FONTE:https://www.youtube.com/watch?v=QcmNCLzxppE
31/7 - VÍDEO - Bemvindo Sequeira
FONTE:https://www.youtube.com/watch?v=D7kgnmP1mpk
"Desviei Meu Rosto Desta Cidade Por Causa da Sua Maldade"
31/7 - VÍDEO - Lava Jato recorre a mais uma campanha midiática
FONTE:https://www.youtube.com/watch?v=-BgqdERO0Ac&feature=push-u&attr_tag=A855QyaD8q0K17yM-6
Lava Jato recorre a mais uma campanha midiática contra denúncias de suas falcatruas
31/7 - VÍDEO - TVT Seu Jornal DE HOJE
FONTE:https://www.youtube.com/watch?v=qlLmhX7tINQ&feature=push-lsb&attr_tag=pNz6WMpf_YTnQuiC-6
Seu Jornal - 31/07/2017
30/7 - BOA NOITE com Minha Bossa Nova
Minha Bossa Nova |
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Posted: 27 Jul 2017 11:09 AM PDT
Wanda Sá & Roberto Menescal (2005)
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30/7 - Blog "DE CANHOTA" de HOJE
De Canhota |
- E se os bancos tivessem quebrado? Um panorama britânico, por Craig Murray
- A pesada herança do pensamento religioso da esquerda, por José Luis Fevereiro
- O futuro da Venezuela está em jogo, por Igor Fuser
- Rio sob ilegal intervenção federal e falsa GLO, por Jorge Rubem Folena de Oliveira
- Boaventura de Sousa Santos: Em defesa da Venezuela
- Eleições em 2018? A Banca e seus asseclas não querem, por Daniel Samam
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Posted: 31 Jul 2017 08:30 AM PDT
Publicado no Blog do Alok. Originalmente no blog do autor. Tradução do Coletivo Vila Vudu.
Eis
uma surpreendente verdade. Os salários médios reais na Grã-Bretanha são
hoje 5% inferiores ao que eram há precisamente uma década.
Pagamento
semanal total médio: real e nominal, economia total, ajustada, 2015, em
% – Janeiro 2005 a abril 2017 (Gabinete de Estatísticas Nacionais da
Grã-Bretanha)
Não
passa um dia em que a mídia-empresa não fale da estagnação dos
salários. Só é estagnação, se você só considerar os números de depois da
quebradeira dos bancos. Se você toma por referência os números de uma
década atrás, não há estagnação: há colapso.
Vivemos
a pior década para salários reais na Grã-Bretanha desde, no mínimo,
1814-24, e eu diria que as coisas ainda são piores hoje que naquele
momento. Vale também anotar que aquela aguda recessão também foi
disparada pela redução no gasto público, embora em níveis mais baixos.
Tema
constante do Partido Trabalhista na campanha eleitoral, e que ganha
força, é que o governo anterior do Partido Trabalhista não gastou demais
nem erradamente. O que derrubou a economia foi a crise dos bancos.
Até
certo ponto. O governo anterior do Partido Trabalhista gastou, sim,
desastrosamente. Mas não gastou em serviços públicos. Brown e Darling
gastaram alucinadamente bombeando quantias inacreditáveis de dinheiro
público para 'resgatar' os bancos. Isso causou a massiva inflação da
dívida pública inicial. A grande ironia é, claro, que os juros da dívida
são pagos aos mesmos banqueiros que receberam o dinheiro como se
estivessem sendo 'resgatados'.
Está
na moda entre os direitistas argumentar que os 'resgates' de bancos de
fato nem aconteceram, ou, se aconteceram, não custaram coisa alguma.
Essa prática de reescrever a história é cada dia mais frequente na
narrativa da mídia-empresa dominante. Mas a Dívida Nacional era de 36%
do PIB em 2007 (e estava em queda), e pulou para 60% do PIB em 2009. Aí
está o 'resgate' de bancos.
O
resgate dos bancos afundados no crash disparou as chamadas 'políticas
de austeridade' [são políticas de arrocho, não de austeridade]
concebidas para reparar as finanças públicas, mas que congelaram o
crescimento econômico. À falta de crescimento somou-se a desregulação
neoliberal do mercado de trabalho, especialmente a diminuição violenta
do papel dos sindicatos, o que levou ao colapso dos salários.
O
governo gosta de dizer que nesse período a distância entre os 10% que
ganham mais e os 10% 'de baixo' teria diminuído (ligeiramente). Até
parece que é verdade. Mas esse número pouco significa. A distância entre
o 1% mais ricos e os 99% menos ricos mais que dobrou, naquela década. O
que aconteceu foi que a sociedade andou para trás, na direção de modelo
mais vitoriano. 1% são super-ricos, todo o resto da população está
ficando cada dia mais pobre, e a diferença entre uns e outros não
diminui.
Interessa-me
de modo especial que o desastre da renda das pessoas comuns foi ainda
maior, mais profundo e persiste por mais tempo do que se viu no período
imediatamente depois do desastre financeiro dos anos 1930s.
Fiz
oposição ao resgate dos bancos naquele momento, e hoje estou convencido
de que não eu não estava errado. Os maus bancos deveriam ter-se
rebentado.
Se
o governo pagasse às pessoas e empresas o que tivesse de ser pago pelo
esquema das garantias, teria custado 10% a menos, aos cofres públicos,
do que o chamado 'resgate' dos bancos fracassados.
A
bolha imobiliária teria colapsado, o que tornaria a propriedade ter
preços realistas em relação aos salários e evitando que se formasse a
sociedade de proprietários e inquilinos em que nos vamos transformando.
Maus
banqueiros teriam perdido os empregos e aprendido boa lição, pela via
mais difícil e mais eloquente, no que tivesse a ver com práticas
bancárias – em vez do contrário, a ponto de os banqueiros crerem, como
hoje, que podem fazer qualquer coisa, errar o quanto errem, porque
sempre serão 'resgatados'. O 'resgate' foi massivo incentivo à
perversidade.
Bancos
falidos seriam comprados por outros mais bem administrados e não
falidos, ou surgiriam novos bancos. Esse é o modo como as economias
avançam.
É
possível que a recessão imediata tivesse sido mais profunda. Venda de
grandes propriedades em Londres, de Porsches, cocaína e prostituição
teria aumentado. Mas depois viria o tipo de recuperação forte e
sustentada, com crescimento real, que se viu em todos oscrashes
financeiros que a história conheceu, em vez da desgraça e dor
paralisantes que se veem hoje no país.
Claro
que há outros fatores que afetam a economia, o que torna muito difícil
isolar o efeito do resgate dos bancos sobre a Grã-Bretanha. Mas na mesma
década, Alemanha, França e Itália tiveram crescimento nos salários
reais.
A
perversão desse ataque continuado contra os gastos públicos, é claro,
agravou terrivelmente a situação. Mas se se vê o desastre que é a vida
para as pessoas comuns depois do 'resgate', e já há tanto tempo, acho
difícil acreditar que a vida teria sido pior, se nenhum banco tivesse
sido 'resgatado'.
Acho
impressionante que essa causa raiz de tantas de nossas desgraças seja
jamais mencionada nas 'análises' ditas 'jornalísticas' que se leem hoje.
Os
neotrabalhistas neoliberais ("New Labour") não foram responsáveis só
por grande parte da desregulação que tornou possível o grande crash.
Políticas como a Iniciativa de Financiamento Público [ing. Public
Finance Initiative (equivalem às 'parcerias público-privadas', como se
chamam no Brasil)] não passaram de instrumentos para fazer jorrar
bilhões de libras/dólares/reais etc. previstos como gasto para
finalidades públicas, diretamente nos bolsos dos banqueiros. 'Resgatar'
amigos banqueiros com o dinheiro de toda a sociedade não exigiu muita
reflexão de Darling e Brown. Lord Darling tem recebido um dinheirinho
que pinga em seus pessoais bolsos vindo dos banqueiros, e praticamente
desde sempre. Há um círculo do Inferno reservado especialmente para
Brown e Darling.
Não
por acaso, jamais vi a questão proposta em lugar algum. Mas, por favor,
apareçam todos vocês e proponham ideias. O que cada um aí pensa que
estaria acontecendo hoje, se os bancos tivessem quebrado, como é óbvio
que quebrariam?
Atualização
Em
resposta a um comentário, pesquisei o crescimento real dos salários na
Islândia nesse período. A Islândia não 'resgatou' banco algum e deixou
que os bancos quebrassem. Claro que é economia diferente da economia do
Reino Unido, mas mesmo assim a comparação é interessante. De fato,
exatamente como postulei acima que poderia acontecer no Reino Unido,
depois de queda inicial profunda, os salários na Islândia recuperaram-se
muito saudavelmente, o que gerou aumento geral muito forte para todo o
período.
ATENÇÃO:
O gráfico acima mede outra coisa, em relação ao que aparece acima, do
Reino Unido. O gráfico do Reino Unido mede o nível dos salários em
termos constantes em 2015. O crescimento islandês mede a taxa de
crescimento em salários reais.
Embora
as duas economias não sejam perfeitamente comparáveis, e não bastem
para provar minha tese, com certeza são dados que não a desmentem.
Aqui,
um post interessante de um blog que partilha minha avaliação, segundo a
qual é errado considerar a globalização e a desregulação neoliberal
como se fossem uma coisa só, ou parte do mesmo processo. A globalização
pode ser boa. A desregulação é sempre ruim.
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Posted: 30 Jul 2017 09:13 AM PDT
Publicado em sua página no Facebook.
Algo
que sempre incomodou desde o inicio da minha militância, na virada dos
anos 70 para os 80, foi a recorrente tendência de setores da esquerda de
apresentarem explicações morais para todas as derrotas ou
insuficiências. O MEC (antigo Ministério da Educação e Cultura) aumentou
os preços dos bandejões das universidades? culpa da direção da UNE que
traiu a luta dos estudantes. Collor venceu a eleição de 1989? culpa da
Articulação ( tendência majoritária do PT á época da qual fazia parte
Lula) que ficou com medo de vencer e orientou Lula a perder o debate
final (sim meninos, eu ouvi isso).
Fracassou
a greve geral de 30 de junho? Culpa das direções das grandes centrais
que desmobilizaram as classes trabalhadoras (que “obviamente” queriam
fazer a greve). Temer tem apenas 5% de aprovação e mesmo assim não há
manifestações de massa pela sua derrubada? culpa de setores da esquerda
que na verdade não querem derrubar o Temer porque...
O
que me impressiona é o total protagonismo que se atribui nestes
“raciocínios” às direções e aos aparatos (partidos, sindicatos,
centrais), e a absoluta falta de protagonismo e iniciativa que se
atribui ao povo.
Obviamente
que direções partidárias e sindicais incidem sobre a conjuntura e
cumprem um papel relevante, que linhas politicas distintas fazem
diferença em determinadas conjunturas, mas a busca permanente por
responsáveis morais, traidores presumidos e linhas politicas equivocadas
como responsáveis por todas as derrotas , busca apresentar como
contraste a linha justa, a verdade revelada, o programa redentor, da
qual a corrente A, B ou C é portadora.
O
maior problema desse comportamento típico da Ordem dos Templários, ou
da Irmandade de Cavaleiros de Jedi , é que a analise das condições
objetivas da realidade passa sempre para segundo plano. Na Greve geral
de 28 de abril o clima nas ruas, nas redes sociais, nas assembleias,
deixava claro que algo grande iria acontecer. Havia a expectativa de que
a mobilização poderia travar as reformas trabalhista e previdenciária, e
isso foi essencial para o sucesso da greve. Em junho, e isso era
evidente nas ruas e nas redes , a sensação dominante era que a reforma
trabalhista já estava virtualmente aprovada e a previdenciária não
avançaria por conta da fragilização do governo Temer. Teve sim o recuo
da Força Sindical e da UGT, mas mesmo que não tivesse esse recuo, 30 de
junho seria uma pálida sombra de 28 de abril.
É
preciso entender que mobilizações de massa ocorrem com pautas simples,
claras, com a percepção da sua viabilidade, e com a expectativa que a
vitória significará ganhos efetivos e imediatos. Vale para a direita e
para a esquerda. As classes medias conservadoras que foram á rua pelo
impeachment tinham uma ideia clara que derrubada Dilma os seus problemas
estariam resolvidos; acabaria a corrupção, acabaria a crise econômica,
acabaria a sua percepção de perda de status social.
Evidentemente
nada disso aconteceu e os movimentos, MBL, Vem Pra Rua , ficam
pateticamente chamando atos que sabidamente não mobilizarão ninguém.
Este último está desde junho chamando um ato para 27 de agosto destinado
ao fracasso( provavelmente será adiado sob um pretexto qualquer).
A
dificuldade do movimento "Fora Temer" em promover mobilizações massivas
está ligada à percepção que a sua derrubada não mudará grandes coisas.
Não passará a emenda por eleições diretas, o substituto será Rodrigo
Maia, Henrique Meirelles já avisou que fica, a crise econômica e o
desemprego ficam também.
Mas,
obviamente, para os Savonarolas de plantão é mais conveniente
responsabilizar direções sindicais e partidárias acusando-as do delito
moral da traição.
José Luís Fevereiro é Economista e está membro da direção nacional do PSOL.
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Posted: 30 Jul 2017 08:40 AM PDT
Publicado na Carta Capital.
Chega
a ser surreal. Em nome da “democracia”, governos de diversos países –
entre eles, Estados Unidos, México, Colômbia e Panamá, além, é claro,
dos golpistas brasileiros –, acompanhados pelas empresas de mídia mais
influentes do mundo, se mobilizam contra a eleição de uma Assembleia
Constituinte convocada com garantias à ampla participação da cidadania e
ao pleno exercício das liberdades políticas, de acordo com a
Constituição em vigor.
Esses
supostos guardiães da liberdade mantêm silêncio sepulcral diante da
ofensiva terrorista das milícias opositoras, que já causaram 110 mortes.
Nos últimos dois meses, grupos de jovens sob o comando dos setores mais
extremistas da oposição – em especial, o partido Vontade Popular,
liderado por Leopoldo Lopez – desfecharam centenas de ataques contra
pessoas identificadas como apoiadoras do governo e contra o patrimônio
público, com o objetivo de criar um cenário de caos a ponto de
inviabilizar a votação da Constituinte neste dia 30 de julho.
Centenas
de prédios e equipamentos públicos foram depredados e, em alguns casos,
incendiados. Entre eles estão ônibus, centros de abastecimento popular,
postos de saúde, delegacias de polícia, escolas, quartéis, escritórios
ou agências de instituições estatais como a Misión Vivienda (o
equivalente ao programa Minha Casa, Minha Vida).
A
divulgação desses fatos, presentes na realidade cotidiana da Venezuela
desde a convocação da Constituinte pelo presidente Nicolás Maduro, em 1º
de maio, é sistematicamente sonegada aos leitores, ouvintes e
telespectadores das empresas midiáticas que manejam a quase totalidade
daquilo que se faz passar por informação, no mundo inteiro. Em qualquer
outro lugar do planeta, tais ações violentas seriam definidas como
terrorismo, mas no caso da Venezuela os responsáveis por esses crimes
são louvados pelos jornalistas estrangeiros como se fossem manifestantes
“pacíficos”.
As
mortes são atribuídas, de forma desonesta, às forças de segurança,
quando se sabe perfeitamente, a partir da apuração das circunstâncias em
que morreu cada uma das pessoas atingidas pela onda de violência, que
mais de 60% dos casos fatais ocorreram em decorrência da ação dos grupos
opositores, que usam armas de fogo e adotaram, entre outras práticas, a
de incendiar pessoas identificadas com o chavismo. Nos incidentes que a
ação policial resultou em morte ou ferimentos, os envolvidos estão
presos e respondem a processos judiciais (há ainda episódios em que não
se conseguiu identificar os responsáveis).
A
manipulação da opinião pública pela mídia vai muito além da ideologia –
o viés classista que impregna permanentemente os conteúdos de modo a
conformar uma visão de mundo coerente com os interesses das classes
dominantes no capitalismo global. O que está em curso, no tocante à
Venezuela, é uma campanha em que as empresas de comunicação se engajam,
conscientemente, numa operação política, conduzida a partir de
Washington, para depor o governo de Maduro e substituí-lo por
autoridades alinhadas com os interesses da burguesia local e do
imperialismo estadunidense.
O
sucesso ou fracasso dessa estratégia golpista depende, em grande
medida, dos acontecimentos deste domingo e, em particular, do maior ou
menor comparecimento às urnas para a escolha da nova Constituinte. Um
índice baixo de votação agravará a crise política, fragilizando o
governo diante da campanha desestabilizadora e dos atores internos e
externos nela envolvidos. Já uma participação expressiva dos cidadãos
reforçará a legitimidade do governo e criará um firme alicerce para a
instalação de uma Constituinte capaz de enfrentar o impasse político e
as gravíssimas dificuldades econômicas.
Não
é exagero afirmar que a Venezuela vive um dos dias mais cruciais de sua
história. O chamado às urnas para eleger uma Constituinte põe em jogo o
futuro da Revolução Bolivariana, como foi chamado o amplo projeto de
mudança política e social iniciado com a eleição de Hugo Chávez à
presidência da Venezuela, em dezembro de 1998. Em quinze anos à frente
do governo, Chávez inverteu as prioridades do Estado, ao afastar do
poder as tradicionais elites econômicas ligadas aos interesses externos.
A maior parte da renda petroleira passou a ser aplicada em benefício
das demandas da maioria desfavorecida. Milhões de venezuelanos ganharam
acesso a serviços de saúde adequados, por meio de uma rede imensa de
postos de atendimento instalados nas áreas mais pobres e operados por
médicos e outros profissionais cubanos, a Misión Barrio Adentro.
O
analfabetismo foi erradicado e rede de ensino público em todos os
níveis, inclusive o universitário, ampliou-se em tal escala que hoje a
Venezuela é o país do mundo com mais estudantes no ensino superior, em
proporção ao número de seus habitantes. Para enfrentar o déficit
habitacional, já foram entregues mais de 1,7 milhão de moradias a
famílias de baixa renda, mediante pagamentos simbólicos, compatíveis com
sua condição econômica.
Os
idosos conquistaram o direito à aposentadoria digna, os salários reais
se elevaram significativamente e a participação popular nas decisões
sobre gastos públicos se tornou prática cotidiana em milhares de
conselhos comunitários espalhados pelo país inteiro. Tudo isso, em um
contexto de plena democracia. A imprensa funciona livremente e em nenhum
outro país do mundo se realizaram tantas eleições e consultas à
população.
Todas
essas conquistas (e muitas mais) estão ameaçadas no cenário de
incerteza política que envolve a eleição da Constituinte. Em quase duas
décadas de chavismo, a Revolução Bolivariana superou todas as tentativas
das elites dominantes de recuperar seus privilégios, por meios legais e
ilegais.
Nas
urnas, o chavismo se saiu vencedor em quase todas as ocasiões. A via
golpista foi derrotada em 2002, quando a direita política, apoiada por
uma parcela das Forças Armadas e pelo aparato midiático, tomou de
assalto o palácio de Miraflores, sob as bênçãos dos EUA, e chegou a
levar preso o presidente Chávez. Mas o golpe fracassou diante da
resistência da população mais pobre e da lealdade da maioria dos
militares, e Chávez regressou à presidência em apenas três dias, nos
braços do povo.
A
morte do presidente, em 2013, e a queda dos preços do petróleo –
produto do qual a economia do país é altamente dependente desde o início
do século passado – encorajaram os opositores de dentro e de fora da
Venezuela. Para a elite dominante dos EUA, é inaceitável a consolidação
de um governo de esquerda na América do Sul (seu tradicional “quintal”)
comprometido com a soberania nacional, o controle estatal dos recursos
naturais e a aplicação de políticas públicas voltadas para a superação
das desigualdades sociais, na contramão do neoliberalismo.
Intensificou-se
então a chamada “guerra econômica”, ou seja, a utilização dos recursos
de poder à disposição da burguesia venezuelana para provocar a inflação
dos preços, a crise cambial e escassez de mercadorias essenciais, como
alimentos, remédios e peças de reposição para automóveis. A sabotagem
empresarial se somou às dificuldades decorrentes da redução da renda
petroleira e aos graves erros de gestão governamental para gerar uma
situação de crescente desconforto entre a população, angustiada com a
alta dos preços e com as longas horas de fila necessárias para conseguir
os produtos básicos do dia a dia.
Nesse
cenário, a oposição reunida na Mesa de Unidade Democrática (MUD)
alcançou, em dezembro de 2015, a sua primeira vitória eleitoral, ao
obter 56% dos votos para a Assembleia Nacional, o parlamento
venezuelano, o que (pelo sistema de voto distrital) representou a
conquista de quase dois terços das cadeiras. Se os líderes da MUD
estivessem dispostos a atuar de acordo com as regras do jogo
democrático, usariam o domínio do Legislativo para impulsionar suas
próprias propostas de superação da crise, acumulando forças para
disputar, com chances, as eleições presidenciais de 2019. Mas, sem nada
de concreto a propor, optaram pelo caminho insurrecional, de olho na
conquista imediata do poder.
Essa
aventura já tinha sido tentada em 2014, com a ofensiva de ações
violentas denominada por eles como “A Saída”, que fracassou após deixar o
saldo trágico de 43 mortes e danos materiais incalculáveis. Agora,
diante do cenário econômico desfavorável, a direita se sente mais
empoderada, e a disposição de Washington em intervir na política interna
venezuelana se mostra mais efetiva.
O
Legislativo declarou guerra ao Executivo e foi colocado fora da lei
pelo Judiciário, diante da recusa da liderança da MUD em aceitar a
impugnação de três deputados por conta de fraudes na eleição de 2015. O
avanço das forças de direita em dois países vizinhos, Argentina e
Brasil, viabilizou uma ofensiva diplomática para isolar a Venezuela e
fragilizar ainda mais o seu governo. Enquanto isso, no plano interno, a
guerra econômica atingiu o auge com a recusa de grande parte das
empresas privadas em seguir produzindo, o que agravou o problema do
desabastecimento.
Contra
vento e maré, a Revolução Bolivariana resiste. Uma parcela
significativa da população mantém sua fidelidade ao chavismo, consciente
do terrível retrocesso político e social que significaria a derrubada
do governo de Maduro e a tomada do poder por uma elite fascista,
violenta, com sangue nos olhos, sedenta por vingança e pela recuperação
dos privilégios perdidos. No plano externo, a ação concertada dos
lacaios de Washington, como o argentino Mauricio Macri, o brasileiro
Michel Temer e o mexicano Enrique Peña Nieto, fracassou até agora na
tentativa de excluir a Venezuela do Mercosul e de aprovar, na
Organização dos Estados Americanos (OEA), alguma resolução que
signifique carta branca ao golpismo e à intervenção estrangeira.
As
bases populares do chavismo estão mobilizadas no enfrentamento à crise
econômica, articulando os Comitês Locais de Abastecimento e Produção
(CLAPs), até agora bem-sucedidos em fornecer a milhões de famílias mais
necessitadas uma cesta de alimentos básicos vendidos a preços justos,
evitando um colapso humanitário. E as Forças Armadas permanecem leais à
Constituição, rejeitando a tentação do golpismo.
A
proposta da Constituinte surgiu, nesse contexto, como meio de encontrar
uma solução pacífica, democrática, em que o verdadeiro soberano – o
povo – possa assumir em suas próprias mãos o controle das instituições
políticas e definir os caminhos do futuro. É uma tentativa legítima,
rigorosamente fundamentada na Constituição, de preservar os avanços
sociais da Revolução Bolivariana e de impedir que a atual situação de
confronto político degenere em uma guerra civil que, certamente, seria
acompanhada de intervenção estrangeira direta. Se vai dar certo, ninguém
sabe.
Igor Fuser é
doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP),
professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC
(UFABC) e integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais
(GR-RI).
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Posted: 30 Jul 2017 08:00 AM PDT
Publicado no Jornal GGN.
O
estado do Rio de Janeiro está sob uma intervenção federal branca e a
Garantia da Lei e da Ordem (GLO), decretada por Temer em 28 de julho de
2017, está em desacordo com a Constituição e a lei de emprego das Forças
Armadas (FFAA).
O
governador do Estado do Rio de Janeiro deve ser imediatamente afastado
de suas funções, uma vez que permitiu uma intervenção federal no Rio de
Janeiro. Para ser autorizada a decretação da GLO, como fez Temer, era
necessário que o governador Pezão declarasse formalmente, por decreto,
que as forças de segurança do Rio de Janeiro são incapazes de combater o
aumento da violência no Estado; restando, desta forma, esgotado os
requisitos do artigo 144 da Constituição (quanto ao uso das forças de
segurança pública) para autorizar o emprego da GLO, prevista no artigo
142 da Constituição.
Caso
tal declaração tivesse sido feita, os militares poderiam ser
empregados, por tempo determinado e com atuação em áreas delimitadas,
como apoio para a garantia da lei e da ordem.
Mas
o que de fato ocorreu foi que Pezão, pressionado por Temer e Meirelles,
e com a finalidade de entregar/vender a CEDAE, permitiu que Temer (de
forma disfarçada e jogando para a plateia) utilizasse as FFAA como
polícia para atuar nas ruas do Rio de Janeiro até o final do ano de
2017.
A
Constituição Federal diz que pode ser decretada a intervenção federal
em caso de “comprometimento da ordem pública” (artigo 35, III). Neste
caso, deverá ser nomeado, por decreto, um interventor federal a ser
submetido ao Congresso Nacional, no prazo de 24 horas (artigo 36, §
1.º).
No
caso, Temer, usando de subterfúgio para fugir das rígidas regras da
intervenção federal, nomeou o Ministro da Defesa, com o auxilio dos
ministros do Gabinete de Segurança Institucional e da Justiça, como
interventor no Rio do Janeiro.
A
Garantia da Lei e da Ordem está sendo utilizada de forma indevida pelo
governo federal, como tem denunciado o Comandante do Exército em várias
oportunidades. Não é papel constitucional das FFAA servir de guarda
pretoriana de governos impopulares nem de polícia, pois isto pode expor
demasiadamente os militares, para o caso de haver mortes ou repressões
além da medida.
No
caso do Rio de Janeiro, como nos demais Estados brasileiros, o aumento
da violência urbana está ligada ao aumento da pobreza e ao corte de
verbas públicas, patrocinadas pelo desgoverno Temer neste último ano.
Além
disso, não existe uma efetiva política de combate aos negócios
relacionados com o tráfico internacional de armas e entorpecentes, que
exigem grande movimentação de capitais e lavagem de dinheiro, que não
são fiscalizadas adequadamente pelas autoridades monetárias e fiscais do
governo federal. Diga-se de passagem que, quem controla a movimentação
financeira são os bancos (mercado financeiro), cuja fiscalização é
atribuição do Banco Central.
O
Brasil retornou para o mapa da miséria, de onde tinha saído. Logo, a
violência tende a aumentar cada vez mais, tendo em vista a situação
econômica atual, com um quadro superior a quinze milhões de
desempregados. As causas do aumento da violência são políticas,
econômicas e sociais, e os militares não terão como eliminá-las.
O
decreto da GLO, de 28 de julho de 2017, contém erro crassos, como a
ausência da indicação de área específica para a atuação dos militares, o
que contraria o artigo 15, § 4.º, da Lei Complementar 97/99. Ou seja,
foi conferida ao Ministro da Defesa a delegação de empregar as FFAA por
todo o Estado do Rio de Janeiro, quando deveriam ser especificados os
locais em que os militares poderiam atuar, como ocorreu anteriormente
nos complexos do Alemão e Maré.
Ademais,
o planejamento das ações dos militares foi delegado para autoridades
como os ministros do Gabinete de Segurança Institucional, da Justiça e
da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Porém, a Lei
Complementar 97/99, no seu artigo 15, estabelece que esta atribuição
caberá exclusivamente ao Ministro da Defesa, a quem os militares estão
subordinados, nos termos da referida lei.
Ou
seja, um Ministro da Defesa – que tem sua competência questionada por
Temer – é o interventor do desgoverno no Rio, uma vez que a GLO foi a
forma jurídica (inconstitucional e ilegal) utilizada para realizar uma
intervenção no Estado do Rio de Janeiro, sem promover diretamente o
afastamento do fraco governador do Estado do exercício de suas funções.
Enquanto
isso, em Brasília, Meirelles acelera o processo de destruição do
segundo Estado mais importante da Federação, ao reter as verbas próprias
do Estado do Rio de Janeiro, que não têm sido repassadas e que são
necessárias para o pagamento dos servidores, aposentados e pensionistas,
e também para a realização de investimentos nas atividades públicas
essenciais do Estado, como segurança, saúde e educação.
A
Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro necessita se pronunciar com
urgência sobre esta indevida intervenção, por suposto “comprometimento
da ordem pública”, e também sobre o afastamento de Pezão de suas
funções, para, assim, desautorizar qualquer ato de venda da CEDAE, que
só interessa ao mercado financeiro.
A
intervenção no Estado do Rio de Janeiro é apenas um ensaio e, sem
dúvida, eles partirão para os outros Estados, pois os militares, mais
uma vez – como em 1964 – poderão estar sendo manipulados para instaurar
um estado de exceção contra o povo brasileiro.
Está
mais do que estabelecido que Temer e seus sócios não entregarão
facilmente o poder, pois, se isto ocorrer, eles deverão ser processados e
poderão ser condenados e presos.
O
golpe de 2016 foi muito caro para a nossa incipiente democracia e está
matando o Brasil. Além disso, tendo em vista a manipulação política com
vistas ao recrudescimento do estado de exceção, mediante a utilização
das forças militares, pode-se cogitar que a realização de eleições em
2018 é uma incógnita.
Jorge Rubem Folena de Oliveira é advogado e cientista político.
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Posted: 29 Jul 2017 05:02 PM PDT
Este artigo foi publicado originalmente em espanhol no portal Aporrea e traduzido para o português por Luiza Mançano para o Brasil de Fato.
A
Venezuela vive um dos momentos mais críticos de sua história. Acompanho
de maneira crítica e solidária a Revolução Bolivariana desde o início.
As conquistas sociais das últimas décadas são indiscutíveis. Para
comprovar, basta consultar o último relatório da ONU de 2016 sobre a
evolução do Índice de Desenvolvimento Humano.
Diz
o relatório: "O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Venezuela de
2015 foi de 0.767 - o que colocou o país na categoria de alto
desenvolvimento humano - posicionando-o no 71º lugar entre 188 países e
territórios. Tal classificação é compartilhada com a Turquia." De 1990 a
2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 a 0.767, um aumento de
20,9%. Entre 1990 e 2015, a expectativa de vida no nascimento aumentou
para 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou para 4,8 anos e o
período de escolaridade média geral aumentou para 3,8 anos.A renda
nacional bruta per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015.
Nota-se que estes progressos foram obtidos na democracia, interrompida
somente durante a tentativa de golpe de Estado em 2002 e protagonizada
pela oposição com o apoio ativo dos Estados Unidos.
A
morte prematura de Hugo Chávez em 2013 e a queda do preço do petróleo
em 2014 causaram uma comoção profunda nos processos de transformação
social que estava em curso. A liderança carismática de Chávez não
possuía um sucessor, a vitória de Nicolás Maduro nas eleições seguintes
se deu com uma pequena margem de diferença, o novo presidente não estava
preparado para as complexas tarefas do governo e a oposição (muito
dividida internamente) percebeu que seu momento tinha chegado. Novamente
foi apoiada pelos Estados Unidos, sobretudo quando, em 2015, e
novamente em 2017, o presidente Obama considerou a Venezuela como uma
“ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”, uma declaração que foi
considerada exagerada, se não ridícula, mas que, como explicou
posteriormente, tinha uma lógica (de acordo com o ponto de vista dos
Estados Unidos, claro).
A
situação passou a piorar, até que, em dezembro de 2015, a oposição
conquistou a maioria na Assembleia Nacional. O Tribunal Supremo de
Justiça suspendeu quatro deputados, alegando fraude eleitoral, a
Assembleia Nacional desobedeceu. A partir daí, a confrontação
institucional se agravou e foi progressivamente se espalhando pelas
ruas, alimentada também pela grave crise econômica e de abastecimento
que eclodiu no país. Mais de cem mortos, uma situação caótica.
No
entanto, o presidente Maduro tomou a iniciativa de convocar uma
Assembleia Constituinte, a ser eleita no dia 30 de julho, e os Estados
Unidos ameaçam com mais sanções se as eleições acontecerem. Sabe-se que
esta iniciativa busca superar a obstrução da Assembleia Nacional
dominada pela oposição.
No
último dia 26 de maio, assinei um manifesto elaborado por intelectuais e
políticos venezuelanos de diferentes tendências políticas, solicitando
que os partidos e os grupos sociais em conflito interrompessem a
violência praticada nas ruas e iniciassem um debate que permitisse
encontrar uma saída não violenta, democrática e sem a intervenção dos
Estados Unidos. Decidi então não voltar a me pronunciar sobre a crise
venezuelana.
Por
que o faço hoje? Porque estou assustado com a parcialidade da
comunicação europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise na
Venezuela, uma distorção a qual recorrem todos os meios de comunicação
para demonizar um governo eleito legitimamente, causar um incêndio
social e político e legitimar uma intervenção estrangeira de
consequências incalculáveis.
A
imprensa espanhola beira a pós-verdade, divulgando notícias falsas
sobre a posição do governo português. Me pronuncio movido pelo bom senso
e pelo equilíbrio que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto
Santos Silva, demonstrou sobre o tema. A história recente mostra que as
sanções econômicas afetam mais aos cidadãos inocentes do que aos
governos.
Basta
lembrar das mais de 500 mil crianças que, segundo o relatório das
Nações Unidas de 1995, morreram no Iraque como resultado das sanções
impostas depois da Guerra do Golfo. Recordemos também que na Venezuela
vivem meio milhão de portugueses ou lusodescendentes. A história recente
também ensina que nenhuma democracia sai fortalecida de uma intervenção
estrangeira.
Os
desacertos de um governo democrático se resolvem pela via democrática,
que será mais consistente quanto menor seja a interferência externa. O
governo da Revolução Bolivariana é um governo eleito democraticamente.
Ao longo de muitas eleições durante os últimos vinte anos, nunca deu
sinais de não respeitar os resultados eleitorais. Perdeu eleições e pode
voltar a perder a próxima, e seria condenável somente se não
respeitasse os resultados.
Mas
não se pode negar que o presidente Maduro tem legitimidade
constitucional para convocar a Assembleia Constituinte. Evidentemente
que os venezuelanos (incluindo muitos chavistas críticos) podem,
legitimamente, questionar sua ocasião, sobretudo considerando que
dispõem da Constituição de 1999, promovida pelo presidente Chávez, e
dispõem de meios democráticos para manifestar este questionamento no
próximo domingo. Mas nada justifica o clima de insurreição que a
oposição tem radicalizado nas últimas semanas, cujo objetivo não é
corrigir os erros da Revolução Bolivariana, mas decretar seu fim e impor
as receitas neoliberais (como está ocorrendo no Brasil e na Argentina),
com tudo que representará para a maioria pobre da Venezuela.
O
que deve preocupar os defensores da democracia, ainda que isto não
preocupe os meios de comunicação globais que tomaram partido pela
oposição, é a forma como os candidatos estão sendo selecionados. Se,
como se suspeita, os aparatos burocráticos do Governo sequestraram o
impulso participativo das classes populares, o objetivo da Assembleia
Constituinte de ampliar democraticamente a força política da base social
de apoio à revolução estará frustrado.
Para
compreender por que provavelmente não haverá uma saída não violenta à
crise da Venezuela, é conveniente saber o que está em jogo no plano
geoestratégico mundial. O que está em jogo são as maiores reservas de
petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático que seja, que
possua este recurso estratégico e não o torne acessível às
multinacionais, em sua maioria norteamericanas, está sob a mira de uma
intervenção imperial.
A
ameaça à segurança nacional sobre a qual falam os presidentes dos
Estados Unidos, não está somente no acesso ao petróleo, mas também no
fato de que o comércio mundial de petróleo se organiza em dólares
estadunidenses, o verdadeiro núcleo do poder dos Estados Unidos, já que
nenhum outro país tem o privilégio de imprimir as notas que considere
sem que isso afete significativamente seu valor monetário.
Por
esta razão, o Iraque foi invadido e o Oriente Médio e a Líbia foram
arrasados (neste último caso, com a cumplicidade ativa de França de
Sarkozy). Pelo mesmo motivo, houve ingerência, hoje documentada, na
crise brasileira, pois a exploração das jazidas petrolíferas do pré-sal
estava nas mãos dos brasileiros. Pela mesma razão, o Irã voltou a estar
em perigo. Do mesmo modo, a Revolução Bolivariana tem que cair sem ter a
oportunidade de corrigir democraticamente os erros graves que seus
dirigentes cometeram nos últimos anos.
Sem
intervenção externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar
uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está em
curso é usar todos os meios disponíveis para colocar os pobres contra o
chavismo, a base social da Revolução Bolivariana e aqueles que mais se
beneficiaram dela. E, paralelamente, provocar uma ruptura nas Forças
Armadas e um consequente golpe militar que derrube Maduro. A política
exterior da Europa (se fosse possível falar em tal) poderia constituir
uma força moderadora se, no entanto, não tivesse perdido a alma.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático aposentado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
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Posted: 29 Jul 2017 11:00 AM PDT
“Eleições podem impor retrocesso às reformas”. Essa é a coluna da repórter especial do Valor Econômico (veículo que pertence às Organizações Globo, logo, que compõe a aliança antinacional), Angela Bittencourt, da editoria de economia, publicada na segunda-feira, dia 24 de julho. Ela começa dizendo que as eleições de 2018 “poderá minar o esforço empreendido até agora para aprovar reformas estruturais com o objetivo de promover uma recuperação econômica, capaz de minimizar os efeitos inquestionáveis da Operação Lava-Jato sobre a atividade”. Além de adotar a posição de porta-voz do governo ilegítimo e afirmar que tais reformas têm o intuito de recuperar a economia, a repórter dá a entender que as eleições podem ser um problema para o bom andamento da economia. Depois, entrando em contradição com o próprio título da coluna, Angela afirma que os “grandes investidores” acreditam ser de 90% a probabilidade de continuidade das reformas num próximo governo.
Em
seguida, a jornalista traz a opinião de uma fonte identificada apenas
como “nosso interlocutor” - e eu entendi como sendo a Banca, o Mercado -
sobre candidatos com chances de despertar confiança de investidores.
Entre os “confiáveis” estão os tucanos Dória e Alckmin. Ou “qualquer
candidato do partido”, já que, segundo o “nosso interlocutor”, o PSDB “é
um atestado de qualidade política e econômica”. O momento é tão sui
generis que a Globo e seus tentáculos perderam completamente a vergonha e
não escondem suas posições e seus métodos.
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