Investimento estrangeiro direto atinge menor nível em 15 anos e China ultrapassa EUA, segundo OCDE
30 abr2021
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O investimento estrangeiro direto (IED) caiu para o seu menor nível em 15 anos no ano passado e a China, uma das poucas grandes economias a alcançar crescimento, ultrapassou os Estados Unidos como principal destino de investimento estrangeiro, mostraram dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta sexta-feira.
Iuan chinês e dólar norte-americano 10/02/2020 REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Foto: Reuters
À medida que o coronavírus causava estragos na economia mundial, os fluxos globais de IED caíram 38% em 2020, para 846 bilhões de dólares, o nível mais baixo desde 2005, de acordo com a OCDE com sede em Paris.
Isso representa apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global, nível não visto desde 1999.
Uma recuperação nas atividades de fusões e aquisições transfronteiriças no final de 2020 até agora, neste ano, pode alimentar uma recuperação do IED em 2021, disse a OCDE.
A China ultrapassou os Estados Unidos no ano passado como principal destino de investimento estrangeiro, enquanto grandes regiões do país eram fechadas devido à pandemia.
Índia e Luxemburgo, onde muitas empresas-fantasmas estão legalmente registradas, seguem como os principais destinos de entrada, informou a OCDE.
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Brasil supera Reino Unido e se torna 2º país do mundo com maior mortalidade por covid-19
Cálculo considera o número de óbitos por milhão de habitantes; Itália lidera o ranking
Gonçalo Junior
30 abr2021
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O Brasil é o segundo país do mundo com mais mortes por covid-19 por milhão de habitantes, o chamado de coeficiente de mortalidade ou simplesmente mortalidade. A marca foi atingida nesta quinta-feira, 29, quando o País chegou a 1.887 mortes, superando o Reino Unido (1881). A Itália, primeiro país a sofrer com a pandemia causada pelo novo coronavírus, continua como líder do ranking, com 1996 óbitos por milhão de habitantes. Os Estados Unidos são o quarto colocado (1730).
Os dados consideram países com populações superiores a 20 milhões de habitantes e estão presentes nas plataformas Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford (Reino Unido), e Worldometer, que também reúne informações sobre o avanço da pandemia. Dados de países com pequenas populações, como Gibraltar e San Marino, também foram considerados, mas geram distorções estatísticas.
O cálculo por milhão de habitantes se soma a outros indicadores que demonstram os efeitos dramáticos da pandemia no País. Também nesta quinta-feira, o Brasil ultrapassou a marca de 400 mil mortos por covid-19. O Brasil registrou 3.074 mortes nas últimas 24 horas, segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. Com isso, chegou ao total de 401.417 vítimas.
O patamar de mortes cotinua alto - a média móvel diária ficou em 2.523 - e o aumento da mobilidade eleva o risco de as cidades brasileiras observarem uma terceira onda da doença antes que seja atingido um índice significativo de vacinação. Em números absolutos, os Estados Unidos ainda lideram as estatísticas, com mais de 570 mil mortes por covid-19.
Wallace Casaca, matemático e professor da Unesp, explica que o cálculo por milhão de habitantes possibilita comparar países com populações de diferentes tamanhos e, por isso, tornou-se uma das principais métricas epidemiológicas do mundo. "Ele pondera pelo número de óbitos que ocorreram nos países para cada grupo fechado de um milhão de habitantes", diz o especialista, que é um dos responsáveis pela plataforma SP Covid-19 Info Tracker, que projeta infecções, óbitos e recuperados por covid-19 em São Paulo.
De acordo com projeções do especialista, que consideraram a velocidade do avanço da pandemia nos países atualmente, o Brasil deverá superar a Itália e se tornar o país com maior mortalidade por covid-19 no mundo dentro de aproximadamente 14 dias.
Bolsonaro tenta se aproximar do TCU após pente-fino na Saúde
Presidente se reuniu com ministros logo após a área técnica do tribunal apontou uma série de falhas do governo no enfrentamento da covid-19
Lauriberto Pompeu
30 abr2021
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Sob ameaça da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro tenta se aproximar de ministros do Tribunal de Contas da União (TCU). No mesmo dia em que a CPI foi instalada, na terça-feira, 27, e senadores da oposição avisaram que pedirão informações sobre a atuação do governo na pandemia a vários órgãos de controle, Bolsonaro se reuniu com integrantes do tribunal. O encontro ocorreu depois que a área técnica do TCU apontou uma série de falhas do governo no enfrentamento da covid-19 e logo após a equipe econômica mostrar preocupação com a possibilidade de Bolsonaro ser responsabilizado por irregularidades no Orçamento deste ano.
"Salientei (no encontro com Bolsonaro) que o fundamental agora é a gente estabelecer um diálogo para recuperar a economia do País. Temos que evitar um confronto e que as instituições todas têm que se unir para defender a sociedade brasileira e combater especialmente a morte que está acontecendo", disse ao Estadão o ministro Augusto Nardes, um dos que foram recebidos com um café-da-manhã no Palácio da Alvorada.
Dos nove ministros titulares do TCU, seis participaram - três deles de forma virtual. Augusto Sherman, ministro substituto, também foi ao Alvorada. A presidente do tribunal, Ana Arraes, porém, foi uma das ausentes. Questionada sobre o motivo de ter recusado o convite, ela não deu qualquer justificativa e informou apenas que designou Nardes para representá-la.
Bolsonaro levou à reunião os ministros Marcelo Queiroga, da Saúde, e Paulo Guedes, da Economia. Os dois ministérios viraram foco de problemas para o governo e passaram a ser foco do tribunal. A pasta comandada por Guedes travou uma queda de braço com o Congresso por causa do espaço destinado às verbas parlamentares no Orçamento de 2021. Já a área chefiada por Queiroga está sob o escrutínio da CPI da Covid, que apura erros e omissões do governo no combate à pandemia.
"O governo acha que consegue vacinar no segundo semestre todos os brasileiros. O Guedes fez uma avaliação do aspecto econômico, dizendo que o Brasil está em uma posição de vantagem em relação a outros países, elencou uma série de números, que supera o Japão, supera várias nações. Mas esses números cabe ao governo fazer a sua defesa, não a mim", afirmou Nardes.
De acordo com relatos de outros participantes do evento, Bolsonaro falou superficialmente sobre o combate ao coronavírus e de vacinas e focou nas medidas econômicas do governo durante a pandemia, como o auxílio emergencial e o programa de redução de jornadas e salários em empresas privadas.
Para o presidente, é importante ter uma boa relação com o TCU porque cabe ao tribunal analisar se há irregularidades orçamentárias por parte do Executivo. Em tempos de pandemia, quando as contas do governo precisam acomodar diversos gastos emergenciais com auxílio social e ajuda às empresas, a preocupação aumenta. Foi com base em um relatório da corte de contas que apontava "pedaladas fiscais" que o Congresso determinou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.
Antes do café desta terça, a última reunião ampla de Bolsonaro com ministros do TCU aconteceu em agosto de 2019, ainda sob a presidência de José Múcio Monteiro, que se aposentou no ano passado. Em seu lugar, o presidente nomeou Jorge Oliveira, seu ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência e amigo da família.
O encontro aconteceu menos de duas semanas depois de uma tentativa mal sucedida de alterar a composição do TCU. O governo queria antecipar a aposentadoria do ministro Raimundo Carreiro e escolhê-lo para ser embaixador do Brasil em Portugal.
Carreiro é distante do Planalto e foi indicado pelo ex-presidente José Sarney (MDB-MA) e pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A ideia seria diminuir a influência emedebista e nomear o senador Antonio Anastasia (PSD-MG), aliado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O movimento também agradaria ao PSD de Gilberto Kassab, partido do Centrão que é aliado do governo na Câmara, mas no Senado adota uma postura independente. O suplente de Anastasia é Alexandre Silveira, presidente do PSD-MG.
A operação foi divulgada pelo senador Renan Calheiros e acabou suspensa. A senadora Kátia Abreu (Progressistas-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores, afirmou que barraria qualquer indicação de Carreiro para uma embaixada. "Subiu no telhado", afirmou a senadora ao Estadão sobre a ideia articulada por Bolsonaro e Pacheco.
Antes da negativa de Kátia Abreu, que preside a comissão responsável por autorizar nomeações para embaixadas, o Planalto já tinha deixado pronto o agreement, aval que permite indicação para embaixada. Por meio de suas assessorias, Pacheco e Anastasia negaram ter agido para mudar a composição do TCU. O governo federal não se manifestou.
Atritos entre o governo Bolsonaro e TCU:
Omissão de Braga Netto na pandemia
A área técnica do TCU recomendou, há duas semanas, aos membros da tribunal a abertura de um processo para averiguar a conduta do ministro da Defesa, general Braga Netto, no combate à covid-19 no período em que comandou a Casa Civil e coordenou o Comitê de Crise do governo. O documento elaborado pela área técnica, ao qual o Estadão teve acesso, aponta "graves omissões" do general. Entre elas, "não ter contribuído da forma que seria esperada para a preservação de vidas".
TCU sugere punição a Pazuello
Relator da ação sobre a conduta do Ministério da Saúde durante a crise sanitária, o ministro Benjamin Zymler disse, há duas semanas, que a pasta evitou assumir a liderança do combate ao novo coronavírus no País. Segundo o relator, uma das ações da gestão de Eduardo Pazuello foi mudar o plano de contingência do órgão na pandemia, com a finalidade de retirar responsabilidades do governo federal sobre o gerenciamento de estoques de medicamentos, insumos e testes.
Risco de 'pedalada' no Orçamento de 2021
O projeto que permitiu um acordo para destravar o Orçamento de 2021 pode elevar o risco de órgãos recorrerem a "pedaladas de fim de ano" para honrar suas obrigações e manter a máquina funcionando, segundo técnicos ouvidos pelo Estadão. Caberá ao TCU analisar a questão ao analisar as contas do governo de Bolsonaro.
Afastamento de Wajngarten
O subprocurador-geral Lucas Furtado pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu, em julho de 2020, o afastamento de Fábio Wajngarten da chefia da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom). A solicitação não prosperou. Wajngarten foi demitido por Bolsonaro em março deste ano. O pedido enviado ao então presidente do TCU, José Mucio Monteiro, foi por denúncias de que a Secom vinha descumprindo determinação da Controladoria-Geral da União (CGU) e mantendo em segredo dados sobre gastos com publicidade na internet.
Propagandas do Banco do Brasil em sites de fake news
Os ministros do TCU determinaram, em maio de 2020, a suspensão imediata de qualquer veiculação de publicidade do Banco do Brasil em sites, blogs, portais e redes sociais acusados de espalhar fake news. Pela decisão, ficam excluídos da suspensão da propaganda os portais, sites, blogs e redes sociais vinculados a empresas concessionárias de serviços de radiodifusão. Também estão fora da decisão os veículos vinculados a jornais e revistas que existam há mais de dez anos.
Cortes no meio ambiente
O Ministério Público Federal junto ao Tribunal de Contas da União (MPF-TCU) enviou, na semana passada, uma representação à presidência da corte, com pedido para que seja vetado qualquer corte de orçamento destinado à área do meio ambiente. Em sua representação, o subprocurador-geral Lucas Furtado solicita ainda que a determinação seja encaminhada à Casa Civil da Presidência da República, até que o tribunal decida sobre o mérito da questão.
"Meu processo teve o dedo de Bolsonaro", afirma Witzel
Governador afastado do Rio nega participação em irregularidades
Caio Sartori e Wilson Tosta
30 abr2021
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Às vésperas de ter seu destino decidido pelo Tribunal Misto - que julga nesta sexta-feira, 30, seu processo de impeachment -, o governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), nega participação em irregularidades e parte para o ataque. Acusa o presidente Jair Bolsonaro de interferir na investigação que levou a seu afastamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob acusação de corrupção. "Meu processo teve o dedo de Bolsonaro." Também critica a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, que conduz a investigação do MPF, e os ministros da Corte Especial do STJ. Segundo ele, o presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano (PT), se uniu à família Bolsonaro, apesar das divergências políticas, em nome de interesses "ideológicos e criminosos".
Governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel 28/08/2020 REUTERS/Pilar Olivares
Foto: Reuters
O que o sr. diz em sua defesa?
O processo foi aberto pelo presidente da Alerj, que também foi investigado. Há em relação a ele fortes indícios de participação nesse esquema criminoso na Saúde do Rio de Janeiro. O (ex-) secretário de Saúde (e delator Edmar Santos) participou de reuniões secretas com o presidente da Alerj, sem meu consentimento. Foram repassados valores para municípios sem minha autorização. É um Tribunal Misto parcial e maculado na sua origem por uma investigação com o objetivo de blindar alguns deputados que fazem parte desse esquema de corrupção de OSs muito antes da minha entrada no governo.
Não há qualquer valor que seja pago a mim ou participação minha em eventos suspeitos, diferente do que está acontecendo com André Ceciliano.
Além do impeachment, há denúncias criminais do MPF.
A dra. Lindôra, que acabou de ser representada por abuso de autoridade no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) por mais de dez governadores, vem repetindo o discurso do presidente de que governadores aproveitaram a pandemia para roubar. As investigações contra mim foram feitas num tempo incompatível com a complexidade dos fatos. Até hoje não houve investigação sobre o presidente da Alerj. Ele foi blindado para abrir o meu impeachment e, assim, atender aos interesses de Bolsonaro.
Acha que o processo teve dedo do presidente Bolsonaro?
Certamente tem o dedo dele. Quem começou essa denúncia junto com a Lindôra foi o (deputado federal) Otoni de Paula. E há informações de que o dossiê contra mim foi elaborado dentro do Palácio do Planalto junto com o Otoni, tanto que ele é citado pela Lindôra no início da investigação. Você vê que é um movimento orquestrado do presidente contra os governadores. Aqui no Rio existem fatos ainda mais contundentes, porque eu determinei a investigação do caso Marielle (Franco, vereadora do PSOL assassinada a tiros). A partir daí, o presidente começa a entender que o governador do Rio estaria perseguindo a família dele e poderia ser um adversário em 2022. A história toda se passa nesse enredo.
No âmbito criminal, os ministros do STJ aceitaram por unanimidade a denúncia do MPF contra o sr. Eles também fazem parte da suposta perseguição?
Os ministros que estão na Corte Especial do STJ não são ministros com especialidade na área criminal. São ministros mais novos. Cometeram um grave equívoco ao desmembrar o processo. E o MPF induz em erro os ministros, porque dra. Lindôra conta só um lado da história numa investigação que não foi bem feita.
No processo de impeachment, a requalificação da Unir é base da denúncia. O sr. assinou, mesmo com pareceres contrários. Isso não complica a defesa?
Em hipótese alguma. Os pareceres que estavam nos autos eram equivocados, errados. Como juiz, cansei de ignorar parecer do MP porque não estava de acordo com meu entendimento. A desqualificação não era adequada, e mais: fizemos um levantamento de todas as Organizações Sociais (OS's), e a Unir não era a pior. Ali acendeu um alerta amarelo para mim de que o Edmar possivelmente estava envolvido em algum esquema com as OS's. Já estávamos em março, com a pandemia, e eu fiquei preocupado.
O sr. acredita numa vitória no Tribunal Misto?
Confio nos desembargadores. Nós já demonstramos que não houve pagamento de vantagem nenhuma. No julgamento técnico, não tem como me condenar.
Quais são seus planos se sofrer o impeachment?
Sou professor de processo, de ciência política, sou advogado, jurista, não dependo da política. Estou aqui por um ideal.
E se tiver os direitos políticos mantidos, pretende concorrer em 2022 a algum cargo ou vai se afastar da política?
Não quero me afastar da política. Entendo que precisamos fazer muito pelo Brasil. Pretendo trabalhar minha reeleição como governador, mas não descarto a possibilidade de ser candidato a presidente.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.