorrentes de uma articulação política inconfessável de Dirceu com os banqueiros. Ocorre, no entanto, que a verdade é oposto do que a acusação diz e o STF engoliu. Os autos da Ação Penal 470 contêm um mar de evidências de que a DNA de Valério realizou os trabalhos pelos quais recebeu os 73,8 milhões de reais.
No nosso site na internet, RB está apresentando, a todos os interessados em formar uma opinião mais esclarecida sobre o julgamento que está sendo concluído no STF, um endereço onde pode ser localizada a mais completa auditoria sobre o suposto escândalo BB-Visanet. Nesse local o leitor vai encontrar os 108 apensos da AP 470 com os trabalhos dessa auditoria. São documentos em formato pdf equivalentes a mais de 20.000 páginas e foram coletados por uma equipe de 20 auditores do BB num trabalho de quatro meses, de 25 de julho a 7 de dezembro de 2005 e depois estendido com interrogatórios de pessoas envolvidas e de documentos coletados ao longo de 2006.
A auditoria foi buscar provas de que o escândalo existia. Mas, ao analisar o caso, não o fez da forma interesseira e escandalosa da procuradoria geral da República e do relator da AP 470 Joaquim Barbosa, empenhados em criminalizar a ação do PT. Fez um levantamento amplo do que foram as ações do Fundo de Incentivo Visanet (FIV) desde sua criação em 2001.
Um resumo da auditoria, de 32 páginas, está nas primeiras páginas do terceiro apenso (Vol. 320). Resumindo-a mais ainda se pode dizer que:
* As regras para uso do fundo pelo BB têm duas fases: uma, de sua criação em 2001 até meados de 2004, quando o banco adotou como referencial básico para uso dos recursos o Regulamento de Constituição e Uso do FIV da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (CBMP); e outra, do segundo semestre de 2004 até dezembro de 2005, quando o BB criou uma norma própria para o controle do fundo.
*Entre 2001 e 2004, a CBMP pagou, por ações do FIV programadas pelo BB, aproximadamente 150 milhões de reais – 60 milhões nos anos 2001-2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, portanto; e 90 milhões nos anos 2003-2004, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E, nos dois períodos, sempre 80% dos recursos foram antecipados pela CBMP, a pedido do BB, para as agências de publicidade contratadas pelo banco.
*O BB decidiu, em 2001, por motivos fiscais, que os recursos do FIV não deveriam passar pelo banco. A CBMP pagaria diretamente os serviços através de agências contratadas pelo BB. A DNA e a Lowe Lintas foram as agências, no período 2001-2002. No final de 2002 o BB decidiu especializar suas agências e só a DNA ficou encarregada das promoções do FIV. Os originais dos documentos comprobatórios das ações ficavam na CBMP, não no BB, em todos os dois períodos.
*O fato de o BB encomendar as ações mas não ser o controlador oficial das mesmas fez com que, nos dois períodos, 2001-2002 e 2003-2004, fossem identificadas, diz a auditoria, “fragilidades no processo e falhas na condução de ações e eventos”, que motivaram mudanças nos controles de uso do fundo. Essas mudanças foram implementadas no segundo semestre de 2004, a partir de 1 de setembro.
*O relatório destaca algumas dessas “fragilidades” e “falhas”. Aqui destacaremos a do controle dos serviços, para saber se as ações de promoção tinham sido feitas de fato. Os auditores procuraram saber se existiam os comprovantes de que as ações de incentivo autorizadas pelo BB no período tinham sido de fato realizadas. **Procuraram os documentos existentes no próprio banco – notas fiscais, faturas, recibos emitidos pelas agências para pagar os serviços e despesas de fornecedores para produzir as ações. Descobriram que, para os dois períodos 2001-2002 e 2003-2004 igualmente, somando-se as ações com falta absoluta de documentos às com falta parcial, tinha-se quase metade dos recursos despendidos.
**Os auditores procuraram então os mesmos documentos na CBMP, que é, por estatuto, a dona dos recursos e a controladora de sua aplicação e dos documentos originais de comprovação da realização dos serviços. A falta de documentação comprobatória foi, então, muito pequena - em proporção aos valores dos gastos autorizados, de 0,2% em 2001, 0,1% em 2002, 0,4% em 2003 e 1% em 2004.
*Dizem ainda os auditores: com as novas normas, em função das mudanças feitas nas formas de controlar o uso do dinheiro do FIV pelo BB, entre janeiro e agosto de 2005 foram executadas sete ações de incentivo, no valor de 10,9 milhões de reais e se pode constatar que, embora ainda precisassem de aprimoramento, as novas regras fixadas pelo banco estavam sendo cumpridas e os “mecanismos de controle” tinham sido aprimorados.
Ou seja: o uso dos recursos do FIV pelo BB foi feito, sob a gestão do petista Henrique Pizzolato, exatamente como tinha sido feito no governo FHC, nos dois anos anteriores à chegada de Pizzolato ao banco. E mais: foi sob a gestão de Pizzolato, em meados de 2004, que as regras para uso e controle dos recursos foram aprimoradas.
Mais reveladora ainda é análise dos apensos em busca das evidências de que os trabalhos de promoção dos cartões Visa vendidos pelo BB foram feitos. E essas evidências são torrenciais. Uma amostra dessas promoções que devem ser do conhecimento de milhares e milhares de brasileiros estão no quadro abaixo.
Em toda a documentação da auditoria existem questionamentos, são apresentados problemas. Mas de detalhes. Não é disso que se tratou no julgamento da AP 470 no entanto. A acusação que se fez e que se pretende impor através do surto do STF é outra coisa. Quer apresentar os 73,8 milhões gastos através da DNA de Valério como uma farsa montada pelo PT com o objetivo de ficar no poder, como diz o ministro Britto, “muito além de um quadriênio quadruplicado”. Essa conclusão é um delírio. As campanhas de promoção não só existiram como deram resultados espetaculares para o BB tendo em vista os objetivos pretendidos. O banco tornou-se o líder nos gastos com cartões Visa no Brasil.
Em 2003, o banco emitiu 5,3 milhões desses cartões, teve um crescimento de cerca de 35% no seu movimento de dinheiro através deles, tornou-se o número um nesse quesito entre os associados da CBMP. No final do ano, 18 de dezembro, às 14h30 horas, em São Paulo, no Itaim Bibi, rua Brigadeiro Faria Lima 3729, segundo andar, sala Platinum, de acordo com ata do encontro, os representantes dos sócios no Conselho de Administração da CBMP se reuniram e aprovaram o plano para o ano seguinte. Faturamento esperado nas transações com os cartões Visa para 2004, 156 bilhões de reais. Dinheiro do FIV, ou seja: recursos para as promoções dos cartões pelos vários bancos associados, 0,10%, ou seja 1 milésimo, desse total: 156 milhões. Parte a ser usada pelo BB, que era, dos 25 sócios da CBMP, o mais empenhado nas promoções: 35 milhões de reais.
Pode-se criticar esse esquema Visanet-BB. O governo está querendo que as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais pelos uso dos cartões sejam reduzidas. Na conta feita no parágrafo anterior, dos 156 bilhões de reais a serem movimentados pelos cartões em 2004, o dinheiro que iria para o esquema Visanet-BB seria de 4% a 6% desse total, ou seja, ficaria entre 6 a 10 bilhões de reais (ou seja, a verba programada para o fundo de incentivos na promoção dos cartões foi pelo menos 40 vezes menor). A procuradoria da República e o ministro Barbosa sabem de tudo isso. Se não o sabem é porque não quiseram saber: da documentação tiraram apenas detalhes, para criar o escândalo no qual estavam interessados.
A VERTIGEM DO SUPREMO
Os ministros do STF deliraram: não houve o desvio de 73,8 milhões de reais do Banco do Brasil, viga mestra da tese do mensalão. Acompanhe a nossa demonstração
Por Raimundo Rodrigues Pereira, da revista Retrato do Brasil
A tese do mensalão como um dos maiores crimes de corrupção da história do País foi consagrada no STF. Veja-se o que diz, por exemplo, o presidente do tribunal, ministro Ayres Britto, ao condenar José Dirceu como o chefe da “quadrilha dos mensaleiros”. O mensalão foi “um projeto de poder”, “que vai muito além de um quadriênio quadruplicado”. Foi “continuísmo governamental”, “golpe, portanto”. Em outro voto, que postou no site do tribunal dias antes, Britto disse que o mensalão envolveu “crimes em quantidades enlouquecidas”, “volumosas somas de recursos financeiros e interesses conversíveis em pecúnia”, pessoas jurídicas tais como “a União Federal pela sua Câmara dos Deputados, Banco do Brasil-Visanet, Banco Central da República”.
Britto, data vênia, é um poeta. Na sua caracterização do mensalão como um crime gigante, um golpe na República, o que ele chama de Banco do Brasil-Visanet, por exemplo? É uma nova entidade financeira? Banco do Brasil a gente sabe o que é: é aquele banco estatal que os liberais queriam transformar em Banco Brasil, assim como quiseram transformar a Petrobras em Petrobrax, porque achavam ser necessário, pelo menos por palavras, nos integrarmos ao mundo financeiro globalizado.
De fato, Visanet é o nome fantasia da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, responsável, no Brasil, pelos cartões emitidos com a chamada bandeira Visa (hoje o nome fantasia mudou, é Cielo). Banco do Brasil-Visanet não existia, nem existe; é uma entidade criada pelo ministro Britto. E por que, como disse no voto citado, ele a colocou junto com os mais altos poderes do País - a União Federal, a Câmara dos Deputados e o Banco Central da República? Com certeza porque, como a maioria do STF, num surto anti-corrupção tão ruim quanto os piores presenciados na história política do País, viu, num suposto escândalo Banco do Brasil-Visanet, uma espécie de revelação divina. Ele seria a chave para transformar num delito de proporções inéditas o esquema de distribuição, a políticos associados e colaboradores do PT, de cerca de 50 milhões de reais tomados de empréstimo, de dois bancos mineiros, pelo partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No dia 13 de julho de 2005, menos de um mês depois de o escândalo do mensalão ter surgido, com as denúncias do deputado Roberto Jefferson, a Polícia Federal descobriu, no arquivo central do Banco Rural, em Belo Horizonte, todos os recibos da dinheirama distribuída. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Marcos Valério, um empresário de publicidade mineiro, principais operadores da distribuição, contaram sua história logo depois. E não só eles como mais algumas dezenas de pessoas, também envolvidas no escândalo de alguma forma, foram chamadas a depor em dezenas de inquéritos policiais e nas três comissões parlamentares de inquérito que o Congresso organizou para deslindar a trama.
Todos disseram que se tratava do famoso caixa-dois, dinheiro para o pagamento de campanhas eleitorais, passadas e futuras. Como dizemos, desde 2005, tratava-se de uma tese razoável. Por que razoável, apenas? Porque as teses, mesmo as melhores, nunca conseguem juntar todos os fatos, sempre deixam alguns de lado. A do caixa-dois é razoável. O próprio STF absolveu o publicitário Duda Mendonça, sua sócia Zilmar Fernandes e vários petistas, que receberam a maior parte do dinheiro do chamado valerioduto, porque, a despeito de proclamar que esse escândalo é o maior de todos, a corte reconheceu tratar-se, no caso das pessoas citadas, de dinheiro para campanhas eleitorais. E a tese do caixa-dois é apenas razoável, como dissemos também, porque fatos ficam de fora.
É sabido, por exemplo, que, dos 4 milhões recebidos pelo denunciante Roberto Jefferson - que jura ser o dinheiro dele caixa dois e o dos outros, mensalão - uma parte, modesta é verdade, foi para uma jovem amiga de um velho dirigente político ligado ao próprio Jefferson e falecido pouco antes. Qualquer criança relativamente esperta suporia também que os banqueiros não emprestaram dinheiro ao PT porque são altruístas e teria de se perguntar porque o partido repassou dinheiro ao PTB, PL e PP, aliados novos, e não ao PSB, PCdoB, aliados mais fiéis e antigos. Um arguto repórter da Folha de S. Paulo, num debate recente sobre o escândalo, com a participação de Retrato do Brasil, disse que dinheiro de caixa-dois é assim mesmo. E que viu deputado acusado de ter recebido o dinheiro do valerioduto vestido de modo mais sofisticado depois desses deploráveis acontecimentos.
O problema não é com a tese do caixa-dois, no entanto. Essa é a tese dos réus. No direito penal brasileiro, o réu pode até ficar completamente mudo, não precisa provar nada. É ao ministério público, encarregado da tese do mensalão, que cabe o ônus da prova. E essa tese é um horror. No fundo, é uma história para criminalizar o Partido dos Trabalhadores, para bem além dos crimes eleitorais que ele de fato cometeu no episódio. O escândalo Banco do Brasil-Visanet, que é o pilar de sustentação da tese, não tem o menor apoio nos fatos.
Essencialmente, a tese do mensalão é a de que o petista Henrique Pizzolato teria desviado de um “Fundo de Incentivo Visanet” 73,8 milhões de reais que pertenceriam ao Banco do Brasil. Seria esse o verdadeiro dinheiro do esquema armado por Delúbio e Valério sob a direção de José Dirceu. Os empréstimos dos bancos mineiros não existiriam. Seriam falsos. Teriam sido inventados pelos banqueiros, também articulados com Valério e José Dirceu, para acobertar o desvio do dinheiro público.
Essa história já existia desde a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Foi encampada pelos dois procuradores-gerais da República, Antônio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, que fizeram os trabalhos da acusação. E foi transformada num sucesso de público graças aos talentos do ministro Joaquim Barbosa na armação de uma historinha ao gosto de setores de uma opinião pública sedenta de punir políticos, que em geral considerada corruptos, e ao surto anticorrupção espalhado por nossa grande mídia, que infectou e levou ao delírio a maioria do STF.
Por que a tese do mensalão é falsa? Porque o desvio dos 73,8 milhões de reais não existe. A acusação disse e o STF acreditou que uma empresa de publicidade de Valério, a DNA, recebeu esse dinheiro do Banco do Brasil (BB) para realizar trabalhos de promoção da venda de cartões de bandeira Visa do banco, ao longo dos anos 2003 e 2004. E haveria provas cabais de que esses trabalhos não foram realizados.
A acusação diz isso, há mais de seis anos, porque ela precisa de que esse desvio exista. Porque seria ele a prova de serem os 50 milhões de reais do caixa dois confessado por Delúbio e Valério inexistentes e de os empréstimos dos bancos mineiros ao esquema Valério-Delúbio serem falsos e decorrentes de uma articulação política inconfessável de Dirceu com os banqueiros. Ocorre, no entanto, que a verdade é oposto do que a acusação diz e o STF engoliu. Os autos da Ação Penal 470 contêm um mar de evidências de que a DNA de Valério realizou os trabalhos pelos quais recebeu os 73,8 milhões de reais.
No nosso site na internet, RB está apresentando, a todos os interessados em formar uma opinião mais esclarecida sobre o julgamento que está sendo concluído no STF, um endereço onde pode ser localizada a mais completa auditoria sobre o suposto escândalo BB-Visanet. Nesse local o leitor vai encontrar os 108 apensos da AP 470 com os trabalhos dessa auditoria. São documentos em formato pdf equivalentes a mais de 20.000 páginas e foram coletados por uma equipe de 20 auditores do BB num trabalho de quatro meses, de 25 de julho a 7 de dezembro de 2005 e depois estendido com interrogatórios de pessoas envolvidas e de documentos coletados ao longo de 2006.
A auditoria foi buscar provas de que o escândalo existia. Mas, ao analisar o caso, não o fez da forma interesseira e escandalosa da procuradoria geral da República e do relator da AP 470 Joaquim Barbosa, empenhados em criminalizar a ação do PT. Fez um levantamento amplo do que foram as ações do Fundo de Incentivo Visanet (FIV) desde sua criação em 2001.
Um resumo da auditoria, de 32 páginas, está nas primeiras páginas do terceiro apenso (Vol. 320). Resumindo-a mais ainda se pode dizer que:
* As regras para uso do fundo pelo BB têm duas fases: uma, de sua criação em 2001 até meados de 2004, quando o banco adotou como referencial básico para uso dos recursos o Regulamento de Constituição e Uso do FIV da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (CBMP); e outra, do segundo semestre de 2004 até dezembro de 2005, quando o BB criou uma norma própria para o controle do fundo.
*Entre 2001 e 2004, a CBMP pagou, por ações do FIV programadas pelo BB, aproximadamente 150 milhões de reais – 60 milhões nos anos 2001-2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, portanto; e 90 milhões nos anos 2003-2004, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E, nos dois períodos, sempre 80% dos recursos foram antecipados pela CBMP, a pedido do BB, para as agências de publicidade contratadas pelo banco.
*O BB decidiu, em 2001, por motivos fiscais, que os recursos do FIV não deveriam passar pelo banco. A CBMP pagaria diretamente os serviços através de agências contratadas pelo BB. A DNA e a Lowe Lintas foram as agências, no período 2001-2002. No final de 2002 o BB decidiu especializar suas agências e só a DNA ficou encarregada das promoções do FIV. Os originais dos documentos comprobatórios das ações ficavam na CBMP, não no BB, em todos os dois períodos.
*O fato de o BB encomendar as ações mas não ser o controlador oficial das mesmas fez com que, nos dois períodos, 2001-2002 e 2003-2004, fossem identificadas, diz a auditoria, “fragilidades no processo e falhas na condução de ações e eventos”, que motivaram mudanças nos controles de uso do fundo. Essas mudanças foram implementadas no segundo semestre de 2004, a partir de 1 de setembro.
*O relatório destaca algumas dessas “fragilidades” e “falhas”. Aqui destacaremos a do controle dos serviços, para saber se as ações de promoção tinham sido feitas de fato. Os auditores procuraram saber se existiam os comprovantes de que as ações de incentivo autorizadas pelo BB no período tinham sido de fato realizadas. **Procuraram os documentos existentes no próprio banco – notas fiscais, faturas, recibos emitidos pelas agências para pagar os serviços e despesas de fornecedores para produzir as ações. Descobriram que, para os dois períodos 2001-2002 e 2003-2004 igualmente, somando-se as ações com falta absoluta de documentos às com falta parcial, tinha-se quase metade dos recursos despendidos.
**Os auditores procuraram então os mesmos documentos na CBMP, que é, por estatuto, a dona dos recursos e a controladora de sua aplicação e dos documentos originais de comprovação da realização dos serviços. A falta de documentação comprobatória foi, então, muito pequena - em proporção aos valores dos gastos autorizados, de 0,2% em 2001, 0,1% em 2002, 0,4% em 2003 e 1% em 2004.
*Dizem ainda os auditores: com as novas normas, em função das mudanças feitas nas formas de controlar o uso do dinheiro do FIV pelo BB, entre janeiro e agosto de 2005 foram executadas sete ações de incentivo, no valor de 10,9 milhões de reais e se pode constatar que, embora ainda precisassem de aprimoramento, as novas regras fixadas pelo banco estavam sendo cumpridas e os “mecanismos de controle” tinham sido aprimorados.
Ou seja: o uso dos recursos do FIV pelo BB foi feito, sob a gestão do petista Henrique Pizzolato, exatamente como tinha sido feito no governo FHC, nos dois anos anteriores à chegada de Pizzolato ao banco. E mais: foi sob a gestão de Pizzolato, em meados de 2004, que as regras para uso e controle dos recursos foram aprimoradas.
Mais reveladora ainda é análise dos apensos em busca das evidências de que os trabalhos de promoção dos cartões Visa vendidos pelo BB foram feitos. E essas evidências são torrenciais. Uma amostra dessas promoções que devem ser do conhecimento de milhares e milhares de brasileiros estão no quadro abaixo.
Em toda a documentação da auditoria existem questionamentos, são apresentados problemas. Mas de detalhes. Não é disso que se tratou no julgamento da AP 470 no entanto. A acusação que se fez e que se pretende impor através do surto do STF é outra coisa. Quer apresentar os 73,8 milhões gastos através da DNA de Valério como uma farsa montada pelo PT com o objetivo de ficar no poder, como diz o ministro Britto, “muito além de um quadriênio quadruplicado”. Essa conclusão é um delírio. As campanhas de promoção não só existiram como deram resultados espetaculares para o BB tendo em vista os objetivos pretendidos. O banco tornou-se o líder nos gastos com cartões Visa no Brasil.
Em 2003, o banco emitiu 5,3 milhões desses cartões, teve um crescimento de cerca de 35% no seu movimento de dinheiro através deles, tornou-se o número um nesse quesito entre os associados da CBMP. No final do ano, 18 de dezembro, às 14h30 horas, em São Paulo, no Itaim Bibi, rua Brigadeiro Faria Lima 3729, segundo andar, sala Platinum, de acordo com ata do encontro, os representantes dos sócios no Conselho de Administração da CBMP se reuniram e aprovaram o plano para o ano seguinte. Faturamento esperado nas transações com os cartões Visa para 2004, 156 bilhões de reais. Dinheiro do FIV, ou seja: recursos para as promoções dos cartões pelos vários bancos associados, 0,10%, ou seja 1 milésimo, desse total: 156 milhões. Parte a ser usada pelo BB, que era, dos 25 sócios da CBMP, o mais empenhado nas promoções: 35 milhões de reais.
Pode-se criticar esse esquema Visanet-BB. O governo está querendo que as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais pelos uso dos cartões sejam reduzidas. Na conta feita no parágrafo anterior, dos 156 bilhões de reais a serem movimentados pelos cartões em 2004, o dinheiro que iria para o esquema Visanet-BB seria de 4% a 6% desse total, ou seja, ficaria entre 6 a 10 bilhões de reais (ou seja, a verba programada para o fundo de incentivos na promoção dos cartões foi pelo menos 40 vezes menor). A procuradoria da República e o ministro Barbosa sabem de tudo isso. Se não o sabem é porque não quiseram saber: da documentação tiraram apenas detalhes, para criar o escândalo no qual estavam interessados.

30/10 - Catarina Migliorini vendeu a virgindade
FONTE:prdpaulo@terra.com.br
Se
foi japonês no outro dia pode leiloar de novo.....
Fotos de Catarina Migliorini – A brasileira que vendeu sua virgindade por R$ 1.5 milhões
Nos últimos dias, vários portais do mundo inteiro noticiaram sobre a
brasileira Catarina Migliorini, de Itapema-SC,
que leiloou sua virgindade na internet e acabou sendo arrematada por R$ 1.5 milhões por um japonês.
Veja algumas fotos da garota, que eram exibidas no catálogo do leilão:
que leiloou sua virgindade na internet e acabou sendo arrematada por R$ 1.5 milhões por um japonês.
Veja algumas fotos da garota, que eram exibidas no catálogo do leilão:
E um vídeo.
Ps. O
garoto do vídeo também foi leiloado, mas parece que foi algo em torno de 8 mil
dólares e foi um homem que comprou. (LOL) 30/10 - UM ESCRITOR COMUNISTA
From: Castor Filho
Sent: Friday, October 26, 2012 10:42 PM
To: undisclosed-recipients:
Subject: Graciliano Ramos, um escritor comunista
De: Urariano
26 de Outubro de 2012 - 18h00
A retirada de Fabiano (Vidas
Secas), no traço de João Pinheiro
Os 120 anos de Graciliano Ramos
recebem o presente de O Velho Graça, a biografia de um dos nossos
clássicos, que em boa hora a editora Boitempo acaba de reeditar. Se os adjetivos
não estivessem tão gastos, diria que esse é um lançamento oportuno e necessário.
Mas em atenção a Graciliano, procurarei evitar o excesso de qualificações. E
vamos ao trabalho
A retirada de Fabiano (Vidas
Secas), no traço de João PinheiroGraciliano Ramos, um escritor comunista
Os 120 anos de Graciliano Ramos
recebem o presente de O Velho Graça, a biografia de um dos nossos
clássicos, que em boa hora a editora Boitempo acaba de reeditar. Se os adjetivos
não estivessem tão gastos, diria que esse é um lançamento oportuno e necessário.
Mas em atenção a Graciliano, procurarei evitar o excesso de qualificações. E
vamos ao trabalho
Por Urariano Mota, especial para o
Vermelho
Da velha edição que tenho comigo, de 1992, é que
retiro os trechos e reflexões que reúno agora. A primeira delas é que deveria
haver no momento uma suspensão das notícias que são um alarido de baixa
animalidade, que fazem passar as horas em um vazio sem fim, como as fotos da
nudez da última celebridade ou o arremedo de justiça dos astros do STF, porque
neste ano, mais precisamente no sábado 27 de outubro, é aniversário de
Graciliano Ramos. Diria Camões “cesse tudo o que a musa antiga canta”, mas em
relação ao noticiário, que musa? Melhor, esse “que musa?” soaria aos ouvidos dos
repórteres como um “que música?”. E para evitar a musa que se confunde com
música, vamos ao primeiro trecho que destaco da biografia O Velho
Graça, escrita por Dênis de Moraes:
“Na safra, aparecerão A
bagaceira, de José Américo de Almeida; Menino de engenho, de José
Lins do Rego; O país do carnaval e Cacau, de Jorge Amado;
Os corumbas, de Armando Fontes; Casa-grande e senzala, de
Gilberto Freyre.
Em artigo no Diário de Pernambuco, de 10 de
março de 1935, sob o título O romance do Nordeste, (Graciliano Ramos)
escreveu:
‘Era indispensável que os nossos romances não fossem escritos
no Rio, por pessoas bem-intencionadas, sem dúvida, mas que nos desconheciam
inteiramente. Hoje desapareceram os processo de pura criação literária. Em todos
os livros do Nordeste, nota-se que os autores tiveram o cuidado de tornar a
narrativa, não absolutamente verdadeira, mas verossímil. Ninguém se afasta do
ambiente, ninguém confia demasiado na imaginação. (...) Esses escritores são
políticos, são revolucionários, mas não deram a ideias nomes de pessoas: os seus
personagens mexem-se, pensam como nós, sentem como nós, preparam as suas safras
de açúcar, bebem cachaça, matam gente e vão para a cadeia, passam fome nos
quartos sujos duma hospedaria.’”
Notem o quanto é impressionante como
escritores tão distintos, José Lins, Graciliano Ramos, Jorge Amado, sem
comunicação entre si, em estados e cidades diferentes, escrevam romances como se
estivessem em um só movimento literário. Isso, que para os professores de
cursinhos vestibulares, e até em certas cátedras universitárias, ganha feições
de prato feito, é mais que coincidência. Esses homens inquietos não escreviam o
que escreveram por método ou influência de escola estética. O que os unifica é o
espírito do tempo, que no caso eram as ideias de esquerda, a influência
socialista, o movimento comunista no Brasil, que refletia o eco de 1917, até
mesmo em Palmeira dos Índios, onde vivia Graciliano. E neste ponto, de passagem,
cabe uma brevíssima ponderação, que deixo para estudiosos mais capazes: pensa-se
que a influência do partido comunista se deu em suas estritas fileiras, ou, de
outro modo, nos tenentes e movimentos de massa e de operários. Nada mais
inexato. A partir de 1930 a força das ideias socialistas se alastrou no Brasil
entre comunistas organizados, comunistas de simpatia (mas simpatia é quase amor,
diz um bloco do carnaval do Rio), socialistas, e, de modo geral, em artistas que
refletiam o povo brasileiro como se manifestassem uma nova independência. De
certo modo, de certo modo, não, de todos os modos, o pensamento que avançou
entre nós, da ciência à literatura, recebeu a fecundação do diálogo com o mundo
de esquerda. De passagem ainda, mas em outro lugar, deveria ser observada a
influência desses escritores nordestinos sobre a literatura dos africanos que se
libertaram de Portugal.
No momento, chamo a atenção para o que me parece
um engano, que por força do hábito se tornou um gênero de texto. Penso em
Vidas Secas, livro sobre o qual a pesquisa de Dênis de Moraes informa:
“Cem dias depois de ter sido posto em liberdade, Graciliano iniciaria um
novo projeto literário. Escrevera um conto baseado no sacrifício de um cachorro,
que presenciara, quando criança, no Sertão pernambucano... As opiniões
favoráveis o incentivariam a prosseguir a história, esboçando o perfil dos donos
de Baleia.
O processo de composição do romance – o único que escreveu na
terceira pessoa – seria, por razões de ordem financeira, dos mais originais da
literatura brasileira. A conta da pensão e as despesas duplicadas com a vinda da
família para o Rio o obrigariam a escrever os capítulos como se fossem contos.
Era um artifício para ganhar dinheiro, publicando-os isoladamente em jornais e
revistas, à medida que os produzia. Às vezes, republicaria o mesmo conto, com
título alterado, em outros periódicos. Dos 13 capítulos, oito sairiam nas
páginas de O Cruzeiro, O Jornal, Diário de Notícias, Folha de Minas e
Lanterna Verde, além de La Prensa, de Buenos
Aires...
Um romance desmontável, cujas peças podem ser destacadas para a
leitura e seriadas de mais de uma maneira. Como telas de uma exposição que têm
vida própria, independente dos demais”.
Mas Vidas Secas não é um
romance! E as razões para isso vêm não só de ordem financeira, quero crer. Um
romance exige – ainda que a sua realização seja rebelde a linhas de fronteira –
algo mais que a repetição de personagens em diferentes relatos. Se assim fosse,
A Comédia Humana, de Balzac, seria um só livro. No romance há uma
organicidade de pessoas, digo, personagens, que crescem e se diluem em um
destino em bloco. E de tal modo que as suas partes autônomas, ainda que
seccionadas e vendidas como contos, ganham pleno sentido no conjunto. O todo é a
iluminação do particular. O magnífico relato da cachorra Baleia, unido a páginas
magistrais pelos personagens que o talento de Graciliano acrescentou, jamais
teria unidade absoluta se pertencesse a um romance. Na verdade, Vidas Secas
é uma vitória do gênio do escritor sobre as condições difíceis de tempo e
lugar em que escreveu o livro, e o seu valor não cai nem um bilionésimo, quando
se nota nele um exemplar conjunto de contos em vez de um romance. E aqui, sobre
a genialidade do artista, em mais de uma página de sua biografia recebemos
lições:
“A qualidade essencial de quem escreve é a clareza, é dizer uma
coisa que todos entendam da forma que você quis. Para escritor que é de ofício
autodidata, isso custa anos, porque não está na gramática, nem em livro
algum”.
Muito Bom!!!! é o comentário mais ponderado que me ocorre. Para o
escritor que é de ofício autodidata, isso custa anos, porque não está na
gramática, nem em livro algum, fala o mestre provado. Me acompanhem por favor:
em que oficinas de literatura podem se formar escritores essenciais? Em que
oficina de escritor se forma a vida? Em que oficinas, a seu modo laboratórios de
bebês de proveta, se conseguirá a clareza que só a malhação fora das academias
de todo tipo e gênero dá? Em que local se aprenderá a observação que o instinto
e a mente e a experiência concebem?
Em Graciliano Ramos, se o
compreendemos bem, há uma teoria da arte, há uma teoria da literatura, há uma
lição de sabedoria que deveria ser luz para todo escritor digno do nome. Todos,
novos e velhos, escritores livres ou escravos ladinos. Como neste passo, do
diário de Paulo Mercadante, citado em O Velho Graça:
“Graciliano falou de sua experiência. Escrever é um lento aprendizado,
que se estende pela vida, é alguma coia que exige concentração e paciência.
Muita paciência mesmo. Não se trata apenas de saber a sintaxe, de dominar um
grande vocabulário, mas de ser fiel à ideia e domá-la em termos de uma precisão
formal. Por isso, a experiência é essencial, só escapando dessa condição o
poeta. Talvez com relação ao escritor haja uma conjugação, Graciliano concluiu,
da pessoa como individualidade, do ponto de vista de uma psicologia determinada
com o meio onde cresceu e viveu”.
Entendam. O entusiasmo ponderado acima
não significa que da sua escrita venha uma norma, uma lei que diga a um homem
que deseje “apenas” (!) expressar o seu pensamento: - olha, fora deste caminho
nenhuma salvação é possível. Não é isso. Na literatura só existe um regra: não
existe regra. Só existe uma maneira, de todas as maneiras. O reconhecimento da
sua grandeza não implica a busca do caminho único da escrita escorreita, limpa e
enxuta do mestre. Pois como ficaria a gordura de José Lins? Em que plano
assomaria o bolero em forma de letras de Gabriel García Márquez? Ou os torneios
vocabulares de Proust? E os delírios de matar de Gogol? Não. Trata-se apenas de
retirar da experiência curtida, no sentido de pele enrugada de muitos sóis, de
Graciliano aquilo que serve a gordos e magros, altos baixos, desbocados ou
contidos. A saber: escrever é um lento aprendizado, que se estende pela vida, é
alguma coia que exige concentração e paciência. Muita paciência mesmo.
E
aqui, sem sair do capítulo da excelência da sua escrita, e como nem tudo são
flores, entramos em um terreno mais pedregoso. Entramos no embate político do
mestre, dentro do partido e fora dele, no mesmo tempo, até como uma prova de que
a vida partidária não é uma estufa. A sociedade e a história passam pelos
partidos comunistas, onde quer que estejam. Refiro-me ao cume da obra de
Graciliano Ramos, o Memórias do Cárcere. Para mim, a literatura
política no Brasil tem um pico, cujo nome é Memórias do Cárcere. Até
hoje, nada li melhor como retratos de homens comunistas no coletivo de um
presídio. É curioso como até nas universidades não veem as Memórias como o
melhor livro de Graciliano. Dizem: “não é ficção”, e com isso desprezam para a
lata de lixo uma prosa madura, grande, de denúncia, porque “não é ficção”. Mas
ela é tão boa ou melhor que a sua melhor ficção. Da primeira edição que tenho,
da Livraria José Olympio em 1953, com fac-símiles do manuscrito e retrato do
autor no desenho de Portinari, digitei com paciência há seis anos, para
publicação no espanhol La Insignia, a página imortal que narra a
deportação de Olga Prestes. Está aqui http://www.lainsignia.org/2006/septiembre/cul_014.htm
Pois bem, essa obra não se fez sem conflitos os mais sérios, mais
particularmente com Diógenes de Arruda Câmara, o homem que seguia com rigor,
digamos, excessivo a disciplina partidária. Diz o livro:
“Arruda pedira
para folhear os originais de Memórias do Cárcere, aborrecendo-se, logo
na primeira lauda, com a afirmação de que, no Estado Novo, ‘nunca tivemos
censura prévia em arte’... No decorrer da reunião, cobrariam (Arruda, Astrojildo
e Floriano Gonçalves) novamente a Graciliano o seu distanciamento do realismo
socialista e a falta de vigor revolucionário de seus livros. Um dos presentes,
em tom inflamado, diria que ele persistia num realismo crítico ultrapassado e
citaria Jorge Amado como escritor empenhado em dar conteúdo participante a suas
obras. Ao ouvir o nome de Jorge, Graciliano romperia o silêncio:
-
Admiro Jorge Amado, nada tenho contra ele, mas o que sei fazer é o que está nos
meus livros”.
Conta o livro que em outra oportunidade, anos antes desse
dia, Diógenes, em uma reunião com escritores, entre os quais estavam Astrojildo
Pereira, Dalcídio Jurandir, Osvaldo Peralva, e o próprio Graciliano, teria
feito, segundo o biógrafo Dênis de Moraes, “uma apologia à literatura
revolucionária, exigindo que os presentes se enquadrassem nos ditames
zdanovistas. A certa altura, citaria como exemplo os poemas de Castro Alves, que
a seu ver encaravam os problemas sociais numa perspectiva revolucionária. E o
que era mais importante: com versos rimados” .
E mais, em outro ponto da
biografia:
“Em conversas posteriores com Heráclio Salles, ele enfatizaria
a aversão ao romance panfletário.
- Nenhum livro do realismo socialista
lhe agradou? – perguntaria o jornalista.
- Até o último que li, nenhum.
Eu acho aquele negócio de tal ordem que não aceitei ler mais nada.
- Qual
a principal objeção que o senhor faz?
- Esse troço não é literatura. A
gente vai lendo aos trancos e barrancos as coisas que vêm da União Soviética,
muito bem. De repente, o narrador diz: ‘O camarada Stálin...’ Ora porra! Isto no
meio de um romance?! Tomei horror.
- Não seria possível purificar o
estilo do realismo socialista?
- Não tem sentido. A literatura é
revolucionária em essência, e não pelo estilo do panfleto.
Não é de se
admirar, portanto, que não tolerasse as fórmulas emanadas de Moscou. Ao tomar
conhecimento do informe de Zdanov sobre literatura e arte,
esculhambaria:
- Informe? Eu gosto muito da palavra, porque informe é
mesmo uma coisa informe.”
A relação de Graciliano Ramos com o PCB, nos
últimos anos, é conflituosa, aqui e ali em aberta crise. Mas se destaca nessa
relação, por isso mesmo, uma expressão de grandeza do escritor, que não deixou a
sua escolha pelo comunismo, mesmo em luta contra a estreiteza da direção na
época. Nessa biografia emerge um comunista à velha maneira, à maneira que
julgamos clássica, modelar, diferente de comportamentos de algumas militâncias
que tudo se permitem, desde que para isso alcancem o poder. Olhem só como agia,
e no que agia ele era, o comunista Graciliano Ramos:
“Recusava assinar
artigos (no Correio da Manhã, onde trabalhava como revisor), alegando
para os mais íntimos que não concordava com a linha editorial dos jornais
burgueses. O máximo que admitia era colaborar com o suplemento literário.
Relutava em aceitar aproximação maior com os proprietários do Correio da
Manhã, embora mantivesse uma relação cordial com Paulo Bittencourt (o
patrão). A ortodoxia política o levaria ao exagero de não comparecer ao jantar
pelo aniversário de Bittencourt. A José Condé, que passava a lista de adesões,
afirmaria:
- Não me sento à mesa com patrão. Todo patrão é filho da
puta! O Paulo é o que menos conheço, mas é patrão.
No dia seguinte,
Bittencourt se queixaria:
- Mas, Graciliano, como é que você me faz uma
coisa dessas?
- Paulo, eu o repeito, mas você é patrão ...
- Mas
eu sou um patrão diferente.
- Não, Paulo. Todo patrão para mim é
..,
- ... filho da puta. Já sei que você xingou minha mãe.
O
comunista e o burguês acabariam rindo juntos.
Paulo Bittencourt gostava
de provocar Graciliano por suas ideias socialistas. Quando o Correio da
Manhã recebeu novas máquinas, Paulo o alfinetaria:
- Imagine se
vocês fizessem uma revolução e vencessem. Todo esse parque gráfico seria
destruído.
Graciliano o cortaria:
- Só um burro ou um louco
poderia pensar isto. Se fizéssemos a revolução e vencêssemos, só ia acontecer
uma coisa. Em vez de você andar por aí, viajando pela Europa, gastando dinheiro
com mulheres, teria que ficar sentadinho no seu canto trabalhando como todos
nós”.
Esse livro, O Velho Graça, tem uma característica até
hoje pouco destacada. Em vez da pura leitura de uma biografia, desperta no
leitor uma simpatia profunda pelo biografado. Nele Graciliano Ramos cresce como
escritor em uma rara empatia, como um irmão mais que amigo, ou como um amigo
mais que irmão. Enfim, como um camarada, fraterno, admirável.
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