De: Pragmatismo Político <noreply+feedproxy@google.com> - Ter 31/08/21
Pragmatismo Político |
- Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil
- O golpismo do 7 de setembro pode ser a corda para o pescoço de Bolsonaro
- Resgatados de Cabul, afegãos aguardam em outros países
- Líder de movimento anti-máscara morre de Covid-19 aos 30 anos
- Bolsonaro: Das fake news às verdades impunes
- Corregedoria vai tentar impedir presença ilegal de PMs em ato pró-Bolsonaro
- Em novo ataque contra Estado Islâmico, EUA atingem carro suspeito de carregar ‘homens-bombas’
Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil Posted: 30 Aug 2021 10:48 AM PDT ![]() Fotografia de Enedina Alves Marques. Luis Gustavo Reis*, Pragmatismo Político Faz 41 anos que Enedina Alves Marques faleceu de infarto. Sozinha em seu apartamento, localizado na Rua Emerlino Leão, no centro de Curitiba, foi encontrada caída no chão frio e azulejado da cozinha. Aos 68 anos, a saúde debilitada e o corpo desgastado pela ação do tempo, terminou seus dias tragada pelo anonimato e pela invisibilidade a que são submetidos milhares de seres humanos, especialmente as mulheres. O apagamento de seus feitos em vida pouco contrasta com as homenagens póstumas, incapazes de projetá-la para fora do labirinto do descaso. Mas as homenagens, cabe reconhecer, são esforços salutares na tentativa de inscrever a história da personagem nos anais da memória nacional. Enedina faleceu em agosto de 1981, durante o rigoroso inverno paranaense. Foi preciso descer a sepultura para que traços de sua trajetória fossem recompostos e alguns agraciamentos pipocassem na cidade que ajudou a construir. No bairro do Cajuru, em Curitiba, uma rua foi batizada em sua homenagem. O Memorial da Mulher, também na capital paranaense, outorgou seu nome entre as 53 mulheres “notáveis” – todas elas brasileiras. Maringá, cidade vizinha, não ficou à deriva e inaugurou o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, reverenciando a personagem. Ora, estimada leitora, ante a listagem dos tributos, cabe a pergunta: quem foi Enedina Alves Marques? Qual sua contribuição para história do Paraná, que a laureou em distintos espaços públicos e instituições privadas? Nascida em 13 de janeiro de 1913, em Curitiba, Enedina era filha de negros imigrantes que chegaram à cidade em busca de melhores condições de vida. Numa Curitiba majoritariamente rural, marcada pelo mandonismo e que ensaiava um processo de urbanização, a família de Enedina, cuja procedência desconhecemos, somava-se às centenas de brasileiros e imigrantes europeus estabelecidos na região. Sua mãe, Virgília Alves Marques, provia o sustento da prole trabalhando em casas de família e lavando roupas daqueles que a contratavam. Enquanto isso, seu pai, Paulo Marques, prestava pequenos serviços de reparos em moradias e chácaras para custear as demais despesas familiares. O matrimônio de Virgília e Paulo sucumbiu ao desgaste originado das brigas do casal, algo que empurrou a matriarca, junto com os filhos, a irem morar na casa onde Virgília trabalhava. Agora, num cômodo apertado e pouco ventilado, viviam na propriedade de Domingos Nascimento, importante intelectual republicano paranaense. Os anos de Enedina na nova casa foi marcado pelo trabalho doméstico, brincadeiras com os filhos do republicano e por leituras esporádicas nos momentos de descanso. O acesso aos livros que circulavam pela moradia despertou o interesse da personagem pelos estudos, alfabetizada aos 12 anos numa cidade em que a maioria dos habitantes eram iletrados. O empenho nos estudos resultou em sua diplomação no ensino primário e, tempos depois, na conclusão do “ensino complementar” que a credenciava como “professora normalista”. Outorgado seu novo status, passou a lecionar em diferentes escolas do interior paranaense. ![]() Enedina Alves Marques (à esquerda) e suas colegas “professoras normalista”. Curitiba, Paraná, década de 1930. Com o ingresso no serviço público, Enedina substituiu a vassoura pelos livros e os serviços como empregada doméstica foram temporariamente interrompidos. Agora se dedicava a cuidar de sua própria casa, adquirida com recursos obtidos na docência, bem como no letramento dos estudantes. Enedina era incansável. Conciliava as muitas aulas nas escolas regulares com serviços voluntários prestados aos desassistidos – crianças e adultos. E aqui serviço tem uma conotação objetiva: significa “servir ao outro”, “servir ao humano”. Por isso, recebia pessoas em sua casa, promovia cursos de alfabetização, atendia populações vivendo em rincões pouco visitados, inclusive pelo governo local, pouco interessante em suprir as demandas básicas dos desafortunados. O parco salário de professora a impossibilitava de bancar um curso universitário em Engenharia Civil, algo com o qual sonhava desde a formação no magistério. Naquele período, meados de 1930, havia uma determinação legislativa aos postulantes do curso de Engenharia: precisavam fazer uma capacitação profissional de três anos, desembolsando recursos próprios, numa etapa chamada “Curso complementar”. Somente após o fim da jornada, ratificada a “aptidão”, estavam autorizados a seguirem para Universidade. Com o intuito de viabilizar a formação superior, decidiu conciliar as aulas na escola com trabalhos em casa de família – a falta de recursos, portanto, e a determinação da graduação, fizeram Enedina relembrar os anos trabalhando como empregada doméstica. Na nova empreitada, escolheu a casa de Iracena e Mathias Caron, família curitibana de muitas posses e com inserção nos altos escalões hierárquicos da Curitiba novecentista. A família, inclusive, ciente das habilidades da contratada, aproveitava tanto suas habilidades no cuidado com a casa como a facilidade no trato das letras e dos números. Nesse sentido, pediam à professora que alfabetizasse seus filhos nos intervalos das faxinas e demais cuidados da moradia. Uma mulher negra e pobre, vejam só, letrando as crianças ricas de uma cidade até hoje manchada pelo racismo. A dupla jornada de trabalho regular (professora – empregada doméstica) possibilitou que Enedina juntasse recursos, ingressasse no curso complementar e saísse dele diplomada – isso nos idos de 1939. No mesmo ano, redigiu um requerimento endereçado ao diretor da Faculdade de Engenharia do Paraná (FEP) solicitando sua inscrição nos exames de habilitação para graduação em engenharia civil. O pedido foi deferido e a data do exame foi marcada. Após ser aprovada nos exames, apresentar a documentação exigida e fazer o pagamento da matrícula, Enedina ingressou como caloura no curso de engenharia civil destinado a formar a elite paranaense. Única mulher da turma, única negra, única trabalhadora de origem pobre, Enedina Marques dinamitou as barreiras impostas por àqueles que tentaram interditar seu sonho. Leia aqui todos os textos de Luis Gustavo Reis A jornada no curso de engenharia foi repleta de sobressaltos. Eram recorrentes os desgastes entre nossa personagem e a burocracia universitária, que dificultava sua formação exigindo documentos em prazos curtos, alterando horários de cursos e prazos de entrega sem comunicar a estudante. Além disso, os embates entre Enedina e os colegas de turma eram frequentes, bem como o desentendimento dela com professores preconceituosos que suspeitavam da capacidade intelectual de uma mulher negra num curso hegemonicamente masculino, elitista e de pessoas brancas. A Faculdade de Engenharia do Paraná espelhava o ordenamento social, marcado pela exclusão, pelo alijamento de determinados grupos e pelo racismo enraizado no cotidiano. Lidar com to-dos esses elementos nos espaços públicos e nas instituições privadas era condição sine qua non dos negros da cidade sulista. O curso de engenharia civil, por exemplo, contabilizava discentes de famílias influentes na cidade, com trajetória acadêmica consolidada e que não precisam trabalhar para bancar os estudos – essa moldura, evidentemente, não enquadra nossa biografada. As vicissitudes de Enedina Marques ao longo da graduação extrapolaram os preconceitos de gênero, etnia e condição social. Além deles, convivia com reiterados comentários acerca de seu temperamento, que diziam ser “explosivos” e “desproporcionado”, toda vez que tomava posição sobre determinado assunto. Somado a isso, a estudante amargou a reprovação em algumas disciplinas, o que retardou sua formatura em 1 ano – dado relevante considerando o dispendioso valor da mensalidade numa época em que não existia ensino superior gratuito. Concluir a graduação, ademais, era expediente penoso, visto que o curso apresentava alto índice de reprovação e evasão escolar – menos da metade dos matriculados chegavam à formatura. As intermináveis horas de estudo, a dedicação diligente, a persistência obstinada somada a outras particularidades desembocou na formatura de Enedina. Numa manhã ensolarada de sábado, dia 16 de dezembro de 1945, quando o país ainda discutia a renúncia de Getúlio Vargas, Enedina Alves Marques caminha até rua XV de Novembro, sobe as escadarias do Palácio Avenida, passa pelo saguão do edifício, cumprimenta alguns convivas e chega ao majestoso auditório. Pouco tempo depois, em sessão solene e abarrotada, o mestre de cerimônias anuncia o nome dos 33 formandos, sendo 32 deles homens. Emocionada, trêmula e com coração acelerado, Enedina Alves Marques ouve seu nome e se levanta para buscar o diploma. Observada pela multidão em murmúrio, caminha até a tribuna para pegar o canudo e deixar suas impressões digitais na história brasileira. Dona Virgília Alves Marques, sua mãe, morrera anos antes e não estava presente para aplaudi-la, tão pouco seu pai, Paulo Marques, cujo paradeiro desconhecemos. Talvez alguns amigos próximos e seus irmãos, orgulhosos da caçula de 32 anos, celebram jubilosos o feito memorável. Naquele dezembro de 1945, o país conheceria a primeira mulher negra formada em engenharia no Brasil e a primeira mulher engenheira do Paraná. Pouco tempo depois, Enedina começou a trabalhar na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas. O respeito profissional nas obras foi conquistado pela competência e qualidade de seu trabalho, mas também pelo revólver que portava na cintura – artefato que desencorajava a iniciativa de dezenas de homens que tentavam pisoteá-la devido ao gênero e cor da pele. A qualidade de seu trabalho fez com que o próprio governador, Moisés Lupion, pedisse sua transferência para o Plano Hidrelétrico do Paraná, onde trabalhou nas obras de aproveitamento de água dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu. A Usina Capivari-Cachoeira, inclusive, que em 1970 foi batizada de Usina Parigot de Souza, existe até hoje e está localizada no munício de Antonina (PR). Esse projeto está entre os mais importantes da carreira profissional de Endina. Outras obras ainda contaram com sua participação, como o Colégio Estadual do Paraná (CEP) e a Fundação Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU), que ainda hoje atende estudantes de diferentes regiões brasileiras. O trabalho de engenheira caminhava pari passu ao engajamento de Enedina em organizações empenhadas nas questões da mulher em Curitiba, entre elas a Sociedade Soroptimista e o Centro Paranaense Feminino de Cultura. Essas organizações realizavam atividades de diferentes naturezas e pressionavam o poder público para construir políticas de superação das desigualdades entre homens e mulheres, especialmente no estado paranaense. Em 1962, após longos serviços prestados, Enedina conquista a aposentadoria e passa a dedicar mais tempo aos serviços voluntários que jamais abandonara. Além disso, realizou viagens para diferentes regiões do mundo e conheceu a realidade da discriminação racial e de gênero que assolam a humanidade. Teria vivenciado nesses lugares as mesmas situações lastimáveis protagonizadas em seu país natal? Teria conhecido a história de milhares de seres humanos suplantados por uma estrutura patriarcal e racista? Teria catalogado os feitos de outras mulheres anônimas que contribuíram peremptoriamente para suas realidades locais? Infelizmente não sabemos. O que sabemos, porém, é que a engenheira passou os últimos dias de vida caminhando pelas ruas de Curitiba, conversando com vizinhos e amigos, observando o movimento dos transeuntes, refletindo sobre as contradições e as mudanças da cidade construída também pelos seus esforços. Desconhecida pela maioria de seus concidadãos, tragada pela invisibilidade, Enedina Alves Marques merece ter parte de sua trajetória recomposta para que seus feitos sejam reconhecidos pela nossa e pelas próximas gerações. *Luis Gustavo Reis é professor, editor de livros escolares e coautor do livro “Ensaios incendiários sobre um mundo normatizado” Acompanhe Pragmatismo Político no Instagram, Twitter e no Facebook O post Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil apareceu primeiro em Pragmatismo Político. |
O golpismo do 7 de setembro pode ser a corda para o pescoço de Bolsonaro Posted: 30 Aug 2021 10:32 AM PDT ![]() Jair Bolsonaro (Imagem: José Cruz | ABr) Moisés Mendes*, em seu blog Se a manifestação do 7 de setembro for fraca, mesmo que não seja um fracasso total, Jair Bolsonaro ficará fragilizado e poderá tentar radicalizar ainda mais, na tentativa de se reerguer e se fortalecer com a sua turma. Se for forte, se transmitir determinação do apoio de militares da reserva (e também da ativa), poderá ser a corda que a extrema direita entregará a Bolsonaro para que se enforque de uma vez. Um 7 de setembro marcado pelo golpismo explícito, com a presença maciça de gente de verde-amarelo e com fardas das polícias militares (mesmo que sejam fantasias), pode encaminhar Bolsonaro para o penhasco. Leia também: Bolsonaro faz ‘canto da sereia’ e usa PMs de maneira covarde, diz coronel Se Bolsonaro se empolgar e fizer na Avenida Paulista um discurso parecido com aquele de 21 de outubro de 2018, logo depois do primeiro turno, quando falou por telefone para uma aglomeração na mesma Paulista e ameaçou matar os inimigos, terá passado do ponto sem volta. Bolsonaro está numa armadilha terrível com a convocação do 7 de Setembro de preparação do golpe. O fracasso pode enfurecê-lo ainda mais e o sucesso pode ampliar o surto. Nos dois casos, o desatino pode crescer. Bolsonaro poderá sair do 7 de setembro como um golpista que não terá mais o direito de recuar, com o fracasso ou com o sucesso das manifestações. E aí então os militares, o centrão, o mercado financeiro e os empresários terão de decidir se continuarão com ele até o fim, mesmo que ninguém tenha condições de saber que fim será esse. A corda do 7 de setembro está sendo estendida na direção do pescoço de Bolsonaro. Os resistentesOs índios são hoje, ao lado de Alexandre de Moraes, os mais bravos militantes da resistência no Brasil. Os índios acampados em Brasília, enfrentando a ameaça do tal marco temporal, nos emocionam e nos constrangem. Não há nada parecido entre os brancos urbanos, que promovem caminhadas a cada mês ou mais (quando foi a última?). Os índios estão lá, desafiando um Supremo que não pode se acovardar diante de grileiros e bandidos misturados a garimpeiros e latifundiários. A Globo imita BolsonaroA Globo nos ofereceu no Fantástico mais um exemplo do jornalismo fofo, que produz reportagens ditas ‘humanistas’, mas sonega informações relevantes que contrariam seus interesses e os interesses da direita. Ao tratar da tentativa de Bolsonaro de destruição da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, adotada pelo governo do PT em 2008, a reportagem esqueceu um detalhe que não poderia esconder. A Globo não ouviu nem mencionou uma única vez o ministro que implementou a educação inclusiva. Mas ouviu e citou várias vezes o ministro que desrespeita agora o direito à inclusão de crianças e adolescentes com deficiência no ensino regular. A Globo poderia pelo menos ter dito que o ministro que não discriminava as crianças chama-se Fernando Haddad. Numa reportagem sobre a sabotagem fascista à inclusão, o Fantástico nem mencionou o ministro que andou na direção contrária. A Globo tratou Haddad como o governo de Bolsonaro trata os discordantes dos seus métodos nazistas. *Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, DCM e Brasil 247. É autor do livro de crônicas ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim). Siga-nos no Instagram | Twitter | Facebook O post O golpismo do 7 de setembro pode ser a corda para o pescoço de Bolsonaro apareceu primeiro em Pragmatismo Político. |
Resgatados de Cabul, afegãos aguardam em outros países Posted: 30 Aug 2021 09:18 AM PDT ![]() (Imagem: Samuel Ruiz | AP) Jan D. Walter, DW Mais de 100 mil pessoas foram resgatadas de Cabul pelos Estados Unidos e seus aliados desde que o Talibã tomou o poder no Afeganistão, em 14 de agosto. A maioria foi levada para várias bases militares no Oriente Médio e na Europa. Até a última quinta-feira (26), em Ramstein, na Alemanha, por exemplo, maior base aérea americana fora dos Estados Unidos, 14,5 mil pessoas haviam chegado do Afeganistão. Cerca de 3.500 foram levadas para os EUA. Entre elas, nenhum afegão. Ajudantes afegãos que trabalharam para as instituições militares, diplomáticas ou outras organizações americanas ficarão inicialmente com suas famílias nas instalações militares dos EUA na Alemanha. Seu futuro é incerto. Só 1.200 chegaram aos EUADas dezenas de milhares de forças locais resgatadas pelos EUA, apenas cerca de 1.200 chegaram até agora aos EUA. Segundo o governo americano, a Alemanha é apenas um país de trânsito. Mas ainda é incerto para onde os refugiados que aguardam em Ramstein serão levados. O objetivo do governo americano é aparentemente distribuir o maior número possível de forças locais a terceiros países em todo o mundo até que seus pedidos de visto tenham sido examinados e aprovados. Na semana passada, o secretário de Estado americano, Anthony Blinken, anunciou que 12 países parceiros já haviam concordado em aceitar temporariamente afegãos resgatados pelos EUA: Albânia, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Kosovo, Macedônia do Norte, México, Polônia, Ruanda, Ucrânia, Uganda e Qatar. As primeiras famílias afegãs já chegaram a Uganda. O país africano quer acolher 2 mil pessoas. A Colômbia concordou em hospedar 4 mil afegãos durante seus procedimentos de visto. Lá, como anunciou o presidente dos EUA Joe Biden, eles serão primeiramente verificados cuidadosamente – medicamente, mas acima de tudo no que diz respeito à sua elegibilidade para um visto. Programa especial de vistos para afegãosDesde 2009, os EUA têm um programa chamado “Special Immigrant Visa” para trabalhadores afegãos locais, o que supostamente facilita a obtenção de uma autorização de residência permanente. Até o momento, cerca de 76 mil afegãos receberam um visto desse tipo. No final de junho, o governo dos EUA mais uma vez suavizou os critérios de admissão para que o programa incluísse pessoas que só trabalharam para organizações americanas por um curto período de tempo. Washington, porém, ainda não atendeu às exigências internacionais de abrir um procedimento simplificado de admissão a ativistas de direitos humanos, jornalistas e outros grupos particularmente vulneráveis. Até mais 100 mil afegãos poderiam ter direito a um visto, segundo disse J.C. Hendrickson, da ONG International Rescue Committee, à revista política americana Foreign Policy. Obstáculos burocráticos em sérieAlex Nowrasteh, especialista em migração do Instituto Cato, baseado em Washington, estima que um número muito maior de pessoas adquiriu pelo menos direito teórico a a um visto ao longo dos últimos 20 anos. Mas é provável que apenas uma fração deles seja capaz de reivindicá-lo, explicou ele ao podcast Cato Daily em meados de agosto: “É tão difícil e caro, e você tem que provar que trabalhou para o Exército dos EUA por um certo período de tempo. E assustadoramente, os militares americanos não mantiveram bons registros disso“. Em muitos casos, disse ele, nenhum registro salarial ou contrato foi documentado, ou acabou destruído desde então. “A maneira como as autoridades estão tratando o procedimento, parece que não querem essas pessoas“, afirmou. Politização da crise afegãCríticos questionam por que razão Biden, que defende uma política de imigração mais aberta, não está abrindo o caminho para os afegãos. A jornalista da CNN Maeve Reston ressalta em uma análise que a política migratória é um assunto sensível para o atual governo. Trump já está fazendo campanha novamente para as eleições presidenciais de 2024 e poderia acusar Biden de não agir no interesse dos EUA ao aceitar um grande número de refugiados afegãos. O analista Nowrasteh também acredita que o governo Biden teme que o sentimento parcialmente antimigração possa se espalhar ainda mais nos EUA. Aparentemente, Biden vê paralelos com a crise de refugiados de 2015/2016 na Europa, o que, segundo o especialista, é ridículo. Há várias razões pelas quais os EUA estão levando os refugiados para outros países. Uma é que Biden quer dar a impressão de que o fardo está sendo compartilhado internacionalmente. Além disso, há considerações práticas: “É mais fácil deportar candidatos rejeitados para o Afeganistão se eles não estiverem nos EUA. Aqui eles têm certos direitos. Em Uganda, não são tantos“, afirma Nowrasteh . Nowrasteh defende a simplificação dos procedimentos de visto para refugiados afegãos: “Não há uma boa razão para barrar os refugiados afegãos“, afirma ele, em artigo recente. O congressista republicano Adam Kinzinger tem uma visão semelhante: “Os refugiados sempre demonstraram um empreendedorismo extremo neste país. Todos sabemos que eles trabalham duro e lutam para ter sucesso“, disse em entrevista recente à CNN. O jornalista Arthur Herman usou argumento semelhante em seu artigo de opinião Help afghan refugees and they will help America (Ajude os refugiados afegãos, e eles ajudarão os EUA) no Wall Street Journal. Kinzinger lançou um fundo para ajudar as famílias afegãs nos EUA a construir uma nova vida. Segundo o republicano, Biden apenas herdou os obstáculos burocráticos. O lento processamento dos requerimentos de visto começou sob Barack Obama, mas assumiu maiores proporções com Donald Trump. Agora cabe a Biden mudar isso. Kinzinger descreveu a propaganda de medo sobre refugiados na política americana e na imprensa como algo “não americano”. Siga-nos no Instagram | Twitter | Facebook O post Resgatados de Cabul, afegãos aguardam em outros países apareceu primeiro em Pragmatismo Político. |
Líder de movimento anti-máscara morre de Covid-19 aos 30 anos Posted: 30 Aug 2021 08:00 AM PDT ![]() Caleb Wallace, um homem do Texas que organizava protestos contra as restrições à pandemia morreu de COVID-19 no último sábado (28). Ele tinha apenas 30 anos. A morte foi anunciada pela esposa do homem, Jessica Wallace, que está grávida do quarto filho do casal. “Caleb faleceu pacificamente”, escreveu ela. “Ele viverá para sempre em nossos corações e mentes.” Wallace lutou contra o vírus por semanas na UTI, de acordo com o San Angelo Standard-Times. Ele estava “inconsciente, ventilado e fortemente sedado” desde 8 de agosto. Sua esposa disse que ele inicialmente começou a apresentar sintomas em 26 de julho. Jessica disse ao Standard-Times que seu marido se recusou a fazer o teste de COVID e, em vez disso, recorreu a remédios caseiros não comprovados para combater o vírus, incluindo altas doses de vitamina C, zinco, aspirina e ivermectina — usado para tratar vermes parasitas destinado a animais e que é não aprovado pela FDA. Leia também: “Ele era tão teimoso”, disse Jessica Wallace. “Ele não queria ver um médico, porque não queria fazer parte das estatísticas com os testes de COVID.” Caleb Wallace foi um crítico às restrições de combate à pandemia, aparecendo em entrevistas atacando o fechamento de escolas e políticas de máscaras, bem como organizando o “Freedom Rally” em 4 de julho no ano passado para protestar contra as medidas de enfrentamento ao vírus. “Desafio a Ciência a me mostrar que as máscaras funcionam”, escreveu ele no Facebook oficial da cidade de San Angelo em dezembro de 2020. “Mostre-me as evidências de que o fechamento de escolas funciona. Mostre-me as evidências de que os bloqueios funcionam. ” Para Jessica, cujas opiniões sobre as máscaras eram diferentes das de seu marido, o diagnóstico de Caleb levou à conclusão de que o vírus “não discrimina”. ![]() Caleb Wallace deixou três meninas órfãs e sua esposa está grávida “Eu sou da cidade fronteiriça de Del Rio, e minhas opiniões são menos conservadoras”, disse ela. “Eu não sou uma liberal. Eu fico em algum lugar no meio … Caleb me dizia, ‘Você sabe que máscaras não vão te salvar’, mas ele entendeu que eu queria usá-las. Me dá conforto saber que talvez, apenas talvez, eu esteja protegendo alguém”. Saiba mais: “Esquerda não toma ivermectina pois mata o verme que eles são”, diz Bolsonaro A mulher ainda acrescentou: “fosse ele um conservador radical ou não, ele era um homem incrível“. Siga-nos no Instagram | Twitter | Facebook O post Líder de movimento anti-máscara morre de Covid-19 aos 30 anos apareceu primeiro em Pragmatismo Político. |
Bolsonaro: Das fake news às verdades impunes Posted: 30 Aug 2021 06:04 AM PDT ![]() Jair Messias Bolsonaro (Imagem: Alan Santos | PR) Carlos Ferreira Martins*, Opera Mundi Um dos efeitos curiosos e mais perversos do ambiente comunicacional da guerra híbrida, que está longe de se reduzir à proliferação de notícias falsas, é que nela a verdade também se expressa, com uma sem-cerimônia crescente, na certeza de que seus efeitos serão totalmente indiferentes. Não me refiro a uma verdade enunciada como oposição, resistência ou combate às chamadas fake news mas às verdades expostas despudoradamente pelos mesmos enunciadores das cortinas de fumaças ou das falsificações grosseiras do tipo mamadeira de piroca, sem qualquer receio de reação e com plena segurança da impunidade. O que tempos atrás ainda chamávamos de sincericídio, para acabar descobrindo, surpresos ou ingênuos, que não representa nenhuma espécie de suicídio. Não se volta contra o enunciador, mas se aproveita, e ao mesmo tempo reforça um quadro geral de anomia, de incapacidade de resistência, como um tipo particular de depressão social e política. Para que não pareça abstrato basta lembrar de qualquer das manifestações das “autoridades” enunciadas, com ampla cobertura da imprensa, durante a semana que passou. A desconexa fala do genocida chefe recomendando trocar feijão por fuzis provocou pouco mais que as miríades de memes nas redes sociais, o que, a esta altura da vida política e especialmente considerando que a permanência em isolamento social anti-pandemia é predominante entre os opositores, parece ser pouco mais que uma forma não intencional de naturalização. As brutalidades são tantas e tão cotidianas que passam a marcar, queiramos ou não, o “novo normal”, expressão cuja aceitação é, por si só, o reconhecimento de nossa impotência. “A conta de luz vai subir e não adianta ficar chorando” é a penúltima do ideólogo do neoliberalismo pinochetiano, aquele que a grande mídia subserviente aos “mercados” nos vendia como garantia de controle do capitão expulso do exército por terrorismo. ➔ Paulo Guedes: tragédia e farsa Penúltima porque ele provavelmente produzirá outras quando estas linhas cheguem ao leitor. Todas na linha genealógica do escândalo das empregadas que iam pra Disney; do Estado que não tem como atender essa incrível mania de todo mundo querer viver até os cem anos e de outras tantas. Tantas que ficou normal. Talvez a pérola desta semana tenha sido a da secretária especial do programa de privatizações, Marta Seillier, que escancarou sem cerimônia que os Correios serão “vendidos por um valorzinho”. Em entrevista à Uol, ela deixou claro que, se houver muito interesse pode até haver ágio “mas esse não é o foco”. A entrega por um “valorzinho” de uma empresa que tem 98 mil funcionários, atende a todo o país por preços menores do que os concorrentes privados e ainda dá lucro, é, como confessa a secretária, “simbólica”. Ela tem razão. É um símbolo de que eles fazem o que querem, porque o big Money pretende espremer a laranja até se livrar – se conseguir – da destrambelhada e pouco discreta familícia. A laranja, claro, é o Brasil. Vendido a preço de banana. Banana de antigamente, claro. *Carlos Ferreira Martins é professor titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos. Siga-nos no Instagram | Twitter | Facebook O post Bolsonaro: Das fake news às verdades impunes apareceu primeiro em Pragmatismo Político. |
Corregedoria vai tentar impedir presença ilegal de PMs em ato pró-Bolsonaro Posted: 30 Aug 2021 05:00 AM PDT ![]() (Imagem: André Pelin | PM-SP) Uma operação da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) tentará coibir a presença ilegal de policias militares fardados ou armados na manifestação pró-governo Jair Bolsonaro (sem partido) no dia 7 de setembro na avenida Paulista. Policiais que estariam de folga e que trabalham em áreas administrativas foram convocados para reforçar a ação, referida pela direção da Corregedoria como “patrulhamento disciplinar”. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo. Saiba mais: Bolsonaro faz ‘canto da sereia’ e usa PMs de maneira covarde, diz coronel Promotores do Tribunal de Justiça Militar haviam solicitado ao órgão de controle da PM-SP informações sobre as providência tomadas para evitar a ida às ruas de militares da ativa. Em resposta, a Corregedoria comunicou a realização do patrulhamento. O planejamento se dá diante de um possível motim de policiais militares que apoiam Bolsonaro, reivindicando abertamente um golpe de estado e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Leia também: Bolsonaro mandou FAB sobrevoar STF para quebrar vidraças, diz ex-ministro da Defesa Embora proibida pelo Regulamento Disciplinar da PM paulista, deputados alinhados a Bolsonaro defendem a presença de policiais na manifestação. Entre eles estão Coronel Tadeu (PSL) e Major Mecca (PSL), oficiais da reserva da corporação de São Paulo. A Associação Nacional dos Militares Estaduais do Brasil (Amebrasil) divulgou nota afirmando que as PMs seguirão o Exército no caso de “defesa interna ou de ruptura institucional (estado de sítio ou de defesa)”. Fique por dentro: Associação de PMs ameaça governadores: “Nosso laço com o Exército é indissolúvel” Os promotores ressaltaram o caráter ilegal da participação dos militares, com base nos parágrafos 3º e 4º do artigo 8º do Regulamento. “É absolutamente proibido a militares da ativa a participação em manifestações políticas, bem como opinar sobre assunto político e externar pensamento e conceito ideológico“, escreveu também o procurador de Justiça Pedro Falabella, do Tribunal de Justiça Militar. Siga-nos no Instagram | Twitter | Facebook O post Corregedoria vai tentar impedir presença ilegal de PMs em ato pró-Bolsonaro apareceu primeiro em Pragmatismo Político. |
Em novo ataque contra Estado Islâmico, EUA atingem carro suspeito de carregar ‘homens-bombas’ Posted: 30 Aug 2021 03:10 AM PDT ![]() Veículo destruído é visto dentro de uma casa após ataque de drones dos EUA (Imagem: Khwaja Tawfiq Sediqi | AP) Os Estados Unidos realizaram novo ataque com drone não tripulado neste domingo (29) em Cabul, capital do Afeganistão, contra o grupo Estado Islâmico Khorasan (EI-K). O alvo da operação era um carro que supostamente carregava explosivos e homens-bombas, que estaria se deslocamento para região do aeroporto de Cabul para um novo ataque suicida. “Explosões secundárias significativas do veículo indicaram a presença de uma quantidade significativa de material explosivo“, disse o Pentágono, afirmando que o governo está “confiante de que o alvo foi atingido”. Leia também: Estado Islâmico Khorasan: Rival do Talibã ameaça a retirada dos EUA no Afeganistão O Departamento de Defesa dos Estados Unidos informou que o objetivo da ação foi alcançado. Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, afirmou que não há indícios de vítimas civis. Para a agência Associated Press, um oficial afegão disse, de forma anônima, que três crianças teriam morrido no ataque. Até o momento, não se sabe se evento está ligado à outra explosão que ocorreu em um prédio residencial na região ao norte do aeroporto de Cabul ainda neste domingo. Na última quinta-feira (26), a explosão de duas bombas em um ataque suicida nos arredores do aeroporto, principal rota de evacuação do país no momento, provocou a morte de pelo menos 180 pessoas, entre elas, 13 soldados norte-americanos. O grupo EI-K assumiu a autoria do atentado. O presidente dos EUA Joe Biden e sua esposa Jill Biden foram para Delaware neste domingo (29) para uma sessão solene em homenagem aos 13 soldados norte-americanos mortos no ataque suicida de quinta-feira. Fique por dentro: Biden fala em retaliação aos responsáveis dos ataques no Afeganistão No sábado (28), Biden havia alertado que um novo ataque ao local seria “muito provável” nas “próximas 24 a 36 horas” e que o bombardeio norte-americano que matou dois membros do grupo Estado Islâmico não seria o último. “A situação no local continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente em um comunicado após reunião com seus conselheiros militares e de segurança. Após o alerta, a embaixada norte-americana em Cabul pediu para seus cidadãos evitarem de ir ao aeroporto da capital afegã, ressaltando que qualquer pessoa perto das entradas deveria sair imediatamente. O Talibã, por sua vez, anunciou que vai assumir o “controle total” do aeroporto de Cabul quando todos os militares e civis dos EUA tiverem partido. Siga-nos no Instagram | Twitter | Facebook O post Em novo ataque contra Estado Islâmico, EUA atingem carro suspeito de carregar ‘homens-bombas’ apareceu primeiro em Pragmatismo Político. |
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