9/9 - JÁ VIMOS ESSE FILME DA SÍRIA NO IRAQUE

FONTE:http://oempastelador.blogspot.com.br/2013/09/ja-vimos-esse-filme-da-siria-no-iraque.html



Cairo, Damasco e a hipocrisia norte-americana

por Mauro Santayana, em seu blog
John Kerry anunciou esta semana, na Casa Branca, que os Estados Unidos têm “provas irrefutáveis” do uso de armas químicas pelo governo sírio. Traços de gás sarin teriam sido encontrados no sangue e nos cabelos de voluntários que participaram do resgate de civis atingidos logo após um suposto ataque do governo contra rebeldes no dia 21 de um agosto.

Já vimos esse filme. O uso de armas de destruição em massa pelo governo de Saddam Hussein também foi apresentado de forma inconteste e irrefutável pelo governo norte-americano.

Em nome dessa “certeza”, o Iraque foi bombardeado e invadido, suas defesas foram destruídas por corajosos jogadores de vídeo-game instalados a bordo de aviões e porta-aviões, sem um único combate corpo a corpo, e morreram milhares de crianças e civis iraquianos.

E até hoje nem uma única arma de destruição em massa foi encontrada – apesar de milhares de soldados norte-americanos terem também sido mortos ou feridos, tentando ocupar o território virtualmente “conquistado”, de onde os EUA já se retiraram, depois de centenas de bilhões de dólares em gastos.

Na época, o inspetor da ONU Hans Blix – que deu uma entrevista esta semana ao jornal britânico The Guardian dizendo que não há justificativa para um ataque ocidental à Síria – negou que houvesse armas de destruição em massa no Iraque e teve sua missão em Bagdá interrompida pelos bombardeios norte-americanos.

Os EUA costumam usar, sem nenhum escrúpulo, seus eventuais aliados, e depois livrar-se deles sem nenhuma consideração moral ou ética.

Foi assim, quando se aliaram a Saddam armando-o na guerra contra o Irã, para depois destruir o seu regime sob um pretexto falso, e persegui-lo até a execução de sua sentença de morte por enforcamento, no dia 30 de dezembro de 2006 em Bagdá.

Foi assim que fizeram com Osama Bin-Laden – com cuja família os Bush tinham negócios – depois de apoiá-lo na guerrilha contra os russos no Afeganistão, até cercá-lo e abatê-lo desarmado, na frente de sua família, no dia 2 de maio de 2011, em Abbotabad, no Paquistão.

E foi assim que aconteceu também com Muamar Kadhaffi, capturado de mãos nuas e espancado brutalmente até a morte, em 20 de outubro do mesmo ano, em Sirte, na Líbia, a ponto de ter seu corpo transformado em um hambúrguer diante das câmeras de seus verdugos, armados pelos mesmos países ocidentais que antes o recebiam e apoiavam.

Agora, a história se repete. Os EUA e as grandes redes de meios de comunicação do ocidente procuram desqualificar a denúncia da inspetora da ONU Carla Del Ponte, de que teria levantado evidências, na Síria, de que gás sarin estaria, na verdade, sendo usado pelos “rebeldes”, apoiados pelo Ocidente, com a intenção de culpar o governo de Bashar Al Assad pelo seu uso.

Ao invadir outros países sem provas e sem autorização das Nações Unidas, os Estados Unidos agem como os nazistas, que deram início à Segunda Guerra Mundial com uma farsa que completou há três dias exatos 74 anos.

No dia 31 de agosto de 1939 a SS nazista simulou a invasão de uma rádio de língua alemã, na cidadezinha fronteiriça de Gleiwitz, por tropas do exército polonês, para divulgar uma falsa mensagem conclamando a população da Silésia a se revoltar contra Hitler.

Para dar o máximo de verossimilhança aos fatos, os oficiais de Himmler, disfarçados de soldados poloneses, levaram com eles, também vestidos com os mesmos uniformes, 12 prisioneiros de campos de extermínio, que foram abatidos no local, ao final da operação, para que seus cadáveres servissem de prova da suposta ”invasão” polonesa. No dia seguinte, 1 de setembro de 1939, as tropas de Hitler, já agrupadas na fronteira, invadiriam a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Ressabiado, talvez, pela participação – sem provas que a justificassem – da Grã Bretanha na Guerra do Iraque, o Parlamento inglês negou na última semana ao Primeiro-Ministro James Cameron autorização para participar do ataque à Síria.

O mundo espera que o Congresso dos EUA, obedecendo à opinião da maioria da população norte-americana, tome atitude semelhante. E que Obama recue, como pode acabar fazendo, de seu plano contra a Síria, estabelecido, como afirmou John Kerry, em sua entrevista na Casa Branca, para “mandar uma firme mensagem” a outros países, como a Coréia do Norte e o Irã.

Não se pode aceitar que a mesma nação que apóia e financia, com bilhões de dólares, o exército golpista egípcio – para que seus soldados massacrem a população civil nas ruas do Cairo – ataque ou bombardeie Damasco, sob pretexto de defender a liberdade. 


-- Mais...

Dick Cheney ganhou contratos de 39,5 bilhões de dólares com guerra do Iraque


Os EUA tinham no país, em muitas ocasiões, mais empresas contratadas privadas que militares
Por Marco Antonio Moreno, original em El Blog Salmón. Tradução de Carlos Santos doEsquerda.net
Dez anos depois da guerra do Iraque, uma recente análise dos custos financeiros lança luz sobre as empresas que fizeram mais dinheiro com o lucrativo negócio da guerra na prestação de serviços no Iraque, desde as operações militares à construção de infraestruturas e à alimentação das tropas. Estas empresas (todas privadas, até os soldados) receberam 138 bilhões de dólares e houve dez empresas contratadas que ficaram com 52% dos fundos, segundo este relatório do Financial Times. Muitas das ofertas foram outorgadas sem nenhuma licitação aberta às empresas, que competem ferozmente, diretamente às amizades do governo de Bush. De acordo com a Bloomberg, vários escândalos são hoje investigados como a renovação de um contrato no ano de 2010 por 568 milhões de dólares para proporcionar alojamento, alimentação, água e banho às tropas no Iraque.
A análise do Financial Times demonstra que duas empresas ganharam com o conflito bélico contratos de pelo menos 72 bilhões de dólares, e a que mais ganhos obteve foi a Kellogg Brown & Root, a filial da Halliburton dirigida pelo então vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, com 39.500 milhões de dólares, pondo em relevo o “capitalismo de amigos” em que se corrompeu a economia atual. A nota de Anna Fifield salienta vários dados relevantes como este: “No Iraque, os Estados Unidos contrataram mais empresas privadas do que em qualquer conflito anterior e em muitas ocasiões tinham no terreno mais empresas contratadas privadas que militares”. O insólito é que todas essas despesas foram feitas sob encargo do Estado, isto é, dos contribuintes, mas os lucros foram para as grandes empresas privadas. Significativamente, a dívida pública dos Estados Unidos passou de 6 para 16 bilhões de dólares nestes dez anos, enquanto as empresas que participaram na guerra enriqueceram.

Os interesses da guerra (Imagem retirada do blogue El Salmón)
É evidente que todas as empresas justificam e defendem a sua participação “com honra e sacrifício, nesse ambiente hostil, complexo, ambíguo e imprevisível da guerra”, como assinala Marianne Gooch, porta-voz da Kellogg Brown & Root, a empresa que preparou e serviu mais de mil milhões de refeições, mobilizou mais de 25 bilhões de galões de água potável e 265 toneladas de gelo. Quando no ano de 2011 o governo dos Estados Unidos começou a fazer os cortes orçamentais, considerou excessivos e injustificados os pagamentos à KBR , mais ainda quando se tornou o único fornecedor nesse setor cheio de concorrentes. A KBR tinha, além disso, contratos para obras de engenharia e serviços de construção. A imposição da austeridade depois da crise financeira desencadeada em 2008 obrigou a rever com mais detalhe os contratos e por isso para muitas empresas a guerra terminou em dezembro de 2011, com a retirada da tropas. No entanto, ainda ficaram no Iraque mais de 14 mil empresas contratadas e 5,5 mil guardas de segurança.
Se a guerra do Iraque foi produto de uma mentira assustadora (as armas biológicas de destruição em massa de Saddam Hussein), é lógico que tudo nessa guerra seja uma mentira e que tudo esteja mergulhado na corrupção. Isso é o que investiga a Comissão bipartidária do Congresso dos Estados Unidos, que aponta o Departamento de Defesa dos tempos de Bush como o principal motor da corrupção: contratos à porta fechada e por somas estratosféricas e custos nunca estimados como o das vidas humanas, que dispararam o custo da guerra para os 3 bilhões de dólares como assinalou Joseph Stiglitz em 2008, ainda que hoje assinala queos custos da guerra de Iraque apenas começam. Isto obriga a recordar a frase de Bush de que “a guerra seria breve”, e a do seu ministro de Defesa, Paul Wolfowitz quando em março de 2003 assinalou ao Congresso dos Estados Unidos que “se trata de um país que poderá financiar rapidamente a sua reconstrução”. Dez anos depois dessas afirmações, todo o mundo concorda que essa visão foi totalmente errada.
Outro dos fatos relevantes da guerra do Iraque foi a participação da banca. A guerra do Iraque foi financiada completamente com crédito privado e foi tal o movimento de fluxos da banca europeia e norte-americana para as empresas que participavam na guerra, que os bancos (europeus e norte-americanos) deixaram de cumprir os seus compromissos com países africanos, asiáticos e outros países europeus. A banca optou por facilitar recursos financeiros às empresas da primeira economia mundial dado que tinham menor risco e maior rentabilidade. Apesar dos Estados Unidos não terem necessidade de pedir dinheiro emprestado dado que o podem imprimir diretamente e em quantidades avultadas, como tem deixado bem claro a Reserva Federal com os resgates à banca, o excesso de confiança levou a um retorcido mecanismo de financiamento que fez disparar a dívida pública de forma exponencial.
Se a guerra do Iraque foi um escândalo em termos de corrupção política, também o foi em termos financeiros dado que favoreceu de forma abusiva as empresas que apoiavam e financiavam o governo de Bush. É também uma das provas mais claras da ineficiência global dado que desde a privatização do petróleo iraquiano nos finais de 2003 o petróleo despediu-se para sempre dos 20 dólares o barril, quintuplicando e sextuplicando o seu preço numa década. É eficácia só para os quatro grandes bancos dos Estados Unidos, que com um petróleo a maior valor conseguem impulsionar a procura de dólares que é a divisa em que é transacionado o ouro negro em quase todo mundo. Isto consegue evitar transitoriamente o colapso dos Estados Unidos com a sua dívida de 16,8 bilhões de dólares.
O petróleo estatal iraquiano era o mais barato do mundo dado que o seu custo de produção chegava aos 60 cêntimos o barril em 2003. Desde a sua privatização em mãos estrangeiras o petróleo iraquiano encareceu para pagar a incursão bélica em Bagdá dos empresários amigos de Dick Cheney, o então vice-presidente dos Estados Unidos. Os invasores não tiveram qualquer pudor em destruir o patrimônio histórico e cultural de um dos berços da nossa civilização. Este fato,é também a prova mais clara de que a economia atual não é mais que um “capitalismo de amigos” onde impera a corrupção, os ganhos secretos, a evasão e o crime organizado. E enquanto esta situação perdurar no tempo, as crises locais e globais serão cada dia mais devastadoras.
Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado em El Blog Salmón. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

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