30/11 - Vale tudo: Prisão de Pezão inaugura nova fase na Lava Jato

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Blog do Rovai

Coluna política
Renato Rovai

29 DE NOVEMBRO DE 2018, 10H02

Vale tudo: Prisão de Pezão inaugura

 nova fase na Lava Jato

Essa ação, que está sendo tratada pela mídia como mais um gol da 
Lava Jato, é a autorização para que amanhã outros governadores e
 prefeitos sejam arrastados para celas sem que tenham sido julgados 
pelos seus atos.

Reprodução/TV Globo
A prisão do governador Pezão inaugura um novo ciclo da Lava Jato, a prisão de governadores no exercício do mandato. E indica que a eleição de Bolsonaro e o anúncio de Sérgio Moro para o ministério da Justiça deram novo impulso à operação e que para os próximos tempos as prisões preventivas e sem julgamento se intensificação.
Se Cabral recebeu propinas aos montes, provavelmente Pezão também. Isso, porém, não é prova suficiente para incriminá-lo. Se um delator diz que ele recebeu mesadas de 150 mil reais, que é o que se alega, isso não deveria ser o suficiente pra que a PF invadisse o Palácio das Laranjeiras e o arrancasse de lá para a cadeia.
Essa ação, que está sendo tratada pela mídia como mais um gol da Lava Jato, é a autorização para que amanhã outros governadores e prefeitos sejam arrastados para celas sem que tenham sido julgados pelos seus atos. Por que a PF ainda sem estar sob o controle de Moro faz isso com Pezão e não o fará com governadores de oposição?
Num ambiente democrático jornalistas sérios estariam hoje cobrando das autoridades explicações sobre essa ação. Mas ao contrário disso estão preocupados em explorar os detalhes de como Pezão estava na hora em que a sede do governo foi invadida.
O x da questão é que essas arbitrariedades não serão cometidas apenas contra políticos, como se sabe. A próxima etapa incluirá, advogados, donos de veículos de mídia, líderes de movimentos sociais etc.
Ao contrário do que se imaginava, a eleição de 2018 serviu pra acelerar o caráter persecutório e seletivo da Lava Jato. Aécio, por exemplo. continua livre, leve e solto. Palocci já está a caminho de casa. Delcídio deu festa de 600 mil reais pra filha. E a vida segue para eles num padrão muito melhor, por exemplo, do que para Lula. Que pelo andar da carruagem vai continuar preso por muito tempo.

30/11 - Jean Wyllys desabafa: “Eu temo ter o mesmo fim da Marielle”

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30 DE NOVEMBRO DE 2018, 21H58

Em entrevista à Carta Capital, 

Jean Wyllys desabafa:

 “Eu temo ter o mesmo fim da Marielle”

“Chegou-se ao ponto de uma desembargadora afirmar ser a favor de 
um ‘paredão profilático’ meu, e que eu não valeria a bala que me 
mataria nem o pano que limparia a bagunça”, afirmou o deputado
Foto: Alex Ferreira/Agência Câmara
“Eu temo ter o mesmo fim da Marielle Franco, uma amiga que também vivia no Rio de Janeiro e morreu por defender certas causas e incomodar poderosos”. A afirmação é do deputado federal reeleito Jean Wyllys (PSOL-RJ). “Chegou-se ao ponto de uma desembargadora – que sabia muito bem o que estava dizendo – afirmar ser a favor de um ‘paredão profilático’ meu, e que eu não valeria a bala que me mataria nem o pano que limparia a bagunça”, relembrou, em entrevista a Rodrigo Durão Coelho, para a Carta Capital.
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A desembargadora mencionada é Marília Castro Neves Vieira, do TJ–RJ, que, no último mês de novembro, foi notificada para explicar suas declarações ao Conselho Nacional de Justiça. Wyllys afirma que processou a juíza, porém, não teve resposta poder público. “Pergunte ao Ministério Público se foi tomada alguma providência. Nada acontece. Sou tratado com desdém ou chacota, mas temo pela minha vida”, destacou.
Jean vem sofrendo ameaças, inclusive de morte, por defender determinadas causas. Em resposta a uma solicitação feita pelo deputado, em outubro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), exigiu que o governo brasileiro adote medidas concretas para proteger a vida e a integridade física do parlamentar.
“Minha saúde é afetada, sim. Percebo que a onda de mentiras que falam ao meu respeito afeta a forma como as pessoas olham para mim. Eu sou honesto! Sou honrado! Sempre fui. Mas eu noto a mudança no olhar das pessoas, com desconfiança. Tudo isso começou com mais força depois do impeachment da Dilma e prosseguiu na campanha eleitoral”, desabafa Wyllys.
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30/11 - A Verdade

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30/11 - PF abre inquérito para apurar negócios suspeitos do futuro ministro Paulo Guedes

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30 DE NOVEMBRO DE 2018, 21H07

PF abre inquérito para apurar negócios

 suspeitos do futuro ministro Paulo Guedes

Polícia Federal investiga o futuro titular da pasta da Economia de Jair 
Bolsonaro por supostas fraudes em negócios com fundos de pensão 
patrocinados por estatais
Foto: Reprodução/GloboNews
O futuro ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, é alvo de investigação por parte da Polícia Federal, que instaurou inquérito para apurar supostas fraudes em negócios com fundos de pensão patrocinados por estatais, de acordo com Fabio Fabrini, da Folha de S.Paulo.
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O objetivo da PF é apurar se Guedes cometeu os crimes de gestão fraudulenta ou temerária ao captar, por meio de um fundo de investimentos, recursos de sete entidades de previdência complementar de empregados de empresas públicas. Também será averiguada a possibilidade de emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias suficientes.
Durante o período de seis anos, Paulo Guedes captou nada menos do que R$ 1 bilhão de fundos de pensão. Entre eles, estão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios), além do BNDESPar — braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
No comando da investigação está o procurador Alselmo Henrique Cordeiro Lopes, do grupo que dirige inquéritos. Ele já denunciou inúmeros executivos e agentes públicos em função de desvios em fundos de pensão e na Caixa Econômica Federal.
Na próxima quarta-feira (5), Guedes prestará depoimento ao Ministério Público Federal, em inquérito que também investiga as supostas fraudes.
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30/11 - PT cria rede de proteção jurídica e social para militantes em todo o país

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30 DE NOVEMBRO DE 2018, 21H34

PT cria rede de proteção jurídica e 

social para militantes em todo o país

Rede Democrática de Proteção Solidária será coordenada pelas 
secretarias setoriais do partido e pela Associação Brasileira dos 
Juristas pela Democracia
  
A secretária do Setorial Nacional LGBT do PT, Janaína Oliveira, explicou que os advogados serão divididos conforme as áreas de atuação – Foto: Reprodução/YouTube
Desde o golpe de 2016, a democracia no Brasil tem sido agredida de todas as formas. Ao longo do período eleitoral, a violência escalou a níveis alarmantes. E os riscos são ainda maiores depois da vitória de um projeto fascista de governo. Contra essas ameaças nasce a Rede Democrática de Proteção Solidária, cujo objetivo principal é oferecer ajuda jurídica e social a toda e qualquer pessoa vulnerável.
O projeto foi aprovado pelo PT nesta sexta (30), durante a reunião do Diretório Nacional do partido.
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Coordenada pelas secretarias setoriais do PT e pela Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia (ABDJ), a rede será estabelecida na Sede Nacional do PT em Brasília. Uma linha telefônica receberá as denúncias e pedidos vindos de todo o país.
Caberá à ABDJ cadastrar advogados que atuem pro bono na defesa de pessoas em situação de risco. A secretária do Setorial Nacional LGBT do PT, Janaína Oliveira, comemorou a criação da rede e explicou que os advogados cadastrados serão divididos conforme as áreas de atuação, facilitando e agilizando a defesa.
“Em razão da militância e das pautas que defendem, muitos militantes no país estão sofrendo violência. Queremos que eles saibam que temos uma rede de proteção. O PT vai dar suporte também para pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social”, disse Janaína.
O secretário Nacional de Combate ao Racismo do PT Martvs Chagas, destacou a importância da rede no combate à descriminação e à violência contra os negros no Brasil. “A violência ganhou novos contornos. Não é mais apenas a policial e social, é também política”.
“Não é coincidência que todas as pessoas que morreram durante esse violento processo eleitoral eram negras. Em todos os aspectos sociais da vida, as pessoas negras são as mais vulneráveis. Quando um negro morre, a comoção social é menor. Por isso, a criação da rede vem no sentido de que essas pessoas possam viver”, aponta Chagas.
Para o secretário Nacional de Cultura do PT, Marcio Tavares, a rede é também um instrumento fundamental contra os ataques à arte e ao livre pensar, manifestado principalmente na perseguição a artistas.
“A Rede é a transformação material do ‘ninguém solta a mão de ninguém’. Existe uma política de perseguição a artistas e manifestações artísticas. A tendência é isso se intensificar com o governo Bolsonaro. A rede permite que nosso campo tenha via de acesso para se organizar e proteger para seguir produzindo cultura com o mínimo de segurança”.
De olho no governo Bolsonaro
A secretária nacional LGBT lembrou que a rede também funcionará como um mecanismo de monitoramento do governo Bolsonaro. Segundo ela, os primeiros 100 dias do governo do presidente eleito podem ser muito violentos com militantes de diversas causas.
“Em 2019, os primeiros 100 dias podem ter um crescimento da violência semelhante ao que foi nas Eleições. Por isso, queremos dialogar com outras organizações e levar as denúncias para a Organização dos Estados Americanos (OEA)”.
“Vamos acompanhar em cada estado se as instituições de proteção estão funcionando ainda ou foram desmontadas pelos governos eleitos”, explica Janaína.
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30/11 - ALINHAMENTO DE BOLSONARO E TRUMP PREOCUPA EUROPEUS

FONTE:https://piaui.folha.uol.com.br/alinhamento-de-bolsonaro-e-trump-preocupa-europeus



ALINHAMENTO DE BOLSONARO E TRUMP PREOCUPA EUROPEUS

Para dirigente do principal conselho de diplomacia da Europa e ex-premiê da Suécia, convergência com Washington aproxima Brasil das "democracias imperfeitas", como Hungria e Rússia

ROBERTO LAMEIRINHAS
30nov2018_17h46
ILUSTRAÇÃO: PAULA CARDOSO
Ex-primeiro-ministro da Suécia (1991-1994) e co-dirigente do principal conselho pan-europeu de relações exteriores, o conservador Carl Bildt teme que países como o Brasil, que passam por um processo de transformação de sua política externa, acompanhem as posições mais duras de Washington sobre tratados comerciais, organismos globais e acordos sobre preservação ambiental. “Ainda não sabemos como as ideias do futuro chanceler vão se converter em políticas efetivas”, disse Bildt em entrevista exclusiva à piauí, sobre o diplomata Ernesto Araújo, escolhido pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para o cargo. “O que me deixa preocupado de fato é Washington estar seguindo alguns conceitos que contrariam princípios diplomáticos importantes, com interpretações próprias de leis internacionais, causando uma nova desordem e novos desafios para a diplomacia. E isso servir como modelo para outros países, como o caso do Brasil, definirem suas posições.”
Bildt lembrou a tradição de sobriedade da política do Itamaraty, ao comentar textos de Araújo nos quais o futuro chanceler brasileiro elogia as posições de Trump em relação a políticas de imigração e de combate ao avanço do Islã no Ocidente, fala em libertar a política externa e o Itamaraty do “marxismo cultural” e atribui ao que chama de “climatismo” (como ele se refere às táticas de militantes da esquerda para preservar o ambiente e sequestrar liberdades individuais) as pesquisas sobre mudanças climáticas. Os endossos do futuro chanceler às ideias do presidente norte-americano estão descritos no artigo “Trump e o Ocidente”, publicado no ano passado nos Cadernos de Política Exterior da Fundação Alexandre Gusmão, ligada ao Itamaraty. Araújo escreveu: “Essas expressões de Trump parecerão a muitos, no mínimo, manifestações de mau gosto, a outros parecerão laivos de fascismo. Sim, vivemos em um mundo onde falar dos heróis, dos ancestrais, da alma e da nação, da família e de Deus é, para grande parte da ideologia dominante, uma indicação de comportamento fascista. O problema estará com Trump ou estará com essa ideologia contra a qual ele se insurge?”
Co-diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR, na sigla em inglês), Bildt comentou os acenos do chanceler a Trump após participar em São Paulo de um seminário na Fundação Fernando Henrique Cardoso, nesta quinta-feira, cujo tema era “Democracias turbulentas e seus impactos no sistema internacional”. Para ele, a ascensão de Trump, apoiado por países que tendem ao radicalismo na defesa de interesses domésticos, representa riscos para o modelo de diplomacia multilateral – baseado em consenso, preferencialmente, ou decisão de maioria. “Em relação ao Brasil, existe preocupação especial com as medidas ambientais, por exemplo, e os compromissos assumidos internacionalmente. Sabemos que essa é uma questão controvertida e houve avanços nos últimos anos graças a gestões diplomáticas bem-sucedidas”, afirmou Bildt nesta quinta-feira.
O conceito “America First” de Trump reforçou um novo ordenamento, marcado pela retomada do poderio econômico americano por meio da hegemonia política e pelo combate ao que considera “exportação de empregos” por parte dos Estados Unidos – cujas empresas haviam migrado para mercados com mão de obra mais barata e menos impostos.  Os principais expoentes desse pensamento atualmente são líderes dos movimentos radicais de direita como o Tea Party e Alt-Right. Um dos membros mais destacados do Alt-Right, Steve Bannon, dirigiu a campanha eleitoral de Trump de 2016, foi assessor político da Casa Branca até o ano passado e manteve pelo menos um encontro com um dos filhos de Bolsonaro.
Trump, assim como líderes conservadores populistas de outros países, vendem a ideia de que a ordem antiga, a da globalização, fracassou em sua tarefa de melhorar a vida das pessoas por meio do desenvolvimento econômico. Desde que assumiu o poder, Trump abandonou o Acordo de Paris para redução de emissão de gás carbônico, mudou a sede da embaixada dos Estados Unidos em Israel para Jerusalém e adotou o confronto como regra nos contratos comerciais com a China, além de recuar em negociações de aproximação com Cuba e Irã, acertadas pelo antecessor, Barack Obama.
As semelhanças com o ideário defendido por Bolsonaro são evidentes. “Quando me perguntavam, durante a campanha, se eu faria isso [levar a embaixada do Brasil para Jerusalém], eu dizia sempre que sim. Cabe a vocês decidirem qual é a capital de Israel, não a outras nações”, declarou Bolsonaro ao jornal israelense Israel Hayom. Sobre a China, o partido de Bolsonaro, o PSL, rejeitou nesta semana um convite de Pequim para uma viagem destinada a estreitar os laços com o país comunista. E, na quinta-feira, o presidente eleito conversou com o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, sobre estratégias para conter avanços comerciais chineses – principais parceiros de negócios com o Brasil.
Entre as principais preocupações de Bildt para o país estão os reflexos do ideário do grupo de Bolsonaro em relação ao meio ambiente – como a discussão sobre também se retirar do Acordo de Paris, por exemplo. O acordo, aprovado em 2015 por 195 países, prevê a redução gradual da emissão de carbono a partir de 2020. Nesta quarta-feira, a pedido do presidente eleito, o governo brasileiro desistiu de receber a Conferência do Clima marcada para 2019. “O Brasil é o mais importante país do globo em relação ao tema ambiental. Questões sobre como se desenvolver com impacto ambiental mínimo estiveram muito presentes quando eu estava no posto de primeiro-ministro e participei no Rio do encontro de cúpula da Eco-92”, disse o político sueco.
Para Bildt, que à frente do Conselho Europeu de Relações Exteriores é responsável pelo estudo e planejamento das mais importantes políticas diplomáticas da Europa – que envolvem, por exemplo, ações padronizadas para restringir a chegada de imigrantes ilegais – movimentos nacionais que criaram governos populistas e ultranacionalistas em diferentes países tendem a gerar dificuldades em vários níveis, incluindo para o sistema internacional (termo usado genericamente para descrever o conjunto de organismos multilaterais como a ONU e a União Europeia). “Não há dúvida quanto a isso. Mas temos de ver esse fenômeno como uma questão mais profunda sobre a eficiência da própria democracia como sistema político, que não foi capaz de reduzir as insatisfações causadas pela corrupção, pela falta de segurança, pela escassez de postos de trabalho”, explicou. “Em qualquer que seja o caso – o de Matteo Salvini [na Itália], de Bolsonaro ou de Viktor Orbán [na Hungria] –, são movimentos que chegaram ao poder com votações expressivas. E foram eleitos sob o impacto causado pela frustração com a democracia, paradoxalmente, com um alto custo para a estabilidade do sistema democrático.”
Há outros exemplos recentes dessa virada de caráter nacionalista, como Colômbia, Polônia, Filipinas e mesmo os Estados Unidos. E o avanço dessa ideia de pressão pela frustração se reflete no sistema internacional, que passou, então, a ser alvo de questionamentos. Na Alemanha, por exemplo, a percepção de que a crescente chegada de estrangeiros está tirando emprego de cidadãos nacionais e afetando as políticas de bem-estar social, levou um partido de extrema direita, a AfD, a superar a cláusula de barreira e eleger uma bancada no Parlamento pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra. Na França, em reação ao aumento de comunidades islâmicas e do crescimento da criminalidade e da ameaça de atentados, a Frente Nacional, de Marine Le Pen, obteve a segunda melhor votação nas eleições de 2017. A Espanha, país que se recupera da brutal recessão econômica do início da década, vê o crescimento acelerado do Vox, partido de ultradireita que usa os mesmos slogans de campanha de Trump: “Espanha primeiro!” e “Vamos tornar a Espanha grande outra vez!”

Bildt acredita que o regime russo de Vladimir Putin é o principal símbolo de quanto governos nacionalistas populistas apresentam tendência a atropelar regras para atender os interesses de seu Estado. A última e mais perigosa manifestação dessa tendência é a intimidação dos russos à presença ucraniana no Estreito de Kerch, no Mar de Azov, com o objetivo de estrangular a rival Ucrânia economicamente. Como resultado, a situação tem escalado a um ponto que pode resultar em guerra. “O que acontece ali é que a Rússia está tomando passos em contradição às leis internacionais e em contradição a acordos internacionais. Eles tentam sentir até que ponto a resposta da comunidade internacional será forte. O que defendemos é que tome medidas equilibradas e calibradas e essas medidas são extremamente importantes para formatar um padrão de resposta a hostilidades futuras”, afirmou Bildt.
O estreito, único acesso para os portos ucranianos do Mar de Azov, é ocupado militarmente pelos russos desde 2014, com a anexação da Crimeia – uma área que passou a ser disputada por Rússia e Ucrânia após a dissolução da União Soviética, em 1991. Um tratado de 2003 dá aos dois países direito de navegação no Estreito de Kerch, mas, após incorporar a Crimeia, Moscou assumiu as tarefas de vigilância e segurança da via marítima. Com isso, passou a fazer inspeções em navios que se dirigem do Mar Negro para os portos no Mar de Azov. Kiev queixa-se que essas inspeções são demoradas e causam atrasos e outros prejuízos à sua Marinha Mercante.
No último domingo, três embarcações militares da Ucrânia que estavam a caminho de um exercício no Mar de Azov foram alvo de disparos da Marinha russa, que deteve 23 tripulantes ucranianos. Kiev alega ter informado Moscou previamente da movimentação de seus navios. A Rússia nega. A situação de confronto se agravou nesta quinta-feira, com o anúncio russo de que estava deslocando mísseis para bases na Crimeia, enquanto países europeus, como a Grã-Bretanha se dispunham a enviar uma frota para a região.
Na frente diplomática, Trump cancelou na quinta-feira – na última hora e por meio de um post na sua conta no Twitter – uma reunião com Putin que deveria ser o ponto alto do encontro do G-20, que se realiza nesta sexta-feira e no sábado, em Buenos Aires. Numa tentativa de minimizar o anúncio, o Kremlin informou no dia seguinte que Putin terá um encontro “breve e improvisado” com o americano.
Sob o argumento de que a disseminação de governos populistas nacionalistas – como aqueles que a retórica de Trump estimula – torna cada vez mais lenta a reação do sistema internacional a atropelos como o de Moscou, Bildt é um crítico feroz do silêncio, mantido até agora principalmente pela Europa, em relação a Moscou. “A Rússia já vinha aumentando significativamente o contingente militar no Mar de Azov e, nos últimos meses, começou a estrangular discretamente a liberdade de navegação de todos os navios que entram nos portos ucranianos. A escaramuça do fim de semana pertence a essa nova tendência. Os Estados Unidos e alguns países europeus se esforçam para parecer assertivos sobre o apoio à liberdade de navegação no Mar do Sul da China. Mas, quando se trata do Mar Negro e do Mar de Azov, todos parecem evitar contrariar Putin”, escreveu Bildt num artigo que publicou, em parceria com outro diretor do ECFR, Nicu Popescu, na revista Foreign Policy. “A Rússia precisa receber da comunidade internacional uma mensagem forte e clara: ela não pode atacar nem aprisionar navios de outros países”, afirmou.

ROBERTO LAMEIRINHAS

Roberto Lameirinhas é jornalista especializado em temas internacionais e reportagens de guerra.

30/11 - BOLSONARO DESAFIA GUEDES E DIZ QUE REFORMA DA PREVIDÊNCIA MATA IDOSOS

FONTE:https://www.brasil247.com/pt/247/economia/376509/Bolsonaro-desafia-Guedes-e-diz-que-reforma-da-Previd%C3%AAncia-mata-idosos.htm

30/11 - O FRÁGIL G 20 E UM GRANDE DISSENSO GLOBAL (POR ANA PRESTES)

FONTE:https://www.ocafezinho.com/2018/11/30/o-fragil-g-20-e-um-grande-dissenso-global-por-ana-prestes/

                                                  


O FRÁGIL G 20 E UM GRANDE DISSENSO GLOBAL (POR ANA PRESTES)

30 de novembro de 2018 : 17h51 

O G 20 é uma herança do antigo sistema de Bretton Woods, criado no pós-segunda guerra mundial e para o qual nunca se conseguiu um arranjo substitutivo, apesar da tentativa, inclusive do Brasil, de mudar a dinâmica da gestão financeira global com estabelecimento de novas cotas e aportes, de modo a salvaguardar os países em desenvolvimento. A origem do G 20 vem da formação do G 6 (França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e EUA) em 1975 na França, que logo se transformou no G 7, com o ingresso do Canadá. Ao final dos anos 80 será G8, com a incorporação da Rússia e em 1999 ampliado para G20 no âmbito dos Ministros da Fazenda. O G 8 ampliado, para o que hoje conhecemos como G 20 dos Chefes de Estado, se consolidou em 2008, diante da crise econômica global que até hoje o sistema capitalista não conseguiu superar a seu contento.

Conformado pelas 19 maiores economias do mundo (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia) mais a União Europeia, o G 20 reunido em 2018 representa dois terços da população global, 85% do PIB mundial e 75% do comércio internacional. É como se uma espécie de governo mundial estivesse concentrado, nas próximas 48 horas, na sul-americana Buenos Aires, com todos os efeitos que a conjunção de suas lideranças possui nos dias de hoje.

De todos os participantes, aquele que mais tem causado desconforto e contrariedade no conjunto do encontro é Donald Trump e sua agenda anti-multilateralismo e em especial seus ataques ao Acordo Climático de Paris e o protecionismo comercial. O grande aliado de Trump no G20, o príncipe saudita Mohammed bin Salman, também não está entre os convidados mais a vontade do encontro. Com fortes suspeitas de ter mandado matar um jornalista, Jamal Kashoggi, em território turco, e de ter arrasado o Iêmen, levando 8 milhões de pessoas à fome extrema, em três anos, o príncipe está isolado entre os ocidentais.

O gigante na sala chama-se Xi Jinping. Há poucas semanas, o líder chinês chegou a se manifestar de forma mais contundente ao dizer que a guerra comercial imposta por Trump não terá vencedores. Que o mundo precisa de regras comuns de governança global que não responda a “agendas egoístas”. Referiu-se a exemplos históricos para dizer que nas confrontações, sejam de guerra fria, quente ou comercial, não há vencedores. Seria necessário, portanto resolver conflitos por meio do diálogo e de consultas e não formando “blocos exclusivos”, referindo-se ao novo Nafta, ou “impor critérios a outros países”, referindo se às taxações do aço e do alumínio pelos EUA. “Os países em desenvolvimento deveriam ter mais voz nesse sistema para estarem melhor representados nesse processo”, afirmou Xi, em tempos de descenso do Brics e de países, como o Brasil, que outrora tiveram mais espaço nos fóruns multilaterais.

Uma Argentina quebrada financeiramente e refém do FMI, um EUA que poucas horas antes do encontro diz que “pode firmar um acordo com a China, mas que não sabe se quer”, uma União Europeia que tenta colocar panos quentes no conflito entre Rússia e Ucrânia, um príncipe saudita que tenta se reabilitar, um México que empossará o novo presidente no mesmo dia de encerramento da Cúpula, um Brasil representado por uma já ultrapassada postura multilateralista. Uma Rússia que enfrenta a OTAN e o isolamento geopolítico. Uma França que tenta criar um exército europeu. Ruas lotadas de manifestantes. Este é o cenário da Buenos Aires que tenta comportar o cambaleante G 20, palco de um grande dissenso entre as maiores lideranças mundiais.

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25/6 - Suspeição de Moro não anula toda a Lava Jato, diz jurista

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