ATÉ QUANDO VAMOS NOS RESTRINGIR A DISCUTIR, SEM APRESENTAR SOLUÇÕES?
UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL
Desde meados de 2012 venho publicando este tópico, com pequenas
revisões. Não tenho a pretensão de estabelecer métodos de ensino.
Procuro alertar sobre a necessidade de um aumento substancial no
investimento do ensino básico.
Esse projeto surgiu, depois de observar que necessitamos de uma base
para a construção de um Brasil altamente desenvolvido, com justiça
social e que, na conjuntura atual, possa unir o nosso povo em torno de
algo que supere a pulverização de ideias e ideologias que não têm
conseguido aglutinar o nosso povo, possibilitando aos inimigos externos
que não desejam ver esse gigante desenvolvendo tecnologia, com uma
indústria pujante, própria, lado a lado com os povos irmãos
latino-americanos. Essa base necessária chama-se educação!
Na
Finlândia,
por exemplo, um dos primeiros passos para o seu desenvolvimento foi a
valorização dos professores. Hoje, para ser professor da rede básica é
exigido curso superior e mestrado. Ser professor passou a ser a carreira
mais cobiçada, valorizada. Há uma preparação especial e só os melhores
alunos conseguem chegar lá. A quantidade de matérias é ampla,
propiciando a formação técnica e crítica dos estudantes. Da escola, não
sai, apenas, um técnico, mas uma pessoa com preparo para definir suas
opções na vida.
Antes de 1960, a Finlândia era, praticamente, um país madeireiro.
Hoje, as pessoas falam duas línguas estrangeiras e o país é conhecido
pela Nokia, uma das maiores fábricas de celulares do mundo, produto que
importamos e em troca exportamos, entre outros produtos primários, o
café. Em nosso país querem suprimir matérias como Geografia e História,
talvez, como consequência da supressão de professores. Educação que para
essa gente é gasto e não investimento!
No Brasil, o que precisamos?
São inaceitáveis as seguintes afirmações:
1. É uma sobrecarga o grande número de matérias obrigatórias no currículo escolar.
2. O Brasil vai quebrar, caso haja um grande aumento do investimento público na educação.
3. Aqueles que necessitam lutem sozinhos pelos seus direitos.
Na
INFOERA; com
o avanço exponencial dos componentes integrados, em consequência da
miniaturização, já alcançando o nível atômico, ao lado do vasto uso da
nanotecnologia, do vertiginoso desenvolvimento do software e das
comunicações; passa a ser mais importante, cada vez mais, o ser humano
pensante, com um amplo conhecimento geral que permita o seu
desenvolvimento, quando estiver fora da tradicional cadeira escolar. O
trabalho rotineiro será, então, executado pelas máquinas e robôs, como
está acontecendo, até no Brasil. O mundo da WEB tende a ser
incomensurável.
Precisamos preparar nossas crianças para esse mundo que se avizinha a
uma velocidade alucinante, com mais e mais competição, em qualquer tipo
de sociedade que se apresente.
No futuro que se avizinha as pessoas passarão a ter suas atividades
em casa ou viajando. Quem não estiver preparado, sofrerá as
consequências do ócio.
A verdade mostra que a nossa educação é, faz décadas, pífia! O Brasil
necessita de uma escola pública; em tempo integral, de qualidade; que
permita fornecer o básico às nossas crianças, para que elas se encaixem
nesse mundo que se descortina.
Observem que poucas são as escolas a obter um nível de avaliação razoável no IDEB.
Outra observação é que os piores índices, em geral, são verificados nas
regiões onde predominam altos níveis de violência. Quanto maior índice
de violência, tanto menor o IDEB!
Guardo cerca de 1000 testes aplicados; nos últimos 10 anos (redação
de pelo menos 15 linhas, matemática e conhecimentos gerais); em jovens
entre 18 a 25 anos, todos com secundário completo, muitos já
frequentando faculdades particulares. É uma calamidade!
O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as
injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO.
Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação.
Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças,
oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e
transporte, nas cidades e no campo.
Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma
mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento
laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas
(guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada
inicial.
A construção civil deve ser acionada para a construção de escolas de
alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de
refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade,
porém sem luxo. Durante esse período, o governo deve investir na
preparação de professores para atender à grande demanda.
Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir,
entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma
renegociação da dívida pública; com a inclusão do bolsa família; com a
criação de uma CPMF exclusiva para educação etc.
Para a construção inicial dos centros educacionais e formação de professores, sugiro que se invista cerca de
40% das nossas reservas. Alerto, que sem a federalização esse projeto não terá sucesso.
O objetivo desse projeto não é, apenas, a formação indivíduos
tecnicamente muito bem preparados, mas seres humanos que enxerguem com
clareza o mundo que os cerca.
Não temos tempo para ficar aguardando a época do pré-sal.
Observações e consequências previsíveis:
1.
O tráfico
perderá sua grande fonte de recrutamento, pois todas as crianças
estarão, obrigatoriamente, em tempo integral, das 07 às 18 horas, na
escola. Serão desnecessários tantos investimentos em presídios e no
efetivo policial. É uma fonte de recursos que migrará para a educação.
2. Para aqueles adolescentes que já participam de contravenções graves, podem ser planejadas escolas
albergues, dando mais ênfase ao esporte e à cultura.
3.
A saúde
será, também, uma grande beneficiária, pois teremos crianças bem
alimentadas, sinônimo de bem-estar para elas e seus pais. Toda escola
deverá ter um posto de saúde.
4.
O setor financeiro
deve saber que isso levará o país, em médio prazo, a outro nível de
prosperidade. Será bom para todos que desejam uma nação economicamente
forte.
5.
A federalização da educação
é uma necessidade, evitando aumentar as diferenças nas diversas regiões
do Brasil. A educação deve ter o mesmo nível em todo país.
6.
Fiscalização rigorosa,
prevista em lei, controlada pela sociedade; com a participação dos
pais, dos professores, dos sindicatos, com poderes e recursos para
denunciar erros, desvios de verba e de rumo.
7.
Recursos adicionais:
os pais pagarão 5% do salário / entradas pela mensalidade de cada filho
matriculado. Isso é muito menos do que arcam, hoje, nas escolas
particulares que, na sua maioria, não adotam o tempo integral.
8.
O pequeno agricultor
deve ter prioridade no fornecimento dos produtos alimentícios dessas
escolas. Surgirá, então, um mercado pujante, nesse vasto Brasil,
aumentando nosso mercado interno. Tornando-se, também, numa importante
política para manter o homem no campo. A formação de pequenas
cooperativas agrícolas deve ser incentivada para permitir a aquisição de
maquinário destinado ao cultivo da terra, armazenagem da colheita e
entrega dos produtos nas escolas.
9.
A EMBRAPA
deverá receber recursos adicionais para dar todo apoio a essa gente do
campo, aproveitando para ensinar como praticar uma agricultura
sustentável e como cuidar das matas ciliares. As escolas estabelecidas
no campo devem ter no currículo aulas teóricas e práticas de como
recuperar as áreas degradadas. O governo, por intermédio da Embrapa,
fornecerá mudas e orientação de como proceder. As escolas localizadas
dentro do perímetro urbano devem adotar a sistemática de, uma ou duas
vezes por mês, participar, em conjunto com suas irmãs do campo, de
mutirões para recuperar áreas degradadas, proporcionando uma maior
integração da cidade com o campo. As crianças da cidade não ficariam tão
alienadas, quanto à vida do interior.
10. O Brasil deixará de ser, apenas, um país exportador de produtos
primários. No campo da agricultura, teremos uma maior diversidade e
qualidade. Como está, cada dia, temos menos variedades de frutas e
verduras, pois ao grande produtor não interessa essa variedade. Neste
ritmo, só pensando na exportação, muitas espécies desaparecerão!
11. Com o advento dessa geração bem educada, passaremos a ter
produtos manufaturados, desenvolvidos e produzidos, aqui, com alta
tecnologia. Nossa indústria crescerá, em função do
mercado interno e da exportação de produtos com melhor qualidade.
12.
O futuro da energia:
Pequenas usinas de energia solar, eólicas e hidroelétricas devem
proliferar para atender às novas exigências dessas escolas e dos
pequenos agricultores. A sobra dessa energia será integrada à rede
nacional, evitando possíveis apagões.
13.
A energia nuclear, ainda, é cara e perigosa. Devemos pesquisá-la, intensamente.
14.
Outras fontes de energia, como a eólica, a solar e a biomassa poderão aumentar a nossa independência.
15. Não é com a devastação da
Amazônia
que vamos abastecer o mundo com carne. Precisamos desenvolver
tecnologia para multiplicar as cabeças de boi por metro quadrado. Um
povo educado e culto saberá combinar o desenvolvimento com a preservação
ambiental.
16. Os
psicopatas
sempre olham o presente; não se importam com o futuro! Estudos bem
elaborados confirmam que no meio da sociedade há cerca de 3% a 5% dessa
praga. Num país com uma população de 190 milhões, temos, assim, pelo
menos, 5.7 milhões praticando todo tipo de ato daninho à sociedade;
inclusive contra a educação. Quanto mais permissivo o ambiente, mais os
traficantes, os corruptos e lavadores de dinheiro atuam. Com um povo
educado essa gente não desaparece, porém o grau de atividade será bem
menor. Eles estarão, com certeza, na linha de frente, em oposição a um
plano como este!
17. Para alcançarmos tudo isso, quiçá, vamos necessitar de uma nova forma de praticar a política:
mandato único em todos os níveis,
partidos sem caciques, país unitário (seria o ideal), lei única, câmara
única e, consequentemente, deputados estaduais e vereadores só para a
fiscalização. Os incomodados dirão: Que blasfêmia! Quem não dá a devida
atenção à educação, deseja o status quo. Surgirão com uma infinita
quantidade de argumentos contra, lançados pelos psicopatas e por muitos
que não se dão conta que estão adotando os argumentos dessa gente.
Muitos irão dizer que só precisamos melhorar a gestão, num faz de
conta que não estão vendo os milhões de crianças perambulando pelas ruas
ou trabalhando para ajudar no sustento familiar. Não querendo, ainda,
tomar conhecimento dos milhares que estão sendo recrutados pelo tráfico.
Muitos ou estão dominados pela
propaganda ou simplesmente têm receio de contrariar banqueiros,
construtoras, empreiteiras e grandes empresas com potencial de
participar do execrável financiamento privado para as eleições.
18. A nossa
federação
tem sido o berço esplêndido dos caciques, dos modernos coronéis,
alojamento de mafiosos, fonte das guerras fiscais e muitas outras
mazelas. Dentro desse quadro federativo a educação, dificilmente, terá
guarida. Lutam desesperadamente pelos royalties do petróleo. Planejam
implantar o Trem Bala num país que não possui uma rede ferroviária para
escoar sua produção. Para a educação sobra o engodo.
19. Com um projeto como esse, as nossas Forças Armadas,
repensariam seus projetos de importação,
voltando sua atenção para o desenvolvimento tecnológico próprio. Não
temos ameaças de vizinhos. Importar tecnologia militar de ponta é dar
continuidade à nossa dependência. Um alto índice de educação será a base
da nossa segurança. Daqui, sairão nossos pesquisadores, jovens que
dedicarão seu tempo ao estudo, sem os desvios e vícios dessa sociedade
doentia. Jovens que terão orgulho do pedaço de torrão onde nasceram e
daqueles que pensaram neles. Jovens que não irão para as ruas queimar a
bandeira do seu país e praticar todo tipo de vandalismo. Isso é utopia?
Para quem não pensa em tal futuro, sim.
20. Essa escola deve acolher as
crianças a partir dos 04 anos
de idade com o objetivo de termos um bom nivelamento. Poucos são os
pais, dentro dessa vida estressante, que têm condições de educar seus
filhos durante os 04 aos 07 anos. Há uma tendência de deixarem essas
crianças na frente da televisão, mesmo quando sob o cuidado de algum
adulto. Dentro da classe média isso acontece, também. Que alternativa
sobra para as camadas menos favorecidas que, muitas vezes, necessitam
usar os precários meios de transporte, já antes do sol nascer? Há
estudos que comprovam ser essa faixa etária a mais importante como base
para o aprendizado futuro.
21. As atuais escolas de pequeno porte devem ser reformadas e usadas como
creches.
22. Lendo um artigo sobre a
escola na China,
chamou-me à atenção o fato de 02 crianças; filhas de brasileiros, que
lá estão estudando; externarem o desejo de retornar à escola brasileira,
alegando que a professora, no Brasil, passava uma folha para o dever de
casa e que na escola chinesa ela recebia quatro folhas, com a obrigação
de entregar o trabalho de casa totalmente feito. Para as crianças
chinesas, aquele procedimento era normal. Elas não cresceram sentadas ou
deitadas no sofá, só vendo desenhos animados e novelas.
Já morei num condomínio, com 108 apartamentos, onde havia uma quadra
de futsal que, praticamente, não era usada. Nos fins de semana, quando
encontrava um menino solitário no térreo e perguntava onde estavam os
coleguinhas que não desciam para brincar um pouco; a resposta não era
que estavam estudando e sim que a meninada gostava mesmo era do
videogame, estavam jogando, por isso não desciam. A obesidade começa a
se tornar a companheira inseparável do péssimo desempenho escolar! É por
isso que o entrevistador obteve aquela resposta na China. Tornemos a
saúde a companheira do conhecimento!
23. Há um programa internacional de avaliação de estudantes
(PISA),
no qual, em teste recente, entre 65 participantes, o Brasil obteve o
desagradável 54° lugar. A China, representada por Xangai, foi a primeira
colocada. Existe um projeto para expandir o sistema adotado em Xangai,
com cerca de 15 milhões de habitantes, para todo país. É, apenas, um
exemplo, mas precisamos saber o que acontece no mundo para facilitar
imitar o lado bom e evitarmos o negativo.
24. Imaginem o salto quantitativo e qualitativo que teríamos nos
esportes. Em todas futuras olimpíadas estaríamos nas primeiras
colocações. Em Londres, obtivemos desempenho inferior a países
infinitamente menores em dimensões territoriais e populacionais, como
Jamaica e Cuba.
25. Está disponível na internet uma grande gama de informações
esclarecedoras; muito bem fundamentadas e algumas foram comprovadas com
os vazamentos de documentos sigilosos pelo
Wikileaks;
de que nosso desenvolvimento tecnológico sofre sabotagens de todo tipo,
daqueles que não desejam ver o nosso país no cenário internacional com
produtos de alto índice tecnológico. O interesse é que sejamos,
exclusivamente, fornecedores de comodities!
Vejam, só, como exemplo, os revezes e sabotagens praticados ao
PROJETO ESPACIAL BRASILEIRO,
tendo seu ápice na explosão da base de Alcântara, quando tudo foi
destruído e as vidas de 21 cientistas foram ceifadas, em 22 de agosto de
2003.
Até nossos satélites para uso nas telecomunicações, na vigilância do
desmatamento, no monitoramento do clima estão sendo lançados no
exterior, apesar de Alcântara ser um local privilegiado para essa
atividade. Os interesses mesquinhos entrelaçam-se. A sabotagem indireta é
um ataque silencioso e muito perverso que o Brasil e o seu Programa
Espacial vêm sofrendo, sem tréguas, já faz mais de 20 anos. Tudo isso
acontece porque recebem a ajuda e cooperação dos mesmos que lutam contra
a educação no Brasil.